Confiança do comércio tem alta histórica em setembro, mostra CNC

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
1

Crédito: Reprodução/Pixabay. Confiança do comércio sobe

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou nesta sexta-feira (18) o Índice Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de setembro com a alta histórica de 14,4%. O índice subiu para 91,6 pontos, chegando perto da zona de otimismo (acima dos 100).

De acordo com a CNC, esse é o terceiro mês consecutivo de crescimento e o maior desde seu início, em abril de 2011. Por outro lado, houve uma queda de 23,1% no comparativo anual.

Retomada

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirma que a flexibilização das medidas de distanciamento social é o principal suporte para a retomada gradual da atividade econômica no terceiro trimestre. 

“O volume de vendas do comércio tem apresentado crescimento nos últimos meses, impulsionado pela reabertura das lojas do varejo não essencial, o que tem impactado na percepção cada vez mais otimista dos comerciantes”, destaca Tadros.

Todos os tópicos pesquisados pelo Icec registraram aumento durante o mês. O maior aumento entre os subíndices foi a satisfação dos comerciantes com as condições atuais, com 42,1% (55 pontos). Essa foi a segunda alta consecutiva após cinco quedas fortes, apesar de ser um número baixo em relação ao mesmo mês de 2019, com uma diferença de -41,5%.

De acordo com os dados divulgados, empresários do comércio também apontaram o maior número de satisfação desde o início da pandemia. Foi um crescimento de 65,6% e 40,1 pontos após uma grande queda de 90 pontos.

Visão positiva

A avaliação de expectativas para curto prazo foi a única que passou dos 100 pontos, com um avanço de 7,2% (138,6 pontos). Além disso, mais de 50% dos comerciantes pretendem abrir novas vagas de trabalho.

“A intenção de contratar pelo comércio avançou em todas as regiões do País, e mais da metade dos comerciantes já pretende aumentar o quadro”, afirma Izis Ferreira, economista responsável pela pesquisa. 

“Em julho, cerca de 75% dos comerciantes afirmavam que reduziriam a quantidade de funcionários, um quadro que se reverteu rapidamente nos últimos dois meses”, destacou.

O índice de situação atual dos estoques teve em setembro o primeiro aumento em cinco meses (+4%), atingindo 81,5 pontos. O percentual de comerciantes que consideram o nível dos estoques acima do adequado diante da programação das vendas diminuiu pela primeira vez desde dezembro de 2019, de 35,1%, em agosto, para 33,4%, em setembro.

De acordo com Ferreira, estoques de lojas de varejo não essencial se tornaram obsoletos, uma vez que estiveram fechadas por meses. Apesar disso, o comércio eletrônico foi uma estratégia utilizada para amenizar essa situação. 

“Alguns segmentos do varejo foram particularmente afetados, como vestuário, calçados e acessórios, então estão adotando estratégias para readequar o nível dos estoques diante das vendas, que deverão avançar ainda em ritmo gradual”, concluiu.