Como o endividamento, recessão e reforma incerta influenciam nota da S&P

Marcello Sigwalt
null

Crédito: Wikipedia

Endividamento público, recessão e incerteza das reformas foram os fatores que mais pesaram na decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S & P), que anunciou nessa terça-feira (7) a redução de positiva para estável a nota de risco do país, para os próximos dois anos.

Em comunicado ao mercado, a agência atribuiu a “três principais pontos” a redução da nota brasileira.

PIB em queda

O primeiro ponto é a “queda da projeção do Produto Interno Bruto” (PIB), devido à pandemia do coronavírus, seguido pela “elevação de gastos governamentais para o combate à doença” e o “aumento da incerteza de aprovação das reformas estruturais, devido a desentendimentos entre Executivo e Legislativo”.

Sem calote

A nota BB, concedida pela Standard & Poor’s ao Brasil, no entanto, é uma garantia de que não há risco de o Brasil dar calote na dívida pública.

Silêncio oficial

O governo, por seu turno, preferiu não se pronunciar sobre o assunto, segundo fontes do Ministério da Economia.

Enquadramento antigo

Desde 2018, a agência vem enquadrando o país em três níveis abaixo do grau de investimento, a mesma nota dada pela Fitch, outra agência de classificação de risco. Um pouco melhor é a posição brasileira perante a Moody’s, somente dois degraus abaixo do grau de investimento.

Movimento natural

O assessor de investimentos do EQI, André Arant, entende que “esse é um movimento natural porque a gente vai ter um endividamento maior, que vai chegar a 90% (dívida pública em relação ao PIB), por conta dos gastos explosivos na área previdenciária com a crise”.

Ao prever que “vamos gastar, de uma só vez, o que gastaríamos em dez anos”, o assessor da EQI lembra que a recuperação da economia nacional estava apenas em seu início.

Perspectiva negativa

“O Brasil estava começando a sair da crise, com um crescimento ainda não robusto. Todos esses fatores dão uma perspectiva negativa para o nosso rating (do país)”, completa.

Pensamento semelhante tem o também assessor de investimentos da EQI, Paulo De So, para quem a previsão de muitos economistas é de uma queda de 4% do PIB este ano.

Gastos explosivos

“Com a crise da pandemia, cai a arrecadação, mas também deve aumentar o endividamento  interno do país, mediante os gastos públicos que serão necessários para preservar os empregos e manter a atividade econômica”, explica Paulo.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

“Mas isso cria um problema de longo prazo para o Brasil”, acrescenta De So, ao comentar a vigência da perspectiva bienal da validade da nota da S & P.

Reformas já

Fazendo eco as palavras de Arant, De So entende que a conclusão das reformas estruturais é ponto-chave para o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, para a redução da trajetória de expansão da dívida pública.

Sem interesse

Já o sócio de análise Wisir Research, Filipe Teixeira, admite que a decisão da agência “pesa para o ambiente de negócios, uma vez que o investidor estrangeiro, já sem interesse pelo spread (diferencial entre as taxas de juros interna e externa), não vê motivo para continuar no curto prazo”.

“Tão logo o risco da covid-19 seja dissipado”, continua o sócio da Wisir, “esse investidor poderá voltar a aplicar seus recursos em um mercado emergente que lhe ofereça melhores condições de negócios”.

Aperto maior

Quanto às perspectivas das reformas, Teixeira entende que a agenda delas “já estava apertada” e deve ficar ainda mais, com o aprofundamento do desgaste entre o Executivo e o Legislativo, tendo como pano de fundo as eleições municipais de outubro, quando cessam as atividades parlamentares.

Deveres de casa

Segurança jurídica e a normalização de relações entre os poderes estão entre os “deveres de casa” urgentes que devem ser colocados em prática, condição para a aprovação das reformas estruturais, por meio de um “pacto político”, assinala Teixeira.

Ele acrescenta que “esse é o anseio, não só da equipe econômica, mas do país, para que haja condições de resolver, “de forma sustentável o seu grave quadro fiscal”.

Pra que serve o rating?

O rating (ou risco) é uma referência usada por investidores na tomada de decisão para suas aplicações e para definir o quanto devem cobrar de juros para compensar futuros riscos maiores.

Quais são os fatores

Entre os fatores que mais influenciam na formulação da nota, destaque para o índice de reservas internacionais, solidez da economia e estabilidade política.

Quem avalia?

As principais agências de classificação de risco são a Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch Ratings, que respondem por três quartos do mercado global de avaliações de risco.

Símbolos

Os ratings levam em conta escalas usadas pelas agências, que podem empregar, de sinais matemáticos (+ ou -) a letras, que vão de ‘D’ (nota mais baixa) a ‘AAA’ (nota mais alta).

Técnicas quantitativas

Para fazer a definição da nota de risco, as agências incluem técnicas quantitativas, como análise de balanço, fluxo de caixa e projeções estatísticas, além de análises de elementos qualitativos, como ambiente externo, questões jurídicas e percepções sobre o emissor da dívida e seus processos.

(Fonte site Uol)