Conheça as empresas brasileiras que optaram por fazer IPO nos EUA

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Nos últimos anos, muitas companhias brasileiras têm optado por fazer seu IPO – oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês – nas bolsas de valores norte-americanas.

Parte desse movimento é justificada pela maior capilaridade do mercado financeiro lá fora. Sendo que esse movimento não é dado somente pelo número de investidores. Mas também pela expectativa de aumento de clientes e fornecedores.

Em outras palavras, o mercado norte-americano possui um nível de maturidade maior, mais investidores e um maior volume negociado. Por isso atrai empresas interessadas em fazer IPO.

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Com regras diferentes do Brasil, a listagem em bolsas americanas também permite a emissão de ações preferenciais. E nisto difere do mercado brasileiro. Por aqui, o segmento do Novo Mercado da B3 permite apenas o lançamento de ações ordinárias.

E isso acaba sendo um fator relevante para companhias que não abrem mão do controle acionário da empresa.

Especialistas afirmam ainda que as burocracias excessivas da B3 costumam ser motivos que pesam na hora de decidir onde fazer o IPO.

Além disso, as bolsas americanas oferecem dispositivos mais avançados de governança corporativa. Isso porque os requisitos exigidos pela SEC (órgão regulador de valores mobiliários dos Estados Unidos) são mais rigorosos.

Brasileiras que fizeram IPO nos EUA

Entre as brasileiras que realizaram realizaram o IPO em bolsas americanas nos últimos anos, os principais destaques ficaram para:

PagSeguro: entre os maiores IPOs de tecnologia

A PagSeguro (PAGS), companhia que pertence ao grupo UOL, levantou cerca de US$ 2,27 bilhões em sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Nova York, em 2018.

Na época foi considerado o quarto maior IPO de tecnologia da história.

Líder no mercado brasileiro de meios de pagamentos online, a companhia consolidou-se como a maior plataforma de pagamento online do Brasil.

No terceiro trimestre de 2020 a PagSeguro atingiu R$ 262,4 milhões em lucro. Além disso, a companhia registrou R$ 44,8 bilhões em volumes de maquininhas, aumentando em 52,5%.

As receitas da PagSeguro no terceiro trimestre foram de R$ 1,781 bilhões.

É possível investir na PagSeguro através dos Brazilian Depositary Receipts (BDRs), disponíveis na B3. O código de negociação é PAGS34.

Stone

A Stone (STNE) é uma fintech de meios de pagamentos multibandeira, que atua por intermédio de máquinas de cartões, processadoras de transações realizadas por cartões de crédito, débito e voucher.

Em 2018, as ações da companhia dispararam mais de 30% em sua estreia na Nasdaq, em um IPO que captou US$ 1,22 bilhão.

O IPO teve a participação de grandes investidores internacionais como Warren Buffett, por meio da holding de investimentos Berkshire Hathaway, e a Ant Financial da chinesa Alibaba.

No terceiro trimestre de 2020, a Stone registrou um lucro líquido ajustado de R$ 287,9 milhões, alta de 42,6% na base anual.

Já as receitas totais, incluindo as financeiras, alcançaram R$ 934,3 milhões, o que representa uma elevação de 39,2% ante o terceiro trimestre de 2019.

Afya Educacional

A Afya Educacional (AFYA) abriu seu capital na Nasdaq em 2019 com ações subindo 20% na estreia.

O grupo brasileiro de educação, especializado em cursos de medicina, levantou US$ 300 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) com o IPO.

A Afya foi criada pela união da NRE Educacional, maior grupo de faculdade de medicina do Brasil, e da Medcel, marca de cursos digitais preparatórios para provas de residência médica.

No segundo trimestre de 2020, a Afya (AFYA), reportou lucro líquido ajustado de R$ 82,6 milhões, alta de 163%. A receita líquida aumentou 53,6%, para R$ 274,2 milhões.

Azul: IPO no Brasil e nos EUA

Há situações ainda em que a empresa opta por abrir seu capital em mais de uma bolsa.

A Azul, por exemplo, abriu seu capital em 2017 na B3 (AZUL4) e na Nyse (AZUL) e, ao todo, a companhia captou R$ 2,02 bilhões.

No terceiro trimestre de 2020 a empresa apresentou um prejuízo líquido de R$ 1,2 bilhão. A receita líquida de vendas da Azul atingiu R$ 805,3 milhões, apresentando queda de 73,4%.

Companhias que fizeram IPO nos EUA este ano

Vinci Partners

Em janeiro de 2021, a gestora de private equity Vinci Partners lançou sua oferta pública inicial de ações nos EUA.

A gestora, listada na Nasdaq com o ticker VINP, levantou ao menos US$ 250 milhões.

Os resultados preliminares de 2020 mostram que a receita deve ficar entre R$ 328 milhões e R$ 351,8 milhões, um aumento de 10,5% a 18,6% na comparação anual.

Pátria

Outra gestora brasileira de private equity que lançou IPO nos EUA em janeiro de 2021 é a Pátria Investimentos.

O total levantado foi de US$ 625 milhões. A gestora será listada na Nasdaq, com o ticker PAX.

Em 30 de setembro, o Pátria tinha US$ 12,7 bilhões em ativos sob gestão. E 10 escritórios em todo o mundo.

Nos nove primeiros meses de 2020, a receita do Pátria foi de R$ 83,3 milhões, com queda de 5,3% no ano. O lucro foi de R$ 45,5 milhões, com expansão de 9,9%.

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