Como a crise do coronavírus mexe com a bolsa de valores

Rebeca Torres
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Crédito: Geralt / Pixabay

A crise do coronavírus afetou e continua causando danos à bolsa de valores,de acordo com reportagem do portal da revistas IstoÉ Dinheiro.

Consultamos também Ricardo Cavalieri, estrategista de ações do BTG Pactual Digital.

Anúncios do Federal Reserve, que disponibilizaram US$ 300 bilhões para “apoiar o movimento de crédito para empregadores, consumidores e empresas”, retardando um pouco a queda brusca nos mercados de ações europeus, na última segunda-feira (23), não foram suficientes para evitar uma queda na bolsa de valores.

Como a crise do coronavírus afetou a bolsa de valores

Ricardo Cavalieri explicou: “A bolsa nada mais é do que uma representação das empresas da nossa economia, de diferentes setores e com proporções diferentes. A crise, por decorrer de um problema de saúde, demandou o confinamento social afetando diretamente nossa economia real. Há uma paralisação da atividade econômica”.

“O mercado, diante da nova incerteza sobre o crescimento econômico futuro, vem passando por um processo de precificar todas essas novas variáveis, o que levou a esse ajuste de preços que observamos na bolsa”, acrescentou.

Quantas vezes a bolsa de valores caiu desde o início da crise

Já em relação à quantidade de vezes que a bolsa de valores caiu, desde o início da crise, Cavalieri avaliou: “Tivemos diversos pregões de queda, alguns mais intensos e outros mais suaves, mas se olharmos o movimento desde o início de fevereiro chegamos a ver uma correção da ordem de 40%”.

Em termos econômicos, o ano de 2020 está perdido?

Ricardo opina: “Em termos econômicos nosso time de análise macroeconômica começou o ano com uma estimativa de crescimento do PIB de 2,5%. Hoje, frente à nova realidade de uma atividade econômica muito aquém do que esperávamos, nossa projeção atual é de uma contração de 1,5% – o atual cenário econômico é completamente diferente do que tínhamos no final de 2019”.

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Podemos considerar essa como a pior crise?

Ricardo argumenta: “Sim, desde 1929, essa tem sido a crise mais intensa. Por ser uma crise de saúde, nosso primeiro remédio é o lockdown e o distanciamento social, o que impacta diretamente nossa economia real pela paralisação da atividade que isso gera. O mercado precifica os possíveis impactos futuros dessa paralisação gerando o ajuste de preços na bolsa”.

“A gente vê os bancos centrais e governos, não só no Brasil, mas a nível global, agindo com uma agilidade positiva quanto aos estímulos monetários e fiscais injetados na economia – principalmente quando comparados à crisede 2008 – com o objetivo de minimizar o impacto desta desaceleração econômica, ou seja, minimizar o impacto para as empresas que são as grandes geradoras de empregos em nossa economia”, destaca ele.

Principais diferenças desta crise pra crise de 2008

Cavalieri observa as principais diferenças dessa crise para a de 2008: “A crise de 2008 foi decorrente da bolha imobiliária nos EUA, que atacou o setor bancário americano, consequentemente o mercado financeiro, afetando os mercados (financeiros) em todo o mundo”.

“Já quando olhamos para a crise atual (coronavírus), vemos que ela é muito mais severa pelo fato de ser um problema de saúde, atingindo diretamente todos os setores da economia real de forma instantânea como resultado do lockdown de estabelecimentos comerciais, circulação de pessoas proibida e determinadas áreas e o próprio distanciamento social. A economia para e não se sabe quando voltará, o que aumenta ainda mais a incerteza e a aversão ao risco dos investidores”, ponderou ele.

Há oportunidades para a bolsa se reerguer no meio da pandemia

Quando questionado se há oportunidades para a bolsa se reerguer no meio da crise, Ricardo atestou: “Hoje, a previsão para o longo prazo está um pouco mais nebulosa. Está mais difícil prever do que antes. Em meio à tormenta, a única coisa que temos é incerteza”.

Quais as perspectivas para a bolsa se recuperar

O estrategista conclui: ”A bolsa irá voltar a ter uma resposta positiva quando tivermos mais clareza sobre o futuro – estabilização de novos casos;uma eventual vacina será um catalisador importante; retomada da atividade etc. Tempo aqui é um fator crucial à medida que as empresas – micro, pequenas, médias e grandes – vão passar por um período de queima de caixa com uma receita praticamente nula”.

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