Como escolher uma ação? Conheça os critérios de valor e crescimento

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Muita gente está entrando na bolsa de valores para conseguir uma rentabilidade mais interessante, em meio à redução da taxa Selic. Mas antes de montar a sua carteira de investimentos em ações, é importante saber que existem dois tipos diferentes de ações na bolsa: as ações de valor e as ações de crescimento.

A escolha por uma delas vai depender de quais são os seus objetivos ao investir no mercado acionário. Confira como funciona e alguns exemplos desses tipos de ativos na bolsa brasileira:

Ações de crescimento

As ações de crescimento são aquelas que atraem os investidores pelo seu potencial futuro. Ou seja, por aquilo que ainda vão se tornar. Em geral, empresas com esse perfil atuam em mercados que crescem, com demanda cada vez maior de seus produtos e serviços.

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Além disso, são empresas com potencial para serem líderes em seus mercados, ou até as únicas participantes.

No mercado brasileiro, alguns exemplos de ações de crescimento são o Magazine Luiza (MGLU3) e a Sinqia (SQIA3). Outro caso bastante conhecido é o da Weg (WEGE3). No exterior, Netlflix e Tesla se enquadram neste modelo.

De acordo com o economista da EQI, Pedro Ivo, em geral as empresas de crescimento são associadas a empresas de tecnologia e varejo, incluindo e-commerce. “Nos últimos meses isso ficou mais evidente, basta olhar para Facebook, Amazon, Netflix e Google”, afirma.

Uma característica das ações de crescimento é que os investidores gostam delas mesmo se estiverem “caras” quando analisadas pelas métricas usuais do mercado, como a relação Preço/Lucro (P/L).

Esse múltiplo mede a relação entre o preço atual de uma ação e o lucro por ação acumulado nos últimos 12 meses. Ou seja, a fórmula é preço por ação dividido por lucro por ação.

“Na ação de crescimento, não importa se o preço está caro ou barato, mas apenas as perspectivas de ela subir no futuro”, explica o educador financeiro André Massaro.

Weg é um exemplo

A explicação do que é uma ação de crescimento ajuda a entender o que acontece com a Weg, por exemplo. “Nestes casos, os investidores usam outras formas de avaliação, por entenderem que a empresa tem resultados consistentes e dará bons retornos no futuro”, explica.

Por exemplo, no caso da Weg, alguns dos destaques são as perspectivas de resultados, a boa governança corporativa, preocupação social e ambiental. “Isso gera tanto valor futuro para a companhia que os investidores não se intimidam com os múltiplos altos”, explica.

Por outro lado, a desvantagem das ações de crescimento é sua maior imprevisibilidade. Isso porque as empresas podem não atingir o crescimento esperado, o que vai impactar a cotação dos papéis.

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Ações de valor

Em contrapartida, ações de valor são aquelas que oferecem uma boa oportunidade ao investidor devido ao seu preço atrativo em relação ao valor. Em outras palavras, é possível comprar o papel a um preço menor que o valor justo.

“O que se busca numa ação de valor é saber se o preço está baixo em relação ao valor. Não basta ser simplesmente uma ação barata, tem que ser uma empresa boa com preço bom”, afirma Massaro.

Com isso, a ação oferece uma margem de segurança ao investidor. Um autor conhecido que defende essa estratégia é Benjamin Graham,  além do famoso Warren Buffett. Por operar com múltiplos mais baixos que o mercado, essas ações oferecem menor risco para o investidor.

Ou seja, a oportunidade neste tipo de operação é comprar a ação antes que o mercado perceba o seu valor. E depois, ganhar com a sua valorização ao longo do tempo.

De acordo com Pedro Ivo, em geral os investidores que buscam ações de valor aproveitam momentos desfavoráveis de mercado ou alguma crise temporária na empresa para ir às compras.

“O investidor de valor está mais preocupado com o valor gerado pela empresa do que com o valor que pode surgir por meio do seu crescimento.” Desta forma, ele evita correr o risco de apostar numa ação que pode decepcionar caso a empresa não cresça.

De acordo com o economista, algumas ações de valor da B3 são AES Tietê (TIET11), Taesa (TAEE11) e Vale (VALE3).

Desvantagem da ação de valor

O lado negativo desse tipo de ação é o investidor errar na hora de escolher, optando por uma ação que esteja barata devido a problemas reais na sua operação.

Outro problema, segundo Massaro, é que a análise de valor considera o comportamento passado da empresa. E isso pode não se refletir no futuro do negócio. “A empresa pode ter um bom histórico, mas pode estar em um segmento de negócios declinante”, explica.

Ou seja, o investidor corre o risco de apostar num futuro que pode ser muito distante ou não se concretizar.

Para aprender a investir em ação, assista também ao  vídeo abaixo: