Covid-19: com mais de 5 mil vítimas, Brasil passa número de mortes da China

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O balanço divulgado nesta terça-feira (28) pelo Ministério da Saúde traz um dado preocupante: o Brasil ultrapassou o número de mortos da China, país onde a pandemia do novo coronavírus começou, e chegou a 5.100 vítimas fatais, contra 4.633 dos asiáticos.

Foi o pior dia em toda a crise para o Brasil, com acréscimo de 474 novas vítimas fatais e 5.385 novos casos confirmados.

O país tem agora 71.886 mil casos e 5.017 mortos. A taxa de mortalidade é de 6,98%. A da China é de 5,59%.

A taxa de mortos por 1 milhão de habitantes dos chineses é de 3. A do Brasil, de 22.

No mundo, a taxa de mortalidade é de 6,93%, com os Estados Unidos ultrapassando a marca de 1 milhão de casos confirmados e se aproximando a 59 mil mortes.

No total, o planeta já confirmou 3,12 milhões de testes positivos e 216.580 falecidos.

Outro alerta sobre o Brasil é que o país, com essas novas 474 vítimas fatais, se tornou o terceiro país com mais mortes em um só dia, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Voos do Brasil aos Estados Unidos

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que tem acompanhado “de perto” o avanço da crise do novo coronavírus no Brasil e sugere suspender voos daqui para lá.

“O Brasil tem um surto sério, como vocês sabem. Eles também foram em outra direção que outros países da América do Sul, se você olhar os dados, vai ver o que aconteceu infelizmente com o Brasil”, disse Trump.

Por enquanto, ainda há viagens Brasil-EUA, embora em menor número – a Embaixada dos Estados Unidos diz que são 9.

A preocupação do governo norte-americano é grande. A Embaixada já inclusive sugeriu que os cidadãos voltem para os EUA ou podem ficar no Brasil por um tempo “indefinido”.

Gastos do governo brasileiro

A crítica de Trump sobre como o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) está lidando com a crise pode ser traduzida em números.

Segundo informa o portal UOL, “o governo federal gastou pouco mais de 23% dos R$ 253 bilhões liberados para o combate ao novo coronavírus. Até hoje, segundo dados divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, as despesas da União com a pandemia somaram R$ 58,6 bilhões”.

A maior parte dos gastos é mesmo com o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 aos trabalhadores informais e famílias de baixa renda, R$ 37,4 bilhões. A ajuda ao pagamento de salários das empresas tomou, até aqui, R$ 17 bilhões.

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A Saúde ficou apenas com R$ 5,4 bilhões, enquanto hospitais têm sofrido com a falta de leitos, respirados e equipamentos de proteção individual (EPIs).

A pressa de quem precisa tem sido barrada pela burocracia.

Sem carreatas

Em decisão favorável à promotoria, a Justiça de Parauapebas proibiu a realização da carreata prevista para segunda-feira (27), em apoio à reabertura do comércio no município.

“A Ação Civil Pública foi ajuizada em regime de plantão no domingo (26), e a decisão emitida no mesmo dia. Parauapebas já possui 105 casos confirmados de infecção por Covid-19, com sete óbitos”, informa o Ministério Público do Estado do Pará.

O Pará chegou a 2.262 casos confirmados e 129 mortes e é um dos estados mais atingidos no país.

As carreatas têm sido instrumento constante de pressão de apoiadores do presidente Bolsonaro pela abertura do comércio durante a pandemia.

Recuperados

O ministério da Saúde ainda informa que acompanha 34.325 casos suspeitos de Covid-19. São ainda 1.156 óbitos em investigação.

Por outro lado, 32.544 pacientes se recuperaram da doença, o que equivale a 45,27% dos casos.

Entretanto, vários especialistas já se antecipam para o fato da pessoa ter se curado e criado anticorpos não significa necessariamente que ela esteja imune ao novo coronavírus.

“A gente não pode desacreditar do sistema imunológico. O nosso sistema imunitário, ele é muito forte, é muito bom e nos protege há milênios. Mas eu não posso também te garantir que esses anticorpos que a gente produz agora, daqui a um ano, dois anos, três, vão estar bons o suficiente”, explicou o médico infectologista Fernando Chapermann, em entrevista ao portal de notícias G1.

“Até o momento a gente não sabe se os anticorpos produzidos são capazes de nos proteger pelo resto da vida ou até mesmo por um período. Tudo leva a crer, a história da medicina leva a crer que a gente vai desenvolver algum tipo de imunidade a esse vírus. Agora, a gente não o conhece. Então, a gente não consegue ainda trabalhar com a ideia de que uma vez eu peguei, essa será a única vez”, salientou.

Números nos estados

No balanço apresentado hoje pelo ministério da Saúde, há 71.866 casos confirmados e 5.017 óbitos. Mas as secretarias estaduais de saúde já apresentam um número maior: 72.401 casos e 5.042 mortes.

O Brasil agora é o 9º país com mais mortes decorrentes do Covid-19. Já se aproxima do Irã, que foi o segundo grande foco da pandemia fora da China, contando 5.877 falecimentos. Nos dois países, há certeza de subnotificações.

Aqui dentro, sempre segundo o ministério da Saúde, São Paulo é o estado mais afetado, com 24.041 casos e 2.049 mortes. O Rio de Janeiro tem 8.504 casos e 738 mortes.

Outros 6 estados passaram da marca dos 2 mil casos: Ceará (6.918 e 403, segundo o ministério, e 6.982 e 415, segundo a secretaria), Pernambuco (5.724 e 508), Amazonas (4.337 e 351), Bahia (2.540 e 86), Maranhão (2.528 e 145) e Pará (2.262 e 129).

O Espírito Santo apresenta 1.874 casos e 64 mortes, segundo o órgão federal, e 2.164 e 77, segundo a pasta estadual.

O Distrito Federal também tem números diferentes: são 1.213 casos e 28 mortos, segundo o ministério, e 1.358 e 28, segundo a secretaria estadual.

Minas Gerais tem 1.649 e 71 mortos, seguido de Santa Catarina (1.476 e 44), Rio Grande do Sul (1.286 e 45) e Paraná (1.271 e 77).

Os demais estados são: Amapá (918 e 28), Rio Grande do Norte (857 e 48), Alagoas (777 e 36), Goiás (661 e 27), Paraíba (633 e 53), Roraima (425 e 6), Rondônia (413 e 11), Piauí (408 e 21), Acre (311 e 16), Sergipe (280 e 11), Mato Grosso (261 e 11), Mato Grosso do Sul (240 e 9) e Tocantins (79 e 2).

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