Confiança do setor de serviços cai 2,3 pontos em novembro, diz FGV

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.

A confiança do setor de serviços caiu 2,3 pontos em novembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), elencando que se trata do menor nível desde junho deste ano.

De acordo com o Índice de Confiança de Serviços (ICS), com a queda, a confiança do setor de serviços foi 96,8 pontos.

Também, disse que em médias móveis trimestrais, o índice cedeu 0,8 ponto, após seis meses de altas seguidas.

Economista do FGV IBRE, Rodolpho Tobler, disse que a confiança de serviços vem oscilando nessa reta final de 2021.

Em novembro, o resultado negativo do ICS foi influenciado tanto pela piora da percepção sobre o momento atual quanto das expectativas.

“A disseminação da queda sugere que o ritmo de recuperação perde um pouco de força no final do ano. Apesar do avanço do programa de vacinação, o ambiente macroeconômico frágil é que pode adicionar mais incerteza na continuidade da recuperação na virada para 2022”, avaliou.

Serviços – Novembro

Ainda de acordo com o economista, em novembro o resultado negativo do ICS foi influenciado tanto pela piora na avaliação sobre o momento atual como pelas expectativas.

O Índice de Situação Atual (ISA-S) recuou 1,8 ponto, para 92,8 pontos, mas ainda mantendo na região de moderado pessimismo (90-100 pontos).

Enquanto, o Índice de Expectativas (IE-S), caiu 2,7 pontos, para 100,9 pontos, menor nível desde junho (99,1 pontos). A queda do ICS atingiu 12 dos 13 segmentos pesquisados.

Indicador de Desconforto

Conforme a FGV, a queda do Índice de Situação Atual (ISA-S) em novembro contribui para interromper o avanço do índice em médias móveis trimestrais.

Depois de apresentar melhora após as medidas restritivas do início do ano, a recuperação do ISA-S perdeu força.

No mesmo período, o Indicador de Desconforto (composto pela média das parcelas padronizadas demanda insuficiente, taxa de juros, problemas financeiros, pandemia, fatores políticos e econômicos como limitações a melhoria dos negócios) também mostra sinais de estabilização em patamar ainda negativo.

O indicador acomodou ao ceder 0,4 ponto em novembro, mas ainda se encontra 6,3 pontos acima do nível pré-pandemia.

Confiança do Comércio

Em relação à confiança do comércio, esta caiu 6,2 pontos em novembro, de acordo com a FGV.

O levantamento é do Índice de Confiança do Comércio (ICOM) e destaca que a queda se configurou ao passar de 94,2 para 88,0 pontos. Em médias móveis trimestrais o indicador recuou 4,3 pontos, a terceira queda consecutiva.

Ainda de acordo com Tobler, a queda do ICOM em novembro reforça o cenário de desaceleração do setor no último trimestre de 2021.

O resultado negativo teve influência tanto da piora na percepção do ritmo de vendas quanto das expectativas sobre os próximos meses, distanciando o ICOM do nível neutro de 100 pontos.

Também disse que o cenário para os próximos meses não é muito animador, dado que a confiança dos consumidores ainda se encontra muito baixa, a inflação segue em alta, os juros subindo e o mercado de trabalho ainda reagindo gradualmente.

“Em novembro, houve queda em cinco dos seis principais segmentos do setor. O recuo no mês foi resultado da piora da percepção sobre o momento presente e das expectativas. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) caiu 7,0 pontos chegando a 88,3 pontos, menor valor desde abril de 2021 (81,6 pontos). Já o Índice de Expectativas (IE-COM) recuou 5,1 pontos, ao passar de 93,3 pontos para 88,2 pontos, menor desde junho de 2021 (87,6 pontos)”, destacou.

Diferença entre ISA-COM e IE-COM

Conforme o economista, desde o início da pandemia os Índices de Situação Atual (ISA-COM) e de Expectativas (IE-COM) têm apresentado comportamento distinto.

Enquanto o primeiro apresentou recuperações mais expressivas no final de 2020 e ao longo de 2021, o IE-COM se mostrou mais resistente nesse período.

Nos últimos meses, chama a atenção a aproximação dos dois índices, mas também a maneira com que isso acontece, com queda em ambos os índices.

“Esse resultado sugere que a desaceleração do setor tem sido percebida no ritmo de vendas, mas há também uma cautela com o início de 2022”, completou Rodolpho.