Como reduzir os riscos da carteira com rentabilidade?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Nos últimos meses, ocorreu uma deterioração no cenário econômico global, o que levou muitos investidores a buscarem alternativas para reduzir os riscos da carteira.

No entanto, existem atualmente diversos vetores de dúvidas que dificultam a escolha da estratégia para reduzir riscos com rentabilidade. Fatores como inflação e taxa de juros em alta, aumento do risco fiscal, desvalorização do real e eleições dificultam as projeções locais. Além disso, há também a alta das commodities, que atingem os mercados no mundo todo, impactando o custo da produção e contribuindo ainda mais para a alta da inflação.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

E o que fazer para reduzir os riscos da carteira com rentabilidade?

Sobre isso, conversamos com o assessor de investimentos e sócio da EQI, Elias Wiggers. A seguir, confira as principais orientações para administrar e reduzir os riscos da carteira sem sacrificar o retorno dos investimentos.

Inflação

Para Elias, as incertezas do cenário econômico global têm como principal motivo a inflação.

“A inflação pode levar os países desenvolvidos a fazerem um aperto nas políticas monetárias, coisa que o Brasil já está fazendo. Isso diminuirá a liquidez mundial, o que deverá prejudicar as economias emergentes, que são as primeiras a serem impactadas. Isso porque, com os juros externo aumentando em países desenvolvidos, há uma tendência de migração do capital para esses bons pagadores”, diz Wiggers.

No cenário interno, não é diferente. Ou seja, a piora da economia por aqui também deriva da inflação. Mais recentemente, as conversas sobre um furo no teto de gastos agravaram ainda mais esse problema. Nesse sentido, os mercados ficaram ainda mais receosos sobre a possibilidade de que o Brasil possa não honrar seus créditos. Além disso, o aumento do endividamento por aqui acende um alerta de maior risco, o que torna o financiamento da dívida brasileira mais caro ao longo do tempo. Tudo isso acaba atrasando bastante o desenvolvimento do país.

Crise na China

Soma-se a isso a questão da China, que impacta diretamente o mundo por ser a segunda maior economia. De acordo com Elias, “quando a China desacelera, há uma expectativa de que o mundo todo cresça menos, principalmente os países que têm grande dependência do comércio com a China. Na verdade, hoje o mundo todo tem, mas o Brasil tem na China o principal parceiro comercial. Dessa forma, acabamos sentindo mais ainda esses reflexos, o que trava um pouco mais o nosso cenário de crescimento.”

A saída é a diversificação

Em relação a reduzir os riscos da carteira, Elias é taxativo ao afirmar que não há uma fórmula mágica para que isso aconteça. Nesse caso, o que pode ajudar é a diversificação.

“Não dá para saber se amanhã ou depois a renda fixa continuará sendo a melhor opção. Atualmente, ela voltou a ser atrativa e, com a tendência de alta dos juros, essa realidade pode perdurar por mais dois ou três anos de boas taxas. Isso não significa que a renda variável tenha deixado de valer a pena. No entanto, hoje ela está mais complicada, pois, com tantas variáveis negativas, está mais difícil analisar as tendências. Por isso, a EQI tem indicado uma exposição menor em renda variável e uma concentração maior nas boas taxas da renda fixa”, diz o assessor.

Da mesma forma que o foco na renda fixa, a diversificação é muito importante nesse momento. No caso dos títulos de renda fixa, uma boa distribuição entre prefixados e pós-fixados de diferentes emissores é uma boa alternativa. Já na renda variável, é interessante focar em empresas boas pagadoras de dividendos, com bons fundamentos. Segundo Elias, não é um momento adequado para grandes apostas, e sim optar pelo mais seguro, sem grandes promessas de ganhos.

Na renda variável, fundos multimercados levam vantagem

De acordo com o assessor, os fundos multimercados acabam levando vantagem hoje se comparados a outros, como os de ações, por exemplo. Isso porque, nos multimercados, os gestores têm mais liberdade para fazer alocações mais diversificadas.

“Bonds de economias fortes e alguma coisa também de emergentes (para ganhar prêmio um pouco maior), créditos estruturados, debêntures, CRIs e CRAs, enfim, é diversificação que está ganhando o jogo”, conclui.

Cuidado com ativos defensivos

Por fim, Elias alerta para o cuidado ao buscar ativos historicamente defensivos para proteção da carteira, como ouro, dólar ou euro.

“Muita gente acha que, ao comprar 20% da carteira em ouro, por exemplo, conseguirá atenuar o risco. No entanto, isso não é verdade. Ao contrário, pode causar prejuízos se o cenário mais ameaçador não se concretizar. Nesse sentido, caso venham notícias melhores (como queda da inflação e juros estáveis nos países desenvolvidos) é provável que a gente veja um dólar mais fraco. Além disso, com a inflação menor, talvez o ouro volte a perder valor, pois está bem acima do preço de anos atrás.”

De acordo com Elias, não se trata de não colocar ouro e moedas estrangeiras na carteira. Ao contrário, esses ativos devem estar no portfólio, porém como estratégia de diversificação, e não tendo a proteção como prioridade.