Como Investir em Renda Fixa: O Guia

Os investimentos em renda fixa estão entre os mais procurados pelos investidores iniciantes ou mesmo por aqueles que desejam diversificar um pouco a sua carteira e, para isso, buscam por aplicações que tragam segurança e estabilidade.

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

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Diferentemente dos investimentos em renda variável, na renda fixa você já sabe ou tem uma prévia da sua rentabilidade logo no momento em que adquire um título, que pode ser emitido por alguma empresa ou pelo governo.

Justamente por conta dessa rentabilidade previsível é que muitos investidores apostam na renda fixa como uma maneira de criar uma reserva de emergência ou para ter uma base de patrimônio antes de partir para investimentos mais arriscados como a Bolsa de Valores.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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Se você deseja investir em renda fixa, saiba que o primeiro passo é justamente esse que você está dando ao ler este artigo, ou seja: buscar conhecimento.

Após a leitura deste guia você saberá tudo sobre como investir em renda fixa e estará pronto para aproveitar as vantagens desse tipo de aplicação. Vamos lá?!

O que é a renda fixa?

A renda fixa é uma modalidade de investimento em que você consegue saber ou prever a rentabilidade logo no momento da contratação.

Normalmente, essa rentabilidade tem como base algum índice de referência, que pode ser a inflação (IPCA) ou o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é a base para a grande maioria desses produtos.

Ao adquirir um título de renda fixa você está, na realidade, emprestando dinheiro para a instituição emissora que, em troca, devolverá o seu dinheiro acrescido de juros no futuro.

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O dinheiro captado servirá para financiar os mais diversos projetos dessa instituição, como o pagamento de dívidas ou o desenvolvimento de novos projetos.

Isso é bom para a economia do país, pois faz com que as empresas possam crescer cada vez mais, gerar mais empregos e, consequentemente, gerar mais riqueza para a população.

O investidor também se beneficia nessa relação, pois pode ver o seu patrimônio crescer cada vez mais ao receber os juros de suas aplicações ou negociá-las no mercado.

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Como funcionam os investimentos em renda fixa

Investir em renda fixa é algo muito simples, contudo, é preciso que você conheça o processo antes de adquirir algum dos produtos desse seguimento.

Como falamos, anteriormente, ao adquirir um título de renda fixa você está, na realidade, emprestando o seu dinheiro para uma empresa ou mesmo para o governo, como é o caso do Tesouro Direto.

A rentabilidade desse título pode ser definida de duas maneiras: prefixada ou pós-fixada. Na primeira, você saberá no momento da contratação qual será a rentabilidade do seu título no momento do seu vencimento/resgate.

Já na segunda, você contará apenas com uma previsão de quanto poderá ganhar no momento do resgate do título, contudo, esse valor pode variar ao longo do tempo da aplicação para mais ou para menos.

Há, também, investimentos em renda fixa que são híbridos, ou seja, contam com parte do rendimento prefixado e parte pós-fixado. Esses são os melhores investimentos para quem deseja obter um ganho real, pois, em regra, o retorno desses títulos é acima da inflação do país.

Vantagens e desvantagens de investir em renda fixa

Assim como todos os demais investimentos que existem no mercado, na renda fixa você também precisará analisar as vantagens e desvantagens que envolvem a aplicação.

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Abaixo listamos alguns dos principais pontos para facilitar a sua análise. Confira:

