Conheça a história de 15 empresas que afundaram ao não inovar

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).

Um dos principais mantras do mundo corporativo é a necessidade de inovar para não ser passado para trás.

Porém, a história está repleta de empresas que não apenas inovaram, mas transformaram profundamente o mercado, porém, estacionaram em suas próprias inovações ao não observarem o que se passava ao seu redor.

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Ao optarem por não fazer, essas empresas não apenas perderam grande espaço no mercado, mas, algumas delas fecharam as portas. Pois, quando resolveram inovar, já era tarde demais.

Neste livro organizado pela Valuer, plataforma de engajamento de startups, foram selecionadas 50 grandes empresas que entraram em fase de negação da realidade, não inovaram e foram à ruína.

No texto a seguir, nos selecionamos os 15 casos mais emblemáticos da história recente.

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1 – Kodak
Provavelmente essa seja uma das histórias mais fascinantes e tristes ao mesmo tempo. A Kodak promoveu uma revolução
no mundo da fotografia e liderou o mercado mundial por quase todo o século XX. O que torna a história mais chocante é que foi
a Kodak a responsável a criar a primeira camêra digital em 1975, porém, como conta Stev Sasson: “Mas era fotografia sem filme,
então a reação da gerência foi: ‘isso é foto – mas não conte a ninguém sobre isso”.
Os executivos da Kodak levaram a empresa a ruína por considerarem a fotografia digital como “uma tecnologia disruptiva”.
A Kodak ignorou a inovação que ela própria criou: a revolução digital. A empresa entrou com falência em 2012.

 

2 – Nokia
A Nokia é um daqueles casos inacreditáveis onde perdeu para a própria transformação que propiciou no mercado global. Entre a década de 1990 e começo dos anos 2000, a empresa finlandesa dominava o mercado de celular, porém, acreditou que isso, por si só, bastaria para se manter líder. Daí que em 2007 a Apple lançou o iPhone e iniciou uma nova etapa de smartphone. Quando a Nokia resolveu atualizar o seu dispositivo já era tarde demais, o seu sistema operacional não foi aceito pelos usuários e o Android e IOS já eram os queridinhos dos usuários.

3 – Xerox
A Xerox foi uma empresa tão importante no mundo, principalmente no Ocidente, que até os dias atuais a sua marca virou sinônimo para fotocópia. Além disso, a empresa esteve, durante muito, tempo na dianteira das inovações.
Foi a primeira a criar o PC, porém, os diretores achavam, à época, que digitalizar tornar-se-ia algo muito caro. Porém, com a revolução dos computadores domésticos e impressoras multifuncionais, a empresa foi passada completamente para trás.

 

4 – Blockbuster
A blockbuster é outro exemplo de como foi engolida pelas inovações de terceiros. No Brasil, fez muito sucesso entre a década de 1990 e começo dos anos 2000.
Uma das suas grandes inovações foi a locação por 48h e as caixinhas para devolução, pois, o aluguel era pago antes.
Sobreviveram a transição do VHS para o DVD, porém, ignoraram um concorrente, ainda tímido, e que hoje domina o mercado de streaming: a Netflix, que à época funcionava como uma locadora que entregava em casa os filmes. Reed Hasting propôs uma parceria com a Blockbuster, mas, John Antioco, CEO da locadora recusou.
Resultado: a Blockbuster sobreviveu ao DVD, mas sucumbiu diante dos serviços de streaming.

 

5 – Yahoo
O Yahoo, que até a primeira metade do século XXI, dominou o mercado de mídias digitais, é o típico exemplo de como evitar riscos pode ser a sua ruína.
Alguns exemplos: No começo dos anos 2000 optara por não entrar no mercado de pesquisa online; em 2002 quase fecharam um acordo para comprar o Google e, em 2006, estiveram muitos próximos de adquirir o Facebook, mas, diminuíram a oferta e Mark Zuckerberg desistiu da venda.
Hoje, as duas empresas que o Yahoo não quis comprar, simplesmente dominam o mercado digital.

 

6 – IBM
IBM ou International Busineess Machines, também conhecida como “Big Data”, é uma empresa multinacional de tecnologia e revolucionou o mercado de computação na década de 1960 com o IBM/ System / 360, uma rede de computadores projetados para cobrir todo o tipo de aplicativos.
Porém, com o advento dos computadores domésticos, a empresa não soube se adaptar e perdeu boa parte da fatia do mercado.
Passaram por várias transformações e hoje a empresa é uma referência em software corporativo. Tiveram sorte com a mudanças da direção, um final raro na história das corporações.

7 – Blackberry
Imagine um tempo, não muito distante, onde a Apple anunciasse a sua saída do mercado de smartphones, um espanto não?
Pois bem e com as devidas proporções, o BlackBerry era um sucesso absoluto no fim da década de 1990. Para se ter uma ideia, eles fora os responsáveis pelo início do mercado de tablets celulares com acesso a internet.
O seu dispositivo contava com tecnologia de ponta no que diz respeito a criptografia, mas, onde eles erraram? Ignoraram a experiência do usuário que há algum tempo já se queixava da tela pequena. Com a chegada do iPhone e do Galaxy com telas grandes e celulares estilizados não sobrou espaço para o BlackBerry. Em 2017 eles anunciaram a saída do mercado de smartphones.

 

8 – MySpace
O MySpace foi uma rede social que dominou a esfera digital. Parece ser o lugar perfeito: unia música, relacionamentos interpessoais e chats em um espaço só.
Porém, começou a ser dissolvido com o surgimento do Facebook, em 2005. Nesta mesma época, o CEO do Myspace, Chris DeWolfe, se encontrou com Zuckerberg e discutiram a possibilidade de negócios juntos.
Zuckerberg ofereceu o Facebook por US$ 75 milhões e recebeu uma negativa.
Com o crescimento vertiginoso do Facebook, o MySpace acompanhou a migração maciça de seus usuários para a rede de Zuckeberg.
Em 2011, o MySpace mudou seu foco de rede social para ser apenas um espaço de entretenimento e música. Mas, já era tarde demais. No mesmo ano, mais de 500 funcionários foram demitidos após uma perda massiva de usuários. Era o fim do MySpace.

 

9 – Hitachi
Até a década de 1980 a Hitachi disputava o mercado em pé de igualdade com a Sony, Panasonic e Sharp.
Porém, quem lembra da marca hoje? E por que ela desapareceu? Resposta: a revolução digital.
A empresa simplesmente não acompanhou a transformação pela qual passava o mercado de eletrônicos e hoje perde bilhões por ano.
Em 2012, a empresa anunciou a redução da fabricação de TVs e hoje, o foco da sua produção está e projetores e chips.

 

10 – Polaroid
Fundada em 1937, a Polaroid foi uma das primeiras empresas do Ocidente de alta tecnologia e, a partir dos anos 50 era a queridinha de quase todo mundo.
Revolucionou o mercado com o seu modelo SX-70, a clássica máquina que produzia as fotos depois de alguns minutos de serem tiradas. Até o fim da década de 1990, a empresa se manteve no auge.
Porém, com o advento das máquinas digitais, a empresa entrou em falência em 2001. Mas, a empresa tem visto uma luz no fim do túnel nos últimos anos: é cada vez mais crescente a demanda por máquinas Polaroid. Também são bem populares os apps de fotos que imitam as bordas e os filtros da máquina.

 

11 – Toshiba
Empresa japonesa que foi uma gigante dos computadores e na década de 1980 era considerada uma das mais inovadoras.
Transformou o mercado com o seu modelo T1100, primeiro laptop voltado para o mercado de massas.
Mas, na virada do século as vendas online e a popularização dos laptops emperrara o crescimento da empresa. Em 2016, a Toshiba anunciou que não mais fabricaria PCs para o mercado europeu. Hoje, a empresa vende os seus ativos para pagar dívidas.

 

12 – Sony
A Sony ainda permeia o mercado e o imaginário dos usuários, porém, nada de compara quando, em 1979 eles lançaram o Walkman e mudou a meneira como lidávamos com a música.
O Walkman era, basicamente, o iPhone da época. Porém, com a chegada dos MP3 players no mercado, as vendas do Walkman despencaram e ele morreu. Assim como os MP3 Players, mais tarde, foram mortos pelos smatphones.
O impressionante dessa história é que a Sony possuía os conhecimentos e tecnologias para lançar produtos melhores que o iPod, mas, como não tiveram a ousadia de inovar, ficaram para trás.

 

13 – Netscape
Netscape era o navegador mais popular dos anos 90 e o favorito da academia do tempo em que a internet era discada, hoje, ele é apenas mais um serviço digital entre tantos.
Foi tragada pela Internet Explorer e outros concorrentes.

14 – Atari
Piorneia em jogos de arcade e, principalmente, com os consoles de videogame doméstico. Dois produtos marcaram época: Pong e Atari0 2600 foram os produtos que definiram a indústria do entretenimento na década de 1970.
Porém, os desenvolvedores enxergavam o console doméstico como uma diversão individual e não uma experiênca coletiva. Esse olhar equivocado fez com que a Atari fosse esquecida pelos usuários de video-game. Hoje, a Atari se tornou decoração de casas e bares retrô.

 

15 – America Online
A história da America Online (AOL) é a mais emblemática e marca, definitivamente, o início da era digital, para o bem e para o mal.
Na metade da década de 1990, a AOL era uma das poucas fornecedoras de internet juntamente com a Trumpet Winsock. A sua plataforma Instant Messenger era considerado o melhor aplicativo de mensagens quando lançado.
Porém, com o surgimento do Messenger, da Microsoft, teve o início o seu declínio. Depois, a derrocada se tornou ainda pior com a popularização da internet de banda larga.
Em 2000, a AOL tentou se fundir com a Time Warner em um negócio bilionário: US$ 350 bilhões. Porém, esse acordo que parecia promissor se tornou uma das maiores falhas de fusão na história recente do século XXI.
Posterior ao seu fracasso bilionário, a AOL ainda tentou se reerguer, mas não deu certo. Em 2015, a America Online foi adquirida pela Verizon Commnunications.
Essa história marcou aquilo que ficou conhecido como “boom da bolha digital” e fez com que muitos investidores até pouco tempo atrás não investissem em iniciativas digitais.
Felizmente, esse cenário mudou.