Comércio tem tendência de recuperação nos próximos meses

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O comércio varejista tem uma tendência de recuperação nos próximos meses. É o esperado, após os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ter vindo com um crescimento de 1,8% em abril. Resultado que ficou acima do esperado.

Dos sete itens que compõem o índice, apenas um registrou queda: supermercado e hipermercados, que caiu 1,7%. Os demais registraram alta. Relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) mostra que os dados do mês reafirmam uma atividade mais resistente às restrições.

Com isso, o banco de investimentos avalia que o resultado é fruto de uma queda menor do que o esperado na mobilidade. Também contabilizou para esse resultado, o pagamento da nova rodada do auxílio emergencial.

O banco avaliou ainda que o auxílio somado aos programas de manutenção do emprego, tenda a ajudar na retomada do varejo.

Cristiano Santos, gerente da PMC, disse que as vendas do comércio varejista tem sido melhores. “Na passagem de março para abril, registrou um acréscimo no volume de vendas. Esse aumento foi acompanhado por sete setores dos oito que compõem o comércio”, disse ele.

Comércio: setor está mais resiliente

Rodolpho Tobler, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), comentou que o setor como um todo está mais resiliente. Na avaliação dele, a queda deste mês, no setor de supermercados, não chega a ser negativa. Isso porque este item já havia registrado alta no mês anterior.

“Em boa parte dos segmentos, o varejo já recupera o que perdeu em março e tem uma tendência de recuperação nos próximos meses”, disse ele.

No entanto, há pontos de atenção. O principal deles é o perigo de uma nova onda da pandemia. Se ocorrer, pode ser um novo obstáculo à recuperação.

No entanto, se nessa balança as vacinações acelerarem, o mercado deve ir se recuperando, avaliou ele.

“Mas depende do mercado de trabalho também. Ele tem se mostrado o grande obstáculo para o segundo semestre do ano”, acrescentou.

Trimestre começa favorável

O economista do Ibre/FGV comentou que esse resultado mostra que o trimestre já começa de forma positiva. De acordo com ele, o dado de mobilidade demonstra que as pessoas estão circulando mais. A grande questão fica, no entanto, se haverá ou não uma segunda onda da pandemia do novo coronavírus.

Em abril, a PMC registrou avanço de 1,8%. Acima do esperado pelo mercado, que era de 0,1%. Em março, houve uma retração de 1,1%.

O BTG calculava uma queda de 0,3% no segmento.

Segundo semestre vem com força

Relatório do Exame Invest Pro aponta que o segundo semestre aponta para um resultado forte. A expectativa é de crescimento de 1,2% para o varejo e 1,4% para o varejo ampliado. Isto reforça uma perspectiva de aumento acima de 5% para a economia brasileira ao fim do ano.

Comércio

O documento aponta ainda que há espaço de bom desempenho a ativos ligados ao consumo doméstico.

“Diferente do ano passado, a surpresa o pior momento da pandemia foi positiva. Vale pontuar que o desafio das expectativas foi muito positivo. Algo que só aconteceu em maio do ano passado”, informa trecho do documento da Exame.