Vantagens

  • Rentabilidade: como o retorno de um investimento em renda fixa é mais estável e recorrente, isso significa que são ideais para quem deseja formar seu patrimônio ou viver da renda que ele proporciona.
  • Segurança: a maior parte dos produtos de renda fixa disponíveis no mercado são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e são considerados tão seguros quanto a poupança. Essa garantia significa que, caso a instituição emissora decrete falência, seus investimentos de até R$ 250 mil (por CPF e por instituição financeira) estarão garantidos e você não perderá o dinheiro investido.
  • Praticidade: a maior parte dos investimentos em renda fixa estão acessíveis via Internet por meio das corretoras de valores. Isso significa que você não precisará sair de casa para investir o seu dinheiro e ainda pode acompanhar o seu rendimento direto de um dispositivo com acesso à internet. Além disso, uma vez que você adquire um título de renda fixa não há mais nada a ser feito, pois basta aguardar a data do resgate e retirar o retorno do investimento.
  • Acessibilidade: é possível investir em renda fixa a partir de R$ 30,00, ou seja, não há a necessidade de que você já tenha um grande patrimônio para começar nessa modalidade.
  • Diversidade: existem diversos produtos diferentes na renda fixa e cada um deles se adequa a um perfil de investidor e a planos diferentes.
  • Liquidez: a maior parte dos títulos de renda fixa são dotados de boa liquidez, uma vez que são bastante procurados. Além disso, alguns títulos entre CDBs e o Tesouro Direto ainda contam com liquidez diária, ou seja, você poderá resgatar o valor investido a qualquer momento, o que é ideal para formar uma reserva de emergência.
  • Isenção tributária: entre os produtos de renda fixa existem alguns que são isentos de tributação. Esse é o caso, por exemplo, das LCIs, LCAs e das debêntures incentivadas, que contam com a isenção do imposto de renda. A maior vantagem disso é que o seu rendimento poderá ser maior, uma vez que o “leão” não levará parte do dinheiro que foi investido.

Desvantagens

  • Prazo de carência: por serem ativos voltados para a construção de patrimônio, alguns investimentos em renda fixa contam com um prazo de carência, o que impede o seu resgate antecipado sem que você precise pagar multas ou perca parte do valor investido. Contudo, isso não vale para todos, ou seja, também existem produtos com prazos de carência menores em que você não terá esse tipo de problema.
  • Taxas: a maior parte dos investimentos de renda fixa são tributados pelo Imposto de Renda e/ou IOF, além de contarem com uma taxa de custódia que é cobrado pela instituição responsável pelo título. Falaremos um pouco mais detalhadamente sobre essas taxas a seguir.

Vale lembrar que essas desvantagens citadas acima são comuns à maioria dos investimentos, ou seja, sempre existirá algum tributo ou taxa a ser descontado do rendimento da aplicação, portanto, cabe a você avaliar e escolher os produtos que ofereçam a melhor relação de rentabilidade real, isto é, o resultado do rendimento bruto menos as taxas.

Escolher o melhor investimento nem sempre é tão fácil, principalmente se você quer começar a investir. Por esse motivo, recomendamos que você leia o artigo escrito pelo CEO da EuQueroInvestir, Juliano Custódio, sobre os melhores investimentos para 2019.

Se ainda assim restar alguma dúvida você pode contar com a ajuda profissional de um dos nossos assessores de investimentos, pois estão prontos para a te ajudar a montar uma excelente carteira de investimentos compatível com os seus planos e objetivos.

Quais os tipos de investimento em renda fixa

Os títulos de renda fixa são divididos em categorias conforme a sua rentabilidade. Essas categorias são: títulos prefixados, títulos pós-fixados e títulos híbridos.

É importante que você conheça bem o título em que irá investir para evitar qualquer tipo de problema e, também, para que você possa atingir os seus objetivos como investidor.

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Conheça agora as principais características de cada um dos tipos de investimentos em renda fixa:

Títulos prefixados

Como o próprio nome já deixa entender, os títulos prefixados são aqueles em que o investidor já conhece a rentabilidade final desde o início da aplicação, pois trata-se de uma rentabilidade fixa.

A principal vantagem de se investir em títulos prefixados é que você evita surpresas no momento em que for realizar o resgate da aplicação, o que é ideal para investidores com perfil mais conservador e que não abrem mão da segurança, como as pessoas que ainda investem na poupança.

Os títulos prefixados são vantajosos quando a economia dá sinais de que os juros irão se manter baixos ou que sofrerão uma queda em breve. Além disso, esses títulos também são indicados para quem busca resgatar um valor certo no futuro.

Títulos pós-fixados

A principal característica dos títulos pós-fixados é que o investidor não tem como saber o rendimento de sua aplicação no momento da contratação, pois ela pode variar de acordo com o comportamento de algum indexador da economia, tal como a taxa Selic, a CDI ou o IPCA.

No entanto, vale destacar que essa não é uma modalidade de investimento em renda variável, pois são coisas totalmente diferentes.

Na realidade, os títulos pós-fixados garantem ao investidor apenas uma previsão de quanto o seu dinheiro poderá render até a data do vencimento, pois isso irá depender da variação do indexador ao qual o título está atrelado.

