Como capturar oportunidades de investimentos durante a crise?

Clara Sodre
Assessora de Investimentos na EQI Investimentos. Ex bancária, especialista em investimento CEA e ANCORD.

A pandemia do coronavirus contagiou todos os investimentos, e os impactos no mercado de ações foram amplamente divulgados. Mas você já parou pra ver o que aconteceu com os investimentos mais conservadores?

Vimos a expectativa da taxa de juros e inflação impactarem diretamente no preço dos títulos, fundos de renda fixa com rendimentos abaixo do CDI ou com retornos negativos. A SELIC, que já estava a 4,25%. foi para 3,75% (e ainda se fala em espaço para uma nova queda).

É um cenário que exige muita cautela.

CALMA, não há motivos para pânico e não estou aqui para te dizer que tudo está perdido. O momento é sério, precisa de atenção, porém tudo é uma questão de perspectiva.

Você provavelmente já deve ter ouvido falar que crises geram oportunidades, e estou aqui para confirmar isso.

Cuidado com os riscos

Mas antes… precisamos tomar cuidado com os riscos:

Renda fixa se trata de saber as regras de remuneração no momento da contratação, e não sobre a segurança do investimento. Por isso vale lembrar: renda fixa, também tem riscos.

Risco de crédito e de mercado:

Como estamos passando por um momento de paralisação total ou redução de atividades (que acaba gerando redução de receitas), o maior medo atualmente é de que as empresas não consigam honrar com os compromissos.

Por isso, acompanhar de perto cada instituição é essencial. Antes de investir é ideal verificar os ratings de crédito, no geral eles levam um tempo para refletirem os acontecimentos, mas conseguem refletir a situação financeira de cada instituição antes da crise.

Flutuação de preços

Já o risco de mercado está relacionado à flutuação de preços. Um exemplo disso é quando as expectativas de juros ou inflação se elevam fazendo com que os preços dos títulos caiam.

Conhecendo um pouco dos riscos… onde investir agora?

Renda fixa

A renda fixa continua a ser recomendada para todos os perfis de investidores, desde o conservador ao arrojado. O que muda é o cuidado na hora de escolher. O horizonte de investimento também é um fator importante.

No mês de março a volatilidade do mercado dos juros futuros foi intensa. O que isso quer dizer? Que diante da situação financeira atual as expectativas para os juros futuros subiram.

E, com isso, os títulos prefixados que vinham pagando uma remuneração entre 6% e 7% ao ano, começaram a oferecer taxas maiores. No tesouro direto essas taxas chegaram a 8%, já nos ativos de emissão bancária essas taxas ficaram entre 10  – 11% .

O mesmo aconteceu com papéis atrelados à inflação + juros. No tesouro esses papéis (tesouro IPCA ou NTN-B) de prazos menores, estavam pagando por volta de 2% + IPCA, com a volatilidade do mercado chegaram a pagar IPCA+3%.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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Longo prazo

Já os títulos de longo prazo, que tinham uma remuneração próxima do IPCA+3%,  foi possível encontrar papéis com juros reais superiores a 4% ao ano.

E por que isso é uma oportunidade?

Essa atual crise que estamos vivendo é deflacionária.

Segundo especialistas, esse fator, adicionado aos estímulos econômicos em nível mundial, torna improvável que o Banco Central brasileiro aumente a taxa básica tão cedo, o que torna esse movimento de alta na taxa de juros pontual.

Logo, à medida que a situação começar a normalizar, as taxas tendem a voltar a cair valorizando esses papéis.

Mercado secundário e debêntures

Outro ponto importante: com a corrida pela liquidez, foi possível identificar taxas altas no mercado secundário. O mercado secundário é onde acontece a venda e compra de ativos entre investidores para diferentes horizontes de investimentos.

Esse fenômeno do aumento de taxas também aconteceu com as debêntures. No geral, as empresas com melhores notas de crédito pagam juros menores. Porém, com essa corrida pela liquidez, mesmo as empresas com notas de crédito “AAA” precisaram oferecer taxas maiores para atrair investidores. Disponibilizando debêntures incentivadas (isentas de IR) com taxas de até IPCA + 6%.

CDB’s, LCI’s, LCA’s e LC

Um refresco aos navegantes:

Vale lembrar que investimentos como CDB’s, LCI’s, LCA’s e LC contam com garantia do FGC (fundo garantidor de crédito).

O valor total coberto pelo FGC é limitado ao teto de R$ 250 mil por CPF/CNPJ em cada conglomerado financeiro, com um limite de R$ 1 milhão renovado a cada quatro anos.

Procure um assessor de investimentos

Ativos com preços baixos, rentabilidades maiores e segurança são um combo perfeito para o investidor conservador. No entanto, para entender todas as características antes de investir é sempre bom contar com um assessor de investimentos de sua confiança.

Faça da informação sua melhor ferramenta, não espere o cenário normalizar para identificar as oportunidades perdidas, por mais desafiador que se apresente, é o cenário perfeito para oportunidades.

Aproveite e comece hoje mesmo a revisar seus investimentos.