Cade aprova compra da Embraer (EMBR3) pela Boeing (BOEI34)

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

A compra de parte da Embraer pela Boeing foi aprovada nesta segunda (27) pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A transação foi sancionada pelo órgão sem nenhuma ressalva ou restrição.

A operação, anunciada em julho de 2018, envolve a soma de US$ 4,2 bilhões. A negociação entre Embraer e Boeing já tinha sido aprovada pelas autoridades antitruste dos Estados Unidos e da China. Resta somente a avaliação da União Europeia.

Sem riscos à concorrência

A marca Embraer continuará existindo, mas ficará limitada aos segmentos de aviação executiva e de defesa, não incluídos no acordo.

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O Cade, por meio de sua Superintendência Geral, não vê riscos à concorrência na operação.

O Cade divulgou um comunicado em que explica detalhes da operação aprovada: “São duas transações analisadas. Uma delas consiste na aquisição pela Boeing de 80% do capital do negócio de aviação comercial da Embraer, que engloba a produção de aeronaves regionais e comerciais de grande porte. A segunda trata da criação de uma joint venture entre Boeing e Embraer voltada para a produção da aeronave de transporte militar KC-390, com participações de 49% e 51%, respectivamente (Operação de Defesa).”

Ampliação do portfólio

Segundo a nota, “para a análise da operação comercial, o Cade se baseou no segmento de aeronaves comerciais com capacidade entre 100 e 150 assentos, mercado considerado na operação.”

A conclusão do Cade: “A operação não deve impactar negativamente os níveis de rivalidade existentes neste mercado. A ampliação do portfólio da Boeing deve aumentar sua capacidade de exercer pressão competitiva contra a líder Airbus, empresa que domina esse mercado.”

O Cade analisou o mercado mundial de aeronaves tripuladas de transporte militar, “no qual se insere o KC-390, da Embraer, e as aeronaves C-40 Clipper e KC-46 A Pegasus, da Boeing”.

Benefícios para a Embraer

A autarquia afirma que não existe “possibilidade de exercício de poder de mercado, uma vez que a operação não representa a união dos portfólios de aeronaves de transporte militar das empresas, mas apenas a participação em um projeto comum.”

O Cade comunicou ainda “que a operação resultará em benefícios para a Embraer, que passará a ser um parceiro estratégico da Boeing.”

A divisão que permanece na Embraer – aviação executiva e de defesa – contará “com maior cooperação tecnológica e comercial da Boeing. Além disso, os investimentos mais pesados da divisão comercial, que possui forte concorrência com a Airbus, ficarão a cargo da Boeing.”

“Por essas razões, o Cade decidiu pela aprovação da operação sem quaisquer restrições. A análise do ato de concentração pela autarquia se deu sob aspectos estritamente concorrenciais, “, encerra a nota do órgão.