FGV: confiança empresarial segue em níveis históricos baixos

Paulo Amaral
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Foto: Economia brasileira pode retrair 4,4% esse ano, estima FGV

O ICE (Índice de Confiança Empresarial) mostrou recuperação no mês de maio quando comparada ao último bimestre, mas segue em níveis históricos baixos.

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Segundo relatório publicado pela Fundação Getúlio Vargas, o índice chegou a 65,5 pontos no último mês, apresentando subida de 9,8 pontos em relação ao período anterior.

“O nível da confiança empresarial em maio é ainda tão baixo em termos históricos que fica difícil fugir à leitura de que a alta no mês consistiu em uma acomodação após o baque do bimestre março-abril”, comentou Aloisio Campelo Jr., Superintendente de Estatísticas da FGV IBRE.

A confiança aumentou em 38 dos 49 segmentos integrantes do ICE em maio, após recuar em todos os segmentos no mês anterior.

O resultado foi influenciado pela revisão das expectativas e acomodação da situação atual, à exceção do setor da Construção, em que o ISA continuou recuando no mês.

“O alívio veio pelo lado das expectativas, que passam a sinalizar meses menos piores à frente. Ainda que a tendência de alta se mantenha, com o ambiente de negócios distante da normalidade e a incerteza econômica persistentemente elevada, os indicadores de confiança tendem a continuar baixos por algum tempo”, complementou.

ICE

O ICE é a consolidação dos índices de confiança dos quatro setores cobertos pelas Sondagens Empresariais produzidas pela FGV IBRE: Indústria, Serviços, Comércio e Construção.

Segundo a FGV, o ISA-E, que retrata a situação corrente dos negócios, subiu 2,5 pontos em maio, alcançando 63,9 e recuperando 8% das perdas do bimestre anterior.

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O IE-E (Índice de Expectativas) chegou a 63 pontos, 11,5 acima da medição anterior e 23% acima da queda do último período.

O Indicador de Demanda Prevista (três meses) subiu 17 pontos, para 53,8, enquanto o Indicador de Emprego Previsto subiu 6,4 pontos, para 57,7.

De acordo com o relatório da FGV, o Indicador de Expectativas com a Situação dos Negócios – único componente do IE-E que mira o horizonte de seis meses – avançou 7,7 pontos, subindo para 66,3 pontos, valor não muito distante do nível do ISA-Empresarial.

CNC: Confiança do empresário cai 20,9 de abril para maio

De acordo com a Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviço e Turismo, outro índice importante, o Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), registrou queda de 20,9 pontos percentuais na passagem de abril para maio, a maior desde março de 2011.

Os efeitos negativos da pandemia de coronavírus fizeram o indicador atingir 94,5 pontos (em uma escala de 0 a 200), menor nível desde setembro de 2016 e com queda de 22,8% em relação a maio de 2019.

José Roberto Tadros, presidente da CNC, tentou justificar os números ruins em relação à confiança empresarial na virada do mês.

“Entre as iniciativas para combater o vírus, o isolamento social segue motivando a paralisação de empresas, fazendo com que a grande maioria tenham drásticas reduções em seus faturamentos, com riscos reais de encerrar suas atividades em definitivo”.

Quedas e mais quedas

O mais recente relatório da CNC apontou ainda quedas na confiança dos empresários sobre a situação atual, de 26,5% em relação a abril e de 25,4% na comparação com maio de 2019.

Questionados a respeito do futuro, os empresários também se mostraram mais temerários, com quedas de 20,9% na comparação com abril e de 26,3% em relação a maio.

As baixas se repetiram em relação aos investimentos: 15,1% em relação ao mês anterior e de 14,7% em relação a maio do ano passado.

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