Money Week: como montar uma carteira de ações equilibrada

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Carteira de ações

Como montar uma carteira de ações equilibrada? O que é importante ao se escolher a ação de uma empresa? Investir em ativos estrangeiros faz sentido para iniciantes? Essas e outras perguntas foram respondidas nesta quarta-feira (24) em uma das lives da MoneyWeek.

Betina Roxo, estrategista de ações e sócia da XP Inc, e Marjoel Moreira, fundador do Análise de Ações, foram entrevistados pela jornalista Fabiana Panachão e pelo CEO da EQI Investimentos, Juliano Custodio.

Veja a entrevista na íntegra, clique aqui!

Betina é responsável pelo setor de alimentos e bebidas e faz análise de bolsa. Sua missão, ela resume, é fazer um trabalho investigativo sobre as empresas, concorrentes e setores para ajudar na escolha do melhor papel.

Marjoel é engenheiro de software e criador do perfil Análise de Ações no Instagram, que hoje tem mais de 330 mil seguidores. O objetivo do canal é levar informação descomplicada e simples para o investidor.

Primeira dica dos dois na hora de montar uma carteira: conhecer a empresa em que se vai investir. “E não só a empresa, mas também seus concorrentes, o setor, o mercado”, diz Betina. “É preciso tempo, muito estudo, e até por isso ter uma assessoria é tão importante.”

O criador do Análise de Ações diz que costuma olhar, ainda, a lucratividade nos últimos cinco anos, endividamento e governança, como os gestores se comportam.

MoneyWeek sobre carteira de ações

Fabiana, Marjoel, Betina e Custodia debatem na MoneyWeek

É hora de comprar?

“Nesse período de pandemia, tenho recebido muitas perguntas sobre que ações estão boas para se comprar. E uma primeira dica que dou é: se você estivesse em crise, o que cortaria primeiro e o que manteria?” Essa comparação, segundo ele, pode ajudar a definir o que é um bom papel agora.

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Por sua vez, a estrategista da XP reforça que o mercado financeiro nem sempre reflete a economia real. “As companhias de capital aberto são, em geral, muito bem posicionadas e líderes em seus setores”, diz. “Mesmo empresas que foram impactadas agora, como as de varejo, devem continuar crescendo no futuro. Não vamos ficar em quarentena para o resto da vida.”

Segundo Betina, é preciso observar quais delas estão se reinventando, quais têm possibilidade de crescer no longo prazo e têm saúde financeira para enfrentar os desafios no curto prazo.”

Além disso, é importante ter em mente que o mercado trabalha muito com expectativa e que os investidores antecipam o que pode acontecer com as empresas. Foi o que se viu quando países começaram a reabrir suas economias após a quarentena.

Para mais dicas sobre em que ações investir para diversificar sua carteira, acesse aqui.

Setor aéreo desperta curiosidade

Questionados sobre empresas aéreas, Betina Roxo levantou alguns desafios do setor e explicou por que elas não aparecem na carteira recomendada da XP.

“Além do impacto da queda de demanda, essas companhias têm seus custos em dólar, o que é um risco adicional.” Há ainda outras incertezas sobre como se darão as viagens no mundo pós-pandemia.

“Aéreas são empresas que têm muita dificuldade de gerar lucro. É mais fácil começar com empresas que têm números mais consistentes, mais sólidos”, complementou Juliano Custodio.

Diversificação de carteira

Será que existe uma composição ideal de carteiras? Um número mágico de empresas para se investir e qual a participação de cada uma? Difícil dar uma resposta padrão, dizem os entrevistados. Tudo depende do perfil do investidor.

Não é recomendado, por exemplo, manter 100% da carteira com ações mais arriscadas. A participação do setor no Ibovespa também pode dar um pista.

Os bancos representam cerca de 30% do índice, por exemplo.

“Também não adianta ter 20 ações e uma delas ter peso de 50%”, diz Betina. “É importante aliar quantidade e representatividade.”

Small caps podem apresentar mais oportunidade de crescimento, mas também representam maiores riscos, diz Marjoel. Essas empresas menores também são pouco líquidas. Uma recomendação pode mexer muito com o preço da ação e a variação não ter nada ver com fundamento.

Ações gringas são boas opções?

Primeiro, é interessante que o investidor esteja seguro em investir no mercado doméstico para depois ir pescar oportunidades lá fora.

Mas de fato está mais fácil e instigante ter ações de estrangeiras na carteira. É possível fazer isso por meio de fundos internacionais, lembra Betina. “No Brasil, por exemplo, o setor de tecnologia é apenas 2% do Ibovespa, já nos EUA é muito mais relevante.” O principal, sempre, é balancear a carteira.