Confiança do setor de serviços cai 31,7 pontos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

A Fundação Getulio Vargas divulgou nesta terça-feira (28) o Índice de Confiança de Serviços (ICS). E o cenário de crise decorrente da pandemia de coronavírus fez com que o indicador de abril registrasse seu pior resultado desde junho de 2008, quando a sondagem começou a ser realizada.

O ICS ficou em 51,1 pontos, com recuo de 31,7 pontos na comparação com o mês de março.

No ano (janeiro a abril), o indicador acumula 45,1 pontos de queda.

“Os efeitos da pandemia se tornam cada vez mais claros no setor de serviços. Depois de registrar os primeiros sinais em março, a queda da confiança foi aprofundada em abril”, Rodolpho Tobler, economista da FGV.

“A percepção dos empresários sobre a situação atual, que ainda apresentava suspiros em março, também despencou. O cenário para o curto prazo é de elevada incerteza e ainda sem perspectivas de recuperação”, afirma. A demanda é fraca a deterioração do mercado de trabalho pioram o cenário, segundo Tobler.

O Índice de Situação Atual (ISA-S) caiu pelo quarto mês consecutivo. A baixa de 29,7 pontos levou o indicador a 55,5 pontos, o menor nível histórico. Anteriormente, o mínimo histórico havia ocorrido em outubro de 2015 (66,2 pontos).

O Índice de Expectativas (IE-S) despencou 33,5 pontos, para 47,3 pontos, atingindo também o menor nível histórico. A última vez que o índice atingiu um mínimo histórico foi em setembro de 2015 (63,8 pontos).

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) do setor de serviços caiu 2,5 pontos percentuais para 79,5%, acumulando 3,4 pontos percentuais de queda em dois meses.

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Serviços: coronavírus é apontado como principal impeditivo

A pesquisa da FGV revela ainda que, desde julho de 2017, os principais fatores considerados limitativos para a melhora dos negócios do setor de serviços eram a competição e a insuficiência de demanda.

Em março, 40,5% das empresas apontaram a competição era um fator limitativo enquanto 33,2% consideraram a demanda insuficiente.

No entanto, em abril, a opção de fator limitativo mais indicada pelos empresários foram “outros fatores” com 60,8% das citações. Desses, cerca de 80,4% especificaram o “coronavírus” ou os efeitos dele como principal limitação.

Em seguida, as maiores parcelas são da demanda insuficiente, que aumentou para 34,3%, e competição, que decresceu de 40,5% para 20,9% no período.

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