Selic a 2%: como a decisão afeta os seus investimentos?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira (16) que vai manter a taxa básica de juros (Selic) em 2%. O resultado veio em linha com o que o mercado projetava.

Mas de que maneira esta decisão impacta a vida do investidor?

“A Selic é um norte para quem monta uma carteira de investimentos”, explica Paulo Filipe de Souza, assessor daEQI Investimentos.

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No momento, ela sinaliza que os investimentos de renda fixa, especialmente os atrelados à Selic, deixaram de ser tão atrativos.

“O investidor precisa buscar alternativas para fazer sua carteira de investimentos crescer. E para não ficar à mercê de perder sua rentabilidade para a inflação”, afirma.

Vida na renda fixa fica mais difícil

Para o educador financeiro André Massaro, com Selic a 2% não sobra muita alternativa para o investidor que busca rentabilidade, a não ser migrar para a renda variável.

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“A vida na renda fixa vai ficando cada vez mais difícil. Agora, ela atende àquele investidor altamente conservador, que realmente só quer proteger o dinheiro e não está muito preocupado com o retorno. Ou, então, àquele que quer montar uma reserva de emergência”, avalia.

Para quem está buscando crescimento de patrimônio, ele diz, o caminho é mesmo a renda variável. Entre as melhores sugestões, ele elenca as ações, os fundos de ações, os fundos atrelados a índices (ETFs) e os fundos imobiliários.

Quanto rendem R$ 5 mil, R$ 10 mil ou R$ 15 mil com Selic a 2%?

Para exemplificar o que afirma, Massaro calculou quanto renderia um investimento atrelado à Selic para quem investe R$ 5 mil, R$ 10 mil ou R$ 15 mil. Tal investimento pode ser poupança, CDB, Fundo DI e Tesouro Selic.

“Selic e o DI, que são muito parecidos, são benchmarks da maioria dos investimentos em renda fixa. Então, uma simulação com a própria taxa Selic já proporciona uma visão aproximada do desempenho da maioria desses produtos”, explica.

O resultado é que, investindo R$ 5 mil agora em poupança, CDB, Fundo DI ou Tesouro Selic, em um ano, este investimento terá rendido apenas cerca de R$ 91. Em cinco anos, R$ 511. E é preciso lembrar do fator inflação, que tira o poder de compra do dinheiro.

Da mesma forma, investindo R$ 10 mil nos mesmos produtos, você terá R$ 183 em um ano, e R$ 1.022 em cinco anos.

Por fim, investindo R$ 15 mil, o investidor ganhará R$ 274 em um ano e R$ 1.533 em cinco anos.

 

Como ser conservador na renda variável

Como você pode ver, a rentabilidade não é mesmo o forte de grande parte dos produtos de renda fixa com Selic a 2%. Mas, se só o fato de pensar em ações já tira o seu sono, saiba que é possível ser conservador até mesmo na renda variável.

“É preciso perder a visão binária de que renda fixa é para investidor conservador e renda variável para investidor agressivo. Existem nuances de perfis. Tem maneiras de ser conservador ou agressivo na renda variável”, diz Massaro.

Para os mais conservadores, que não possuem familiaridade com a bolsa, ele recomenda um início com cautela. E recomenda fundos de ações e ETFs.

Márcia Guerra, gerente de investimentos do Sicredi, recomenda ainda os fundos multimercado, que fazem um mix de diversos ativos.

“Em um fundo multimercado, mesmo que uma empresa sofra um impacto forte, você tem outros papéis. E eles seguram a rentabilidade e dão equilíbrio ao conjunto”, diz.

Além disso, ela aponta, os fundos garantem certa tranquilidade ao investidor. Isto graças ao papel do gestor. Ele é o responsável por acompanhar e selecionar os melhores ativos para compor o fundo. O que facilita bastante, especialmente para os iniciantes.

Mas, então, com a decisão sobre a Selic, a renda fixa morreu?

Não morreu! Como dito, os investimentos atrelados à Selic perderam fortemente a rentabilidade. Mas ela continua sendo fundamental para quem monta uma reserva de emergência.

Além disso, ela possui outras possibilidades interessantes, desvinculadas da Selic, como as letras de crédito agrícolas (LCAs) ou imobiliárias (LCIs). E ainda títulos do Tesouro, especialmente os atrelados à inflação (IPCA+). Saiba mais em nosso artigo sobre o tema.