Conab prevê crescimento de 8% da safra no biênio 2020/2021

Marcello Sigwalt
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Crédito: Divulgação/Governo do Tocantins

Enquanto outros setores se esforçam para sair do vermelho, o agronegócio vai bem, obrigado.

Prova disso é a estimativa divulgada na publicação “Perspectivas para a Agropecuária Edição Grãos (Volume 8) – de um crescimento de 8% (278,7 milhões de toneladas de grãos) na safra 2020/2021, em relação ao período anterior.

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O estudo – apresentado, nesta terça-feira (25), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) – leva em conta expectativas de produção, com base em dados da lavoura, previsões de clima e imagem de satélites.

Lavouras de 15 grãos

Essa tecnologia é aplicada em lavouras de 15 grãos, especialmente soja, milho, arroz, feijão e algodão. Somadas, elas equivalem a 95% da produção de grãos do país.

Como resultado, a Conab calcula que o PIB agropecuário, a despeito da crise, deverá crescer 1,5% este ano, uma vez que segmentos da lavoura com maior peso no cálculo do PIB já haviam finalizado o plantio no período da pandemia, o que “permitiu manter a estimativa positiva”.

PIB agro avança

Apesar do revés no algodão, o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário deverá ter um crescimento de 1,5% em 2020.

A explicação da companhia é de que “os segmentos da lavoura com maior peso no cálculo do PIB já tinham finalizado o plantio no período da pandemia, o que contribuiu para a manutenção da estimativa do valor agregado do componente para o ano”, assinala a publicação.

Somente a soja, conforme a publicação, deve apresentar safra de 135 milhões de toneladas, ao passo que o milho deve chegar 112,9 milhões de toneladas.

Já o arroz deverá colher 11,98 milhões de toneladas, o feijão, 3,04 milhões, e o algodão, 2,55 milhões de toneladas de pluma.

Produtividade em alta

Analistas apontam que técnicas de manejo e condicionantes impostas pelo clima e pelo meio ambiente como fatores favorecem a produtividade da soja.

A tendência, segundo eles, é de que os preços do grão se mantenham em trajetória ascendente, alavancados pela valorização do dólar e pela demanda internacional aquecida, sem contar a queda de produção argentina, nossa concorrente direta nas exportações.

Internamente, a produção de soja é incentivada pelo aumento – de 12% para 13% – da proporção de biodiesel misturado ao diesel comercializado no país, assim como pelo maior consumo para alimentação do gado de corte, em fase de expansão.

Plantio cresce

Contribuem para aumentar a demanda por milho fatores como a ração dos bovinos e o dólar sobrevalorizado. Em consequência, a área de plantio nas três safras dos anos 2020 e 2021 deve crescer 7%.

O desempenho positivo da soja e do milho contrasta com o do arroz e o feijão, que devem apurar uma queda de 4% na produtividade – razão entre a extensão da área plantada e o volume de grãos produzidos.

Algodão encolhe

Pior performance, porém, coube ao algodão, duramente afetado pela pandemia. A commodity deverá encolher 12% na safra 2020/2021.

Entre os cinco principais grãos, o pior resultado é do algodão, que afetado pela covid-19 terá colheita 12% menor na safra 2020/2021 do que da safra 2019/2020.

Sem estímulo

Em nota, a Conab acentua que o setor algodoeiro foi “fortemente atingido” pela crise da covid-19, o que tem desestimulado o plantio. A estatal projeta uma retração de 11% na área plantada e de 2% na safra do produto.

Lavouras intensivas em mão de obra, continua o estudo, como às de laranja e de café, “embora tenham sinalizado   preocupação na contratação sazonal no início da colheita, não sofreram impacto significativo com a pandemia”.

A título de ilustração, a produção do setor agropecuário reúne:

  • Atividades primárias de colheita e de criação de gado.
  • Produção de insumos (como fertilizantes e defensivos ou agrotóxicos).
  • Agroindústria (como frigoríferos e usinas de cana-de-açúcar).
  • Agrosserviços (como transporte, veterinária e engenharia agrônoma).
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