Como investir na bolsa com Capital Protegido?

José Vitor Reginato
Colaborador do Torcedores

Crédito: Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By sarawutnirothon

Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By sarawutnirothon

Você já deve ter ouvido falar que nos últimos meses a bolsa brasileira vem em crescente ascensão, ultrapassando diversas vezes a sua alta histórica, e tornando-se cada vez mais uma excelente oportunidade de investimento. Somado a isso, o mercado nacional aquecido com a troca de governo, mantém a taxa de juros estagnada, prejudicando os investimentos de renda fixa.

Nesse momento, o investidor mais conservador, em busca de alternativas para rentabilizar seu capital, sente vontade de entrar no promissor mercado de renda variável, mas junto com essa vontade, vem a insegurança de investir em renda variável e aquele medo de perder patrimônio. É justamente pensando nisso, que algumas operações foram criadas.

Os Certificados de Operações Estruturadas, mais conhecidos como COEs, são investimentos que atrelam a possibilidade de investir em renda variável e a segurança de não perder capital.

Para melhor explicar esse investimento, os separei em duas partes:

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  • Modalidades, onde mostrarei os tipos de COEs existentes;
  • Estrutura, onde irei explicar, de uma forma simplificada, como essa operação é montada.

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Modalidades

Os COEs são divididos em categorias, e aqui estão citadas as três principais, todas elas com capital protegido.

Autocallable

O COE Autocallable é um tipo de investimento baseado em uma “cesta de ações” e com encerramento automático. Esse COE tem, geralmente, prazo de aplicação entre dois e cinco anos e janelas de observações trimestrais, semestrais ou anuais.

Como funciona o encerramento automático e o que são essas janelas de observação?

Uma resposta está diretamente relacionada com a outra, pois as janelas de observação são datas onde as ações que constituem o investimento são observadas. Se todas elas estiverem com preço igual ou superior ao preço que estavam na data de início do COE, ele é automaticamente encerrado e você ganha a rentabilidade estipulada, equivalente ao período de aplicação.

Por exemplo: imagine um COE Autocallable de cinco anos com janelas trimestrais, rentabilidade estipulada de 4% ao trimestre e o preço das ações, no início do investimento é R$ 10,00 cada.

Para esse investimento, teremos três cenários:

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  • Considerando que na data de observação, todas as ações estão com preço igual ou superior a R$ 10,00. COE encerrado e rentabilidade no seu bolso.
  • Considerando que na data de observação, pelo menos uma das ações está com preço inferior a R$ 10,00. COE continua e passa para a próxima observação.
  • Considerando que na data da última observação, pelo menos uma das ações está com preço inferior a R$ 10,00. O COE é encerrado, e você têm o seu capital investido de volta.

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Se o encerramento ocorrer na primeira janela, nesse nosso exemplo, você terá um retorno de 4%. Se for na segunda janela, o retorno será de 8%. Se for na terceira, o retorno será 12%, e assim sucessivamente, até chegarmos na última janela, onde teremos o maior retorno ou o capital protegido de volta.

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Essa modalidade de COE é muito interessante, pois quanto mais tempo ele demorar para encerrar, maior o seu retorno. Por outro lado, o encerramento antecipado é reflexo de um bom momento do mercado, e faz com que você tenha capital disponível para aproveitar esse bom momento.

Rentabilidade garantida

Esse COE, geralmente, tem prazo de aplicação entre três e cinco anos, não permitindo resgate antecipado, ou seja, você só receberá o seu capital na data final do investimento.

A aplicação é realizada em um ativo-objeto, como por exemplo, petróleo, dólar, índices de bolsa, entre outros. Ele oferece uma rentabilidade garantida ao investidor, determinada no início da aplicação e somada a valorização do ativo.

Por exemplo: supondo que o investidor aplicou R$ 100.000,00 em um COE Rentabilidade Garantida, que tem como base o ativo-objeto petróleo e rentabilidade garantida de 23% em cinco anos.

Teremos dois cenários:

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  • Considerando que ao final do período de cinco anos, o petróleo teve valorização de 100%, então a rentabilidade do investidor será 100% (petróleo) + 23% (rentabilidade garantida), totalizando 123% do valor investido, dando um retorno de R$ 223.000.
  • Considerando que ao final do período de cinco anos, o petróleo sofreu uma desvalorização, então, a rentabilidade do investidor não sofrerá a influência do ativo-objeto e será de 30% do capital investido, referente à rentabilidade garantida pré-estipulada. Ou seja, ao final dos cinco anos, o investidor terá um capital equivalente a R$ 130.000,00.

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Esse investimento assemelha-se muito a um investimento prefixado em renda-fixa, com o diferencial de ter uma rentabilidade extra referente a possível alta do ativo-objeto ao qual está atrelado.

Alta alavancada

O COE alavancado, assim como o anterior, não pode ser resgatado de forma antecipada e também tem como base, um ativo-objeto, porém, a remuneração ao investidor se dará com uma alta alavancada em relação a alta do ativo, estipulada previamente. Ou seja, ao invés de possuir um retorno fixo pré-estipulado, o que temos é a alta do ativo-objeto, multiplicado por um fator.

Por exemplo: baseado em um investimento de R$ 100.000,00 em um COE Alta Alavancada, atrelado ao ativo-objeto petróleo, com cinco anos de aplicação e rentabilidade alavancada de 3,3 x.

