Conheça o ESGB11, o ETF ESG do BTG Pactual

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Pixabay

Nos últimos anos, a sustentabilidade passou a ser tendência também no mercado financeiro. Nesse contexto, em outubro de 2020 foi lançado o ESGB11, o primeiro ETF do BTG Pactual que investe em ações ESG.

O ESGB11 segue o índice S&P/B3 Brasil ESG, lançado por meio de uma parceria entre a bolsa brasileira e a S&P Dow Jones. Por sua vez, o índice é composto por ações de 96 empresas que seguem boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa. O BTG, gestor e administrador do fundo, terá dois anos de exclusividade para o uso do índice.

A seguir, falaremos mais sobre investimentos ESG e sobre as características do ESGB11. Acompanhe!

Para começar, o que é ESG?

A sigla vem do inglês Environmental, Social and Governance, e representa empresas que possuem critérios ambientais, sociais, e de governança corporativa. Nesse sentido, alguns aspectos abordados por cada um desses critérios são os seguintes:

Sociais

Os critérios sociais levam em consideração as ações da organização em relação a seus colaboradores. Nesse caso, questões como ambiente de trabalho e segurança, remuneração justa, inclusão social são alguns dos aspectos considerados.

Ambientais

Já os aspectos ambientais mostram de que forma a atividade da empresa impacta o meio ambiente. Ou seja, evidencia a forma como a organização lida com a reciclagem e destino do lixo, tratamento de água, consumo de matéria-prima, e outros aspectos similares.

Governança

Por fim, a governança corporativa leva em consideração a forma como a empresa conduz os seus negócios. Nesse sentido, eles devem estar em linha com os interesses dos acionistas e da sociedade ao mesmo tempo. Além disso, essas ações devem atender também a aspectos legais, como leis trabalhistas e órgãos de fiscalização.

Para que possam ser consideradas ESG, as empresas precisam satisfazer, no mínimo, um dos três critérios citados. No entanto, o ideal é que ela seja forte e atuante em todos eles.

E como funciona o índice S&P/B3 Brasil ESG?

O S&P/B3 Brasil ESG é formado por ações de 96 empresas listadas na B3 e que compõem o S&P Brazil BMI (Broad Market Index). Nesse sentido, ficam de fora do índice as companhias não aderentes ao Pacto Global. Além disso, aquelas que atuam em setores como armas, tabacos e carvão mineral também não fazem parte do S&P/B3 Brasil ESG.

Vantagens dos investimentos ESG

Além da responsabilidade social e com o meio ambiente, há outros bons motivos para investir em empresas com critérios de sustentabilidade. A seguir, conheça alguns deles:

Performance superior ao Ibovespa

Todos os anos, a bolsa de valores brasileira anuncia as empresas que farão parte do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial). Normalmente, o índice é anunciado no início de dezembro, e tem validade durante todo o ano subsequente.

Atualmente, o ISE é composto por 39 companhias de 15 setores diferentes. Juntas, elas possuem valor de mercado de R$ 1,8 trilhão, o que representa cerca de 38% do valor de mercado das companhias negociadas na B3.

Desde a sua criação, em 2005, até o final de 2020, o ISE acumulou alta de 294% (considerando data base de 25/11/2020). Nesse mesmo período, o aumento acumulado do Ibovespa foi de 245%, o que mostra tendência de desempenho superior dessas empresas.

Vantagens competitivas dos investimentos ESG

Empresas que seguem os critérios ESG apresentam algumas importantes vantagens competitivas. Uma das principais diz respeitos ao risco da operação.

Isso porque é muito pouco provável que uma empresa engajada com a sociedade e com o meio ambiente venha a sofrer qualquer tipo de penalidade referente a questões trabalhistas ou de danos ambientais. Além disso, quando segue à risca os critérios de governança corporativa, as chances de escândalos de gestão ou corrupção são muito menores.

Tudo isso dá mais segurança ao investidor e, consequentemente, contribui para a valorização de suas ações no mercado.

Características do ESGB11

Na data de seu lançamento (3 de novembro de 2020), o patrimônio do ESGB11 era de R$ 98,5 milhões. Cinco meses depois, atingiu a marca de R$ 159,5 milhões, sendo atualmente o quarto maior ETF negociado na bolsa brasileira, com liquidez média diária de R$ 513 mil.

A sua taxa de administração é de 0,50% ao ano. O BTG Pactual é o responsável pela gestão e administração do fundo.

Em relação aos critérios de exclusão do fundo, além das empresas dos setores de tabaco, carvão mineral e armas, ficaram de fora também Petrobras e BRF. No caso da Petrobras, o motivo foi o envolvimento na Lava Jato. Quanto à BRF, a razão da exclusão foi a operação Carne Fraca, deflagrada em 2018. Ou seja, mesmo que as empresas cumpram exigências ambientais, se há problemas de governança (como nos dois casos), elas não participarão do ESGB11. No entanto, caso esses problemas sejam resolvidos, as ações dessas empresas poderão formar o patrimônio do fundo no futuro.

Outra característica do ESGB11 é que nenhuma ação pode representar mais de 10% do patrimônio do fundo.

ESG: atenção ao greenwashing!

Por fim, chamamos atenção para um ponto de alerta em relação aos investimentos ESG. Isso porque existem empresas que anunciam falsamente cumprirem as normas de sustentabilidade, para tirarem proveito dessa tendência.

No mercado, essa prática é conhecida como greenwashing, o que, literalmente, significa “lavagem verde”. Nesse sentido, o que as empresas fazem é passar uma falsa imagem de responsabilidade social e ambiental. Isso acontece quando essas organizações fazem o público acreditar que estão contribuindo para o meio ambiente e para a sociedade ao adquirirem os seus produtos ou serviços. No entanto, utilizam-se de certificados, rótulos ou propagandas enganosas para esse propósito.

Muitas vezes, esses produtos ou serviços simplesmente não entregam os benefícios que prometem. No entanto, em algumas situações, chegam a causar sérios danos ao meio ambiente.

Há diversas formas de praticar o greenwashing. Em algumas situações, as empresas forjam rótulos com componentes ou quantidades falsos, ou omitem algum item nocivo da composição do produto. Há também situações nas quais são mencionados certificados ou premiações não conquistadas ou, até mesmo, que não existem, para impressionar os consumidores.

A comunicação vaga e imprecisa também é uma forma de praticar o greenwashing. Isso acontece quando a empresa se mostra defensora do meio ambiente ou de causas sociais. No entanto, não deixa claro de que forma atua nessas causas.

Ou seja, a prática consiste em fazer a opinião pública acreditar no engajamento da empresa em relação à sustentabilidade, sem que de fato isso aconteça.

 

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.