Como ter renda no Tesouro IPCA com Juros Semestrais? Saiba mais

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Tesouro e BC mudam leilão de títulos

O Tesouro Direto trouxe, em 2021, muitos investidores de volta para a renda fixa. No acumulado do ano foi batido o recorde em número de investidores ativos, passando dos 1,7 milhão, alta superior a 25%.

No entanto, se por um lado, os investidores ganharam com o aumento dos juros, por outro, muitos sofreram com o impacto da alta na inflação.

Para fugir desse cenário de aumento generalizado dos preços, uma das modalidades entre os títulos públicos ganhou especial destaque: o Tesouro IPCA.

De acordo com informações do próprio Tesouro, o título IPCA foi o mais negociado entre todos os do programa, de modo que representou 43,6% das vendas no Tesouro Direto.

O que é o Tesouro IPCA com juros semestrais?

O Tesouro IPCA com juros semestrais é um investimento da renda fixa que possui parte de sua rentabilidade atrelada ao IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Outra parte é vinculada a uma taxa prefixada.

Além disso, ao aplicar seu capital no Tesouro com juros semestrais, o investidor recebe a cada seis meses os rendimentos. Ou seja, não é necessário esperar até o vencimento do título para receber seus juros.

Isso é conveniente para quem deseja complementar renda, por exemplo. Pois o capital fica investido ao mesmo tempo que rende frutos semestralmente.

Por exemplo, na data de 14 de janeiro de 2021 o Tesouro IPCA+ 2030 com juros semestrais oferecia rentabilidade anual de IPCA + 5,51%. Isso significa que, além da inflação do período, a aplicação renderia uma taxa fixa de 5,51% ao ano. Então, se a inflação subir, a rentabilidade do título subirá proporcionalmente. Caso contrário, o investidor garante, ao menos, a parte prefixada da aplicação.

Em relação à remuneração, o investidor recebe o cupom semestral nos dias 15 de maio e 15 de novembro se o ano de vencimento do título for ímpar. Se o título vencer em um ano par, o pagamento dos juros será feito nos dias 15 de fevereiro e 15 de agosto.

Tesouro IPCA com Juros Semestrais: vantagens e desvantagens

Um ponto de desvantagem nessa modalidade de investimento é a incidência dos impostos. A razão disso é que as faixas de tributação obedecem a tabela regressiva que são aplicadas aos investimentos de renda fixa.

Os impostos começam com uma alíquota de 22,5% e são aplicados a prazos de até seis meses. Entre seis meses e um ano, paga-se 20%. De um a dois anos, 17,5%. Por fim, 15% para prazos acima de dois anos.

Isso quer dizer que as maiores cargas tributárias irão incidir nos primeiros pagamentos semestrais. O que traz um impacto para o investimento. Perceba que além de não contar com os juros compostos (juros sobre juros), ainda há um desconto no rendimento.

Supondo que você tenha investido R$ 5 mil num título prefixado com juros semestrais e o primeiro cupom renda R$ 275,50, quando você recebe o pagamento líquido de impostos de 22,5%, ele se transforma em R$ 213,50.

Quando você reinveste este valor no mesmo título, você só terá juros em cima dos R$ 213,50. Entretanto, se tivesse deixado num título que remunera no vencimento, os juros iriam correr sobre o valor integral, sem desconto do imposto.

Porém, investir no Tesouro com juros semestrais pode ser uma ótima opção, a depender dos objetivos do investidor. Normalmente, eles são indicados para quem já tem patrimônio formado e está em fase de usufruto de renda. Afinal, há muitas pessoas que buscam um complemento para a aposentadoria, ou mesmo para fortalecer o orçamento mensal.