Esses títulos são bastante recomendados quando o mercado mostra sinais de que as taxas de juros subirão. Além disso, também são recomendados para quem busca obter ganhos mais próximos ao principal índice da renda fixa, que é o CDI.

Títulos híbridos

A modalidade híbrida dos títulos de renda fixa é bastante interessante para aqueles que buscam garantir o poder de compra do seu dinheiro e, também, obter alguma rentabilidade.

Isso porque parte do rendimento desses títulos é prefixada, já outra parte é pós-fixada com base em algum indexador da economia. Exemplo: 5,0% + IPCA.

Nesse sentido, ao fazer o resgate do título você irá receber os 5,0% do título e o valor referente ao IPCA. Caso o indexador tenha uma alta, o seu rendimento aumenta, mas caso tenha uma baixa, então é possível que o rendimento seja menor.

No entanto, os 5,0% contratados no início do plano não sofre nenhum tipo de variação.

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Principais investimentos em renda fixa

O mercado conta com uma série de produtos de renda fixa dos quais podemos destacar:

  • Tesouro Direto;
  • CDB (Certificado de Depósito Bancário);
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliária) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio);
  • Debêntures;
  • Letras de Câmbio;
  • CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio); e
  • Letra Financeira.

Cada um desses produtos conta com características específicas e rendimentos variados que podem atingir valores bem superiores a 100% da CDI.

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Renda fixa e renda variável: qual é a diferença?

Os iniciantes no mercado de investimento costumam ficar em dúvida entre investir em renda fixa ou em renda variável.

Entre as principais diferenças entre esses dois tipos de investimentos está a rentabilidade, pois na renda fixa é mais estável enquanto na renda variável há uma maior instabilidade.

Na prática, isso significa que na renda fixa você saberá ou terá uma boa noção do quanto irá receber de rendimentos ao final da aplicação. Já na renda variável não há como ter essa previsão, ou seja, em um mês você poderá receber um belo rendimento de 10% e no outro poderá amargar um prejuízo de 5%, por exemplo.

Outro fator determinante entre esses investimentos é o risco envolvido. Enquanto na renda fixa esse risco é próximo de zero, na renda variável o risco é bem maior.

É por esse motivo que é muito importante que você faça um teste de perfil de investidor antes de começar a investir. Dessa forma é possível garantir melhores escolhas de acordo com a sua sensibilidade ao risco.

Vale lembrar que os investimentos em renda fixa costumam acompanhar o mercado de uma forma mais constante, ou seja, neles há menos chances de que você perca dinheiro no caso de oscilações na economia causadas por decisões políticas ou econômicas.

Assim, de uma forma geral, os especialistas em investimentos costumam indicar os produtos de renda fixa para quem está iniciando ou para pessoas que possuem um perfil mais conservador e, portanto, menor resistência ao risco.

Já os investimentos em renda variável são mais voltados para investidores mais experientes ou pessoas que têm um perfil mais arrojado, ou seja, sabem que correm o risco de ganhar ou perder muito dinheiro.

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Quanto rendem os investimentos de renda fixa?

O rendimento dos investimentos em renda fixa pode variar de acordo com o tipo de investimento escolhido, mas, no geral, a principal referência desses produtos é uma taxa conhecida como CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Em regra, o que a maior parte dos investidores procura é algum produto que renda pelo menos 100% da CDI, no entanto, esse percentual pode variar de acordo com uma série de fatores.

Aplicações mais conservadoras como alguns tipos de CDBs podem render algo próximo a 90% da CDI, no entanto, há CDBs emitidos por bancos menores que podem atingir rendimentos superiores a 120% da CDI.

Assim, é importante que você observe sempre esse indicador ao investir em renda fixa.

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Vale lembrar que os grandes bancos do mercado não costumam oferecer produtos de renda fixa que pagam algo próximo da CDI, pois esse tipo de rentabilidade é encontrada mais comumente em corretoras de investimentos.

Também é por meio das corretoras de investimentos que os bancos menores costumam negociar suas CDBs.

No Tesouro Direto também é possível encontrar títulos que contam com rendimentos bem próximos a 100% da CDI ou até maiores. É o caso, por exemplo, do Tesouro IPCA+, que pode render bem mais que a CDI.

No entanto, vale lembrar que no mundo dos investimentos, o retorno de uma aplicação está intimamente ligado a três fatores: segurança, prazo e liquidez. Assim, quem investe no Tesouro IPCA+ pode acabar abrindo mão do prazo e da liquidez para atingir um resultado melhor.

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Custos e taxas para aplicar em renda fixa

Assim com todos os demais tipos de investimentos, os produtos de renda fixa também contam com os seus custos.

Antes de começar a investir é importante que você leve em consideração esses custos com impostos e taxas para saber qual é a rentabilidade real que pode ser obtida com cada tipo de aplicação.

Conheça, abaixo, os principais custos associados aos investimentos de renda fixa:

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)

Os produtos de renda fixa contam com a incidência do IOF apenas se forem resgatados antes de 30 dias.

Nesse sentido, é importante que você tenha isso em mente ao aplicar o seu dinheiro em algum produto de renda fixa, pois o ideal mesmo é manter o título pelo maior tempo possível, de preferência até o seu vencimento.

Imposto de Renda

Grande parte dos investimentos em renda fixa contam com a incidência do IR, contudo, há algumas modalidades isentas como as LCIs e LCAs.

A cobrança desse tributo tem como base uma alíquota regressiva, que varia de acordo com o tempo da aplicação. Confira na tabela abaixo:

Prazo

Alíquota

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15%

Taxa de custódia

Os investimentos no Tesouro Direto contam com uma taxa de custódia estipulada pela B3 (antiga BMF&Bovespa).

Essa taxa é cobrada semestralmente e somava 0,30% ao ano. No entanto, a boa notícia é que desde o dia 1º de janeiro de 2019 essa taxa de custódia caiu para 0,25%, o que aumentou a rentabilidade dos títulos para quem investe no Tesouro Direito.

Como investir em renda fixa com segurança

As aplicações em renda fixa são consideradas bastante seguras, uma vez que a maioria delas conta com a garantia fornecida pelo FGC.

A poupança sempre foi a queridinha dos brasileiros, pois é um tipo de investimento de renda fixa que conta com grande liquidez e segurança, contudo, justamente por isso tem um dos piores rendimentos do mercado.

Assim, se você busca deixar de lado a velha poupança em busca de resultados melhores, os produtos de renda fixa certamente são a melhor opção.

Confira algumas dicas importantes antes de começar a investir em renda fixa:

  • Procure uma corretora de investimentos de confiança: nos grandes bancos é difícil encontrar produtos de renda fixa com bons rendimentos, portanto, o ideal é que você busque uma corretora de investimentos que seja reconhecida no mercado como a XP Investimentos antes de iniciar suas aplicações;
  • Verifique se o produto escolhido é garantido pelo FGC: alguns produtos de renda fixa envolvem um certo risco de mercado, como é o caso das debêntures. Assim, se a empresa que emitiu o título tiver problemas, isso pode comprometer a sua rentabilidade. Nesse sentido, se você não está disposto a correr esse risco, o ideal é buscar um produto que seja garantido pelo FGC, pois isso garante que você não perderá dinheiro em caso de insolvência da instituição emissora do título;
  • Diversifique a sua carteira: aquela máxima da sabedoria popular de não colocar todos os ovos na mesma cesta se encaixa perfeitamente no mundo dos investimentos. Isso porque ao investir todo o seu capital em apenas um tipo de aplicação você pode acabar deixando de ganhar muito dinheiro ou até mesmo perdendo parte desse capital. É por esse motivo que a diversificação é muito importante, inclusive quando se trata de renda fixa. Assim, a dica é sempre investir em diferentes aplicações para ter mais rentabilidade e liquidez em sua carteira.

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Conclusão

Os investimentos em renda fixa são uma ótima opção para quem está iniciando ou para aquelas pessoas que desejam ter retornos estáveis e recorrentes.

Especialistas apontam que todos os investidores, até mesmo os mais arrojados, devem ter em sua carteira pelo menos algumas aplicações desse tipo, pois permitem garantir parte do patrimônio adquirido com o passar dos anos.

Antes de iniciar nesse mercado é importante que você analise os principais benefícios e custos dos produtos de renda fixa, além de outros fatores muito importantes como o rendimento, o prazo de vencimento e a liquidez de cada título.

Dessa maneira é possível fazer o seu dinheiro render mais para que você possa realizar todos os seus objetivos e sonhos.