Comércio mundial pode cair de 15% a 25%, diz Ipea

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Unsplash

A expansão da pandemia pela Covid-19 não provocou impactos somente nos sistemas de saúde do mundo. Os reflexos já estão sendo sentidos também na economia.

Dessa forma, é unânime a ideia de que perdas serão inevitáveis. De acordo com estudos apresentados na terça-feira (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima-se uma queda no comércio mundial entre 15% a 25% neste ano.

Para avaliar os possíveis desdobramentos provocados pela pandemia, o Ipea elaborou a construção de cenários para analisar a variação do comércio em 2020 e 2021.

Segundo o Diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea, Ivan Oliveira, o foco é usar todos os recursos disponíveis na tentativa de obter a melhor informação possível sobre o alcance da crise.

Assim sendo, a construção dos cenários foi atrelada à estimativa de desempenho do PIB mundial para 2020 e 2021.

Dessa forma, no cenário mais positivo, com redução do PIB de 0,5%, a queda no comércio seria em cerca de 15%.

Já no cenário mais negativo, de redução do PIB de 3,5%, associa-se uma queda de 25% do comércio mundial.

O estudo do Ipea, que traça considerações preliminares sobre os impactos da pandemia, apresentou ainda a projeção da Organização mundial do Comércio (OMC) para o crescimento do comércio mundial referentes aos grandes blocos econômicos.

IPEA

Como é possível observar, no cenário otimista o comércio teria queda de 12,9% em 2020 e crescimento de 21,3% em 2021. Dessa maneira, neste cenário a economia mundial teria um comportamento em formato de V, com forte queda do PIB e do comércio mundial em 2020 e recuperação forte e rápida no ano seguinte.

Por outro lado, no cenário pessimista, a OMC acredita em um comportamento em formato de L, com queda mais forte do PIB e do comércio em 2020 e recuperação modesta em 2021.

OCDE

O Ipea apresentou também a análise da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) referente aos impactos de curto prazo sobre a atividade econômica global.

Pelo lado da oferta, os setores mais afetados seriam serviços, construção e indústrias mais intensivas em mão de obra. Segundo a OCDE, esses setores representam de 30% a 40% da atividade econômica nos países analisados. Caso tais atividades caiam entre 50% e 100%, o impacto sobre o PIB seria entre 15% e 30%.

Em contrapartida, países onde a agricultura e a extração mineral possuem maior peso na economia tenderiam a sofrer menor impacto.

Pelo lado da demanda, estima-se o impacto da redução do consumo das famílias em função do confinamento. As atividades mais impactadas, segundo a OCDE, seriam as despesas com serviços e aquisição de bens de consumo duráveis e  não duráveis. A aquisição de bens e serviços essenciais (alimentos, serviços de utilidade pública) não seria afetada.

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