Como aplicar e garantir R$ 1 milhão

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Ter R$ 1 milhão na conta é o desejo de muitas pessoas. Mas nem todas estão dispostas e muitas ainda acreditam que é algo impossível. Será que é verdade?

Segundo o relatório da Global Wealth Report, publicação anual do Credit Suisse Research Institute, em 2019 o número de milionários no Brasil chegou a 259 mil. Isso representa um aumento anual de 19,35%.

Os especialistas em finanças asseguram que trabalhando e fazendo uma planejamento financeiro, é possível atingir este objetivo.

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Não é necessário ser um gênio da área, porém a organização, disciplina e consistência são fundamentais.

Aportes recorrentes

O primeiro passo para quem quer chegar a um patrimônio de R$ 1 milhão (ou mais) é se acostumar a fazer aportes recorrentes. Em outras palavras, poupar deve ser mais do que uma obrigação ou conquista ocasional: deve ser um hábito.

De acordo com os especialistas, fazer aportes recorrentes é mais importante do que começar a investir com um valor elevado.

“Se a pessoa começa com R$ 10 mil mas não faz aportes ao longos dos 20 anos seguintes, não vai chegar no mesmo patrimônio de quem começou com R$ 500 e fez novos aportes a cada ano”, compara Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos.

Outra vantagem de fazer investimentos recorrentes é ir comprando ações de empresas diferentes ao longo dos anos. Com isso, a pessoa compõe uma carteira diversificada e não fica exposta a momentos específicos de mercado.

Para ter sucesso na arte de poupar, uma dica é separar o dinheiro logo que você recebe o salário. Ou seja, não espere sobrar dinheiro para investir.

De acordo com o que você ganha, você vai definir uma meta de valor que investirá mensalmente. Seja autônomo ou CLT trace um valor que será investido.

Investir corretamente para chegar a R$ 1 milhão

Além de poupar com frequência, é importante saber investir o recurso. Ou seja, não adianta deixar tudo na poupança.

Isso porque a rentabilidade é muito pequena, principalmente em tempos de Selic baixa. Em momentos como o atual, com a Selic na mínima histórica, ela chega até mesmo a perder para a inflação.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou que 58% dos poupadores não sabem quais são os investimentos com as melhores taxas de retorno.

A melhor alternativa é montar uma carteira diversificada, que tenha uma parcela de ativos em renda variável. Exemplos de renda variável são ações, fundos multimercado e Fundos Imobiliários.

A participação da renda variável na carteira do investidor vai depender de sua tolerância ao risco. O mais indicado é fazer um Teste de Perfil de investidor para descobrir se você é conservador, moderado ou agressivo.

Outro ponto importante é fazer rebalanceamentos periódicos da carteira de investimento. Ou seja, sempre que a parcela de renda variável se valorizar muito e passar a ocupar uma fatia maior, é hora de vender uma parte para comprar renda fixa.

Para entender melhor como funciona o rebalanceamento, confira este post.

Vale destacar que é fundamental ter uma carteira diversificada. Ou seja, não possuir apenas ações de uma empresa ou investir em um só fundo de investimentos. Ao diversificar, você reduz os riscos e aumenta suas chances de ter sucesso no longo prazo.

Padrão internacional de investimento

Depois de a Selic ter caído a níveis recordes no Brasil, o padrão nacional de investimentos vai se aproximando do que se pratica em outros países.

Em mercados como os Estados Unidos, por exemplo, o padrão é ter metade da carteira alocada em renda variável, e a outra metade em renda fixa, segundo o educador financeiro André Massaro. “Às vezes, a exposição à renda variável pode ser ainda maior, chegando a 60%”, explica.

No Brasil, uma carteira com este perfil ainda é considerada muito arrojada. Mas com o tempo, a tendência é que os brasileiros se arrisquem cada vez mais na renda variável. Isso já está sendo percebido com o aumento da participação de pessoas físicas na bolsa de valores.

De acordo com Massaro, o investidor deve buscar rentabilidade real (acima da inflação) de 5% a 10% ao ano.

Confira alguns exemplos de quanto é preciso juntar por mês para chegar a R$ 1 milhão:

Com uma rentabilidade real anual de 5% ao ano:

  • R$ 6.478 por mês durante 10 anos
  • R$ 2.464 por mês durante 20 anos
  • R$ 1.226 por mês durante 30 anos
  • R$ 675 por mês durante 40 anos

Com uma rentabilidade real anual de 7,5% ao ano:

  • R$ 5.706 por mês durante 10 anos
  • R$ 1.868 por mês durante 20 anos
  • R$ 779 por mês durante 30 anos
  • R$ 355 por mês durante 40 anos

Fonte: André Massaro

Estilo de vida compatível com seu dinheiro

Se você sonha em acumular R$ 1 milhão, outra dica importante é tomar cuidado para não ter um estilo de vida incompatível com a sua renda.

De acordo com Panonko, este é um erro comum que impede muitas pessoas de atingirem este objetivo. “É comum o brasileiro querer viver um padrão de vida que ainda não conquistou”, afirma. Por exemplo, muitos decidem comprar uma casa, um carro, ou até mesmo viajar antes de ter o dinheiro suficiente.

Na prática, muita gente se endivida para realizar estes projetos, o que torna o sonho de ter R$ 1 milhão praticamente impossível. “As pessoas acabam se endividando, comprando parcelado e pagando juros, e com  isso não conseguem poupar”, destaca.

Em outras palavras, é melhor adiar os sonhos do que se enrolar em dívidas.

Se você já tiver alguma dívida, antes de mais nada renegocie e busque uma renda extra para poder quitá-la.

Por que vale a pena juntar R$ 1 milhão?

A principal vantagem de juntar R$ 1 milhão em investimentos é ter uma renda passiva. Ou seja, poder colocar o dinheiro para trabalhar, e reduzir o ritmo de trabalho quando chegar à terceira idade.

Isso é importante porque a maioria das pessoas não consegue (nem deseja) manter o mesmo ritmo de trabalho dos 30 anos de idade aos 60 anos ou mais. “Ao acumular dinheiro, a pessoa pode parar de trabalhar ou até diminuir sua carga horária”, explica Panonko.