Com Biden ou Trump, veja quais são os riscos para o mercado

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/CNN

É na terça-feira, dia 3 de novembro, que os olhos do mundo se voltarão para a televisão, ansiosos para saber quem ganhou a corrida para a Casa Branca. Se Joe Biden, o desafiante democrata, ou se o atual ocupante, o republicano Donald Trump.

O resultado afeta a vida de todos, pelo fato de que os Estados Unidos são ainda o país mais influente e poderoso, bélico, cultural e financeiramente, do mundo.

Especialmente os mercados mundiais estarão atentos aos números da apuração e do colégio eleitoral.

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Vencedor leva tudo

Antes de mais nada, como o voto nos Estados Unidos não é obrigatório, há um esforço duplo dos candidatos para vencer: convencer que seu programa de governo é o melhor e convencer a pessoa convencida a ir votar.

Ademais, o candidato que tiver a maior quantidade de votos pode, inclusive, não sair vitorioso. Isso já aconteceu e o motivo é o colégio eleitoral.

Cada um dos 51 estados norte-americanos, dependendo da população, tem direito a um certo número de delegados. No total, são 538 delegados no colégio eleitoral.

Estados-chave são a Califórnia (55 delegados), Texas (38), Flórida e Nova York (29 cada), Illinois e Pensilvânia (20 cada) e Ohio (18).

É eleito o candidato que conseguir o voto de pelo menos 270 delegados.

O candidato que vence no estado leva todos os delegados. Só o Maine (4 delegados) e Nebraska (5) não seguem essa regra.

Ou seja, é perfeitamente possível receber mais votos nacionais e não levar a maior quantidade de delegados.

Por isso, o investidor precisa ficar atento na apuração de cada estado, para compreender quem pode ser eleito.

Tendência histórica dos Estados americanos nas eleições

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Fonte: BTG Pactual, Bloomberg, FiveThirtyEight

Impactos para o mercado com a vitória de Trump

Caso Trump seja reeleito, é provável que as tensões com a China continuem. No começo de 2020, pré-pandemia, houve até avanços em um acordo entre os países e a chamada Fase 1 foi assinada.

Mas ainda há muitas arestas.

Além disso, Trump tem problemas dentro do próprio partido. Ele não é unanimidade entre os republicanos.

Desse modo, os projetos do governo podem encontrar dificuldades.

Entretanto, esse é só um detalhe. O partido já deverá pensar em um nome para suceder Trump, que não poderá tentar nova reeleição em 2024. Há, assim, a possibilidade de isolamento do presidente.

Trump também não é exatamente um defensor da ciência e de organismos internacionais de colaboração entre nações.

No caso da pandemia, sua atuação negacionista dificulta a diminuição do avanço da Covid-19, o que atrasa a recuperação da economia.

Consequentemente, sua administração não é muito empenhada em acertar um pacote de estímulos à economia, como vêm esperando os agentes de mercado de todo o mundo.

Impactos para o mercado com a vitória de Biden

Ao contrário, o partido democrata, ao qual pertence Joe Biden, busca um pacote de estímulos mais amplo e robusto, que é o que o mercado espera.

Mas há outros impactos com sua vitória.

Internacionalmente, há a possibilidade de reaproximação com o Irã, com o fim das sanções atualmente impostas, o que pode levar a um acréscimo na oferta de petróleo. Isso fatalmente mexeria no valor da commodity.

Desde já, vale lembrar que é um tipo de avanço diplomático que leva tempo, mas talvez não tanto a ponto de acontecer antes de uma vacina eficiente contra a Covid-19.

Isso daria ao mundo uma oferta de petróleo ainda em tempos de pandemia e com possibilidades de lockdown, com demanda ainda reprimida por petróleo.

O próprio Biden poderia pensar em fechar a economia norte-americana em certo nível, caso a pandemia se torne mais vigorosa em seu território.

Biden também regularia setores como energia e de saúde, uma das suas bandeiras. Mais regulação não é exatamente o que os agentes de mercado gostam.

Haverá um aumento de impostos, com taxação sobre ganhos de capital, por exemplo.

Margens de últimas vitórias

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Eleições EUA

Impostos

Como bem lembra o analista Arthur Mota, da Exame Research, o Congresso local votou o programa de redução de impostos de Trump, no final de 2017.

“Entre o ‘antes da aprovação’ e ‘um mês após a aprovação final no Senado’