Companhias procuram renegociar dívidas corporativas

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Alphastock

O ambiente conturbado vivenciado nos últimos tempos por causa da pandemia de coronavírus levou empresas à renegociarem dívidas de sua própria emissão. No entanto, não significa que será tarefa fácil. Isso porque algumas companhias já estavam em situação delicada ou não tinham um bom relacionamento com o investidor, conforme informou reportagem do Valor.

Exemplo disso, é a InterCement que convocou assembleia para hoje (14), com o objetivo de postergar por 90 dias o desembolso da parcela anual do principal da debênture, no valor aproximado de R$ 200 milhões. Os debenturistas não gostaram muito da mudança. Pois, o pagamento seria depois do pagamento do bônus, invertendo a senioridade de recebimento do título.

Os investidores ainda questionaram a postergação da amortização anual, visto que a companhia deveria ter juntado os recursos durantes os últimos 12 meses e apenas nos últimos dois aconteceu a crise. A empresa rebateu afirmando que a medida visa assegurar a posição de caixa em meio ao coronavírus.

Segundo reportagem do Valor, a debenturista Polo Capital, propôs que o pagamento senha divido em três parcelas, em  abril, maio e junho. A contraproposta não afetaria a senioridade da debênture em relação ao bônus e promoveria flexibilidade de recursos à companhia.

“É razoável que as empresas se preocupem com o caixa, no entanto estamos falando sobre um adiamento integral de um pagamento anual, de recursos já separados para isso”, afirma Mariano Andrade, sócio da Polo Capital.

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“Quanto maior a benevolência dos credores para rolar dívidas, maior a chance do negócio sobreviver. E quem se beneficia disso é o acionista”, afirma. Nesse caso, ele diz, o credor fica sem “upside”, pois não a taxa não é elevada por conta do adiamento, “pois não é momento para onerar mais a companhia”, afirma.

Para Andrade, a contraproposta permite um meio termo, porque rentabiliza o investidor o credor e dá alguma flexibilidade à empresa.

Inbrands

Segundo Valor, a Inbrands convocou uma reunião com os debenturistas no dia 6 de abril. A companhia solicitou adiamento dos pagamentos previstos para abril, maio e junho. Ainda pediu dispensa temporária de um índice mínimo de garantia que está previsto em contrato de cessão fiduciária de recebíveis de cartão. E queria aval para realizar a antecipação de recebíveis em qualquer montante.

Mas não houve acordo, no dia 9 aconteceu nova assembleia, que autorizou a postergação do pagamento de abril para maio. Os debenturistas irão se reunir novamente com a empresa no dia 24.