O que esperar das ações de CVC (CVCB3), Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4)

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O setor de turismo foi um dos que mais sofreu impacto da pandemia do coronavírus. As ações da CVC (CVCB3), da Azul (AZUL4) e da Gol (GOLL4) vêm mostrando alta volatilidade na B3 nos últimos meses.

Mas será que isso significa que não é momento de investir nessas empresas? Nesta matéria, falaremos quais os pontos a serem analisados e qual a expectativa do mercado quanto ao setor.

Com as medidas de isolamento social e até o cancelamento de vôos e fechamento de fronteiras causados pelo espalhamento da doença a nível global, já era esperado que os papéis dessas empresas seriam impactados.

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O pronto principal é como se dá a retomada. Ela já vem acontecendo, com a adoção de medidas de proteção e a flexibilização da circulação em algumas regiões. Mas ainda existe uma grande defasagem em relação ao cenário pré-pandemia em diversos segmento do turismo.

Retomada no turismo é lenta mas já acontece

Para o gerente de análise da Planner, Mário Mariante, essa defasagem em relação à realidade pré-pandemia é natural. “Vejo o cenário favorável em relação ao que passamos recentemente, com expectativa de uma melhora gradual. Mas acredito que a volta à normalidade só acontecerá com a vacina e o retorno para as atividades”, comentou.

O especialista lembrou ainda que o Brasil não está livre de uma nova onda de contaminação, a exemplo do que está se vendo na Europa e nos EUA. Considerando o relaxamento recente, essa é uma preocupação latente no mercado. Com uma nova onda, uma nova retração no turismo pode acontecer.

Por outro lado, com a alta do dólar, o turista brasileiro tende a procurar destinos no próprio país, o que é favorável para o setor. “Ao mesmo tempo, as empresas aéreas estão popularizando suas operações, facilitando o acesso a um público novo”, comentou Fabian Favero, assessor de investimentos e sócio EQI.

Uma série de promoções para o pós-pandemia tem ajudado a manter o segmento ativo. Além disso, muitas pessoas, desgastadas pela quarentena, estão se encorajando a viajar, buscando destinos mais isolados e seguindo as recomendações dos especialistas da saúde.

Ações

Em razão de todo esse cenário, as ações das empresas do setor de turismo registram forte desvalorização no ano, motivadas, em suma, pela falta de confiança dos investidores em relação a uma melhora na situação da Covid.

No caso da CVC, há fatores adicionais, além da pandemia, que já atrapalhavam a empresa, como erros contábeis que atrasaram a divulgação de balanços e jogou um véu de desconfiança sobre seus resultados.

Assim, pode ser observado um movimento especulativo nas ações, apontou Mariante. Afinal, as apostas nos papéis não estão ocorrendo necessariamente em cima dos resultados financeiros que permanecem ruins. Principalmente no caso da Azul e da Gol, que estão com boa liquidez, de acordo com a prévia de seus balanços.

Volatilidade

As ações do trio do setor de turismo da bolsa apresentaram comportamento semelhante durante o período de pandemia.

As três tiveram uma queda acentuada no valor de suas ações a partir do dia 19 de fevereiro. E marcaram seu pior valor no dia 18 de março. Desde então vêm apresentando uma recuperação lenta e com muita volatilidade.

As ações da CVC começaram a cair drasticamente no final de fevereiro, quando estavam por volta de R$ 30,00. Tiveram a maior queda em 18 de março, fechando em R$ 6,49 e desde então vêm oscilando em lenda recuperação. Agora em outubro, a CVCB3 tem se mantido por volta de R$ 15,00.

Em 19 fevereiro, as ações da Azul estavam em R$ 58,08. Marcaram R$ 10,35 em 18 de março. Agora em outubro, oscilam na faixa de R$24,00 a R$ 26,00.

A Gol estava acima de R$30,0o até 19 de fevereiro. Caiu ao seu menor valor no dia 18 de março, R$ 5,60. Nas últimas semanas, oscila um pouco abaixo dos R$ 20,00.

Socorro não chegou

Pesou sobre o resultado das empresas também o socorro do BNDES que nunca chegou. Logo no início da crise, havia uma proposta de linha de financiamento de R$ 6 bilhões para socorrer as companhias aéreas Gol, Azul e Latam. Cada empresa receberia R$ 2 bilhões como empréstimo.

A proposta previa que o BNDES entraria com até 60% dos recursos. Os bancos comerciais custeariam 10% e os investidores 30%. A participação do mercado aconteceria por meio de um modelo híbrido. Haveria emissão de debêntures pelas empresas que aderirem à proposta e um bônus de subscrição.

Na última segunda-feira (19), o diretor-presidente substituto da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Juliano Alcântara Noman, disse que o Brasil não tem dinheiro para ajudar as empresas aéreas como fez os EUA. E acrescentou que as três maiores companhias brasileiras acumulam prejuízo de R$ 2 bilhões a cada trimestre por conta da pandemia.

Na opinião de Mariante, a sobrevivência delas se dará da mesma forma que empresas de outros setores. “O caminho tem sido o alongamento e a renegociação de dívidas mais caras por outras mais baratas”, assinalou.

Fator câmbio

Fora os efeitos da pandemia, é importante ter em mente que as companhias aéreas são bastantes expostas ao fator câmbio. De um lado possuem dívidas em dólar. De outro, dependem dos preços dos combustíveis, que também seguem a moeda norte-americana.

“O dólar subiu bastante, houve a perda de faturamento por conta da pandemia e aumento dos custos e despesas financeiras. Por isso, os prejuízos da Azul e Gol cresceram”, comentou Mariante. A companhias mostram melhora dos dados operacionais, mas o câmbio ainda é preocupante, apontou o especialista.

Acompanhe os números

O gerente de análises da Planner recomenda que o investidor deve ficar atento ao peso da dívida das empresas. Sobretudo o endividamento em dólares, e se existe proteção (hedge) para esta dívida. “Deve olhar se a recuperação do fluxo de passageiros e do faturamento será o suficiente para cobrir todos os custos e despesas (se haverá geração positiva de caixa). Ficar atento aos vencimentos de dívidas”, aconselhou.

O assessor da EQI lembrou que a receita das aéreas tendem a ficar comprimidas ainda no médio prazo. Ele destaca que, além do turismo, as viagens corporativas também diminuíram e não devem voltar rapidamente, uma vez as as empresas passaram por uma digitalização dos processos (como reuniões online). “Elas perdem um pequeno percentual de seus usuários momentaneamente”, explicou.

Em resumo, o momento é delicado e exige muita cautela na hora do investimento. Em razão da alta volatilidade das ações, tanto a compra como a venda pede uma análise cuidadosa.

A consulta a um bom assessor de investimentos pode auxiliar na tomada de decisão. Conte com a EQI Investimentos para isso, preenchendo o formulário abaixo!