Também teremos dois cenários:

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  • Considerando que ao final do período de cinco anos, o petróleo teve uma alta de 40%, então, o investidor terá um retorno de 30% x 3,3, totalizando em 99% do capital investido. Ou seja, retorno de R$ 199.000,00.
  •  Considerando que ao final do período de cinco anos, o petróleo sofreu uma desvalorização, então, o COE não sofrerá influência do ativo-objeto e o investidor terá o retorno do seu capital investido, de forma integral. Ou seja, R$ 100.000,00.

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Estrutura

Nesse momento, você deve estar se perguntando:

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  • Como é possível investir em bolsa, ter uma rentabilidade e ainda não ter risco de perder capital, certo?
  • Quem emite esse tipo de operação?
  • Se eu ganhar, o emissor dos COEs perde?

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Bom, os COEs, de uma forma geral, são operações estruturadas por instituições bancárias, em sua grande maioria americanas. Grandes bancos, como o Morgan Stanley e o JP Morgan, são os principais responsáveis pelos COEs disponíveis no nosso mercado.

Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By Rawpixel

Se você ganhar com o investimento, o banco não irá perder, da mesma forma que ele não irá ganhar se você não ganhar. O banco emissor não torce contra você. O real ganho desses emissores de COEs está no fato de ter o controle sobre o capital que você irá investir, durante o período da aplicação, podendo utilizá-lo da forma que achar melhor.

Quanto à estrutura do COE, o que podemos afirmar é que ela é extremamente complexa e seria necessário se aprofundar em uma estrutura em específico para entender toda a carteira de investimentos que é montada para atingir o objetivo em questão. Cada COE possui em sua estrutura ativos que dependem da capacidade e criatividade do emissor para criá-lo.

É importante saber no que estamos investindo, então, para fins de conhecimento, irei transmitir de uma forma genérica como se comporta a estrutura dos COEs, dividindo em duas partes.

Começaremos com a parte mais simples, porém, a que gera a maior desconfiança nos investidores.

Como o banco faz para garantir o capital investido?

Esse mecanismo é possível pois o banco emissor do COE investe o seu capital em um ativo de renda fixa do próprio banco.

Por exemplo: digamos que você irá investir R$ 100.000,00 em um COE com duração de cinco anos em um determinado banco. Esse banco possui em seu portfólio, um CDB prefixado com prazo de cinco anos e rentabilidade de 10% ao ano. O valor presente dessa operação é de R$ 62.092,13, que em cinco anos, valerá R$ 100.000,00, garantindo o capital.

E como funciona o restante da estrutura do COE?

Muito bem… Quando você adquire um COE, o banco faz essa aplicação em renda fixa, que garante o capital, e o saldo restante está livre para fazer as operações que, de fato, impactam no investimento. Seguindo no nosso exemplo, com investimento inicial de R$ 100.000,00, o banco utilizou R$ 62.092,13 para garantir o seu capital e sobrou R$ 37.907,87 que será utilizado para aplicar em derivativos, contratos futuros, opções e todos os demais mecanismos necessários para que a estrutura dê certo.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By Maciejbledowski

Se você já teve a oportunidade de investir em um COE ou apenas pesquisou algumas das opções, certamente reparou que a maioria desses certificados, possui aplicação no exterior. Isso se deve, porque a volatilidade dos ativos lá é menor em relação a volatilidade no Brasil, e baixa volatilidade torna as opções mais baratas, possibilitando a aquisição de mais opções.

Com mais opções na estrutura, quando o ativo-objeto de um COE sobe, a rentabilidade dele é muito maior.

Outro fator que impacta muito na rentabilidade dos COEs, é a renda fixa utilizada para garantir o capital, pois quanto maior a rentabilidade que ela apresenta, menos capital é gasto e, consequentemente, mais capital sobra para investir nos ativos que turbinam a estrutura.

E é dessa maneira que conseguimos investir em renda variável, com o capital protegido. O que é importante saber, é que esse tipo de aplicação sofre a incidência de imposto de renda, o qual funciona com a tabela regressiva, da mesma forma que as aplicações de renda fixa:

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  • 22,5% nos seis primeiros meses;
  • 20% entre seis e 12 meses;
  • 17,5% entre 12 e 24 meses,
  • 15% a partir de 24 meses.

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É de extrema importância sempre ler o prospecto dos COEs, documento que contém todas as informações que você precisa saber sobre o investimento.

O que fazer agora

O primeiro passo sempre será conhecer seus limites, sua tolerância a risco. Não entender seus próprios limites pode levá-lo a tomar as piores decisões com seus investimentos.

Por este motivo, sugerimos que todo investidor - experiente ou iniciante - conheça seu perfil. Se busca obter ganhos mais altos aceitando certa volatilidade ou se prefere maior segurança com retornos garantidos.

Entender mais profundamente o seu perfil como investidor e seus objetivos quanto a prazos de investimentos é uma tarefa um pouco mais sofisticada. É preciso considerar histórico como investidor, fatores pessoais e até profissionais que um teste da internet não considera.

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O primeiro passo é uma conversa de 5 a 10 minutos com um membro da nossa equipe para levantar as primeiras informações e então agendar a conversa com um especialista no mercado de Investimentos.

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