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Como a alta do dólar pode beneficiar os FIIs

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Nas últimas semanas o dólar americano vem se destacando no mercado pela sua grande valorização.

trump

Não faz muito tempo que a moeda americana estava sendo cotada por menos de R$ 3,20, sendo que atualmente os dólares não saem por menos de R$ 3,55! Lógico, até o momento em que escrevo o Newsletter.

O dólar mais caro, além de encarecer as férias em Miami, vai influenciar no preço de vários outros produtos e serviços, mas e os FII? Será que vai sobrar para os FII!

Sim! Bastante! Na verdade eu diria que o dólar mais caro vai trazer impactos em diversos setores, uma vez que boa parte dos produtos e das matérias primas são cotados em dólar.

Desde a gasolina até a farinha, muitos produtos acabam sofrendo certa influência da moeda americana. Não seria diferente com os fundos imobiliários.

O primeiro impacto que o dólar mais alto pode influenciar nos FII está relacionado à inflação. Tanto o IPCA quanto o IGPM vão em algum momento repassar o aumento no dólar.

Lógico, a alta da moeda americana precisa se manter por um tempo, uma vez que o repasse não ocorre de um dia para o outro. Mesmo assim, acredito que essa alta deve sim trazer impactos na inflação.

A maioria dos fundos trabalham com empreendimentos alugados. Sendo que nesses contratos de aluguel, existem clausulas tratando das correções anuais do valor do aluguel pela inflação.

Portanto, o aumento do dólar, pode influenciar na alta da inflação e consequentemente na alta do aluguel.

Vale destacar que uma inflação um pouco alta, pode interromper a queda da taxa Selic, e também  pode influenciar de forma negativa a retomada econômica.

Esses dois fatores também podem trazer impactos nos FII. Principalmente em fundos que estão eventualmente ligados ao comércio, como os fundos que possuem participação em Shopping Centers.

Os Shoppings vivem das vendas das lojas. Se a loja não vende, não há porque a mesma existir. Portanto o lojista sai do shopping e com isso o empreendimento acaba tendo mais vacância. Resultando em menos distribuições aos cotistas.

O que fazer então?

Em minha análise, existem dois fatores que vem influenciando na alta do dólar.

  • Eleições no Brasil
  • Alta do juro nos Estados Unidos

Com as eleições, existe um receio do mercado com relação ao novo presidente. Será que ele vai ser pró-mercado? Ou vai tentar algo de novo?

Com relação ao aumento do juro nos Estados Unidos, os títulos do Tesouro Americano são conhecidos como um dos investimentos mais seguros do mundo (se não o mais seguro).

Com um rendimento maior e mantendo o grau de segurança, os investidores estrangeiros acabam priorizando os títulos americanos.

Então temos dois cenários a partir de agora:

  • Ou o negócio vai desandar mais um pouco, com a eleição de um candidato “desconhecido”.
  • Ou com a eleição de um candidato pró-mercado a volatilidade do dólar diminua, e assim o crescimento econômico ganhe mais força.

Nas duas situações o juro nos Estados Unidos vai continuar subindo. Porém, se um candidato pró-mercado for eleito, parte dessa alta pode sim ser revertida. Enquanto a eleição de um candidato “desconhecido” pode trazer mais volatilidade ao sistema. Ao menos até o momento em que ele colocar em prática a política econômica.

Observando esses cenários, o mais interessante seria manter a cautela. Tomar uma posição mais agressiva,  alocando boa parte dos recursos em FII não seria algo prudente.

Com certeza, a compra desenfreada de FII agora seria algo mais arrojado. Talvez uma redução nas compras, ou até aportes menores, priorizando fundos com bastante diversificação ou fundos de fundos poderia ser interessante.

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Oliver Imhof

Oliver Imhof é um colaborador da EuQueroInvestir.
Contato: oliver.imhof@euqueroinvestir.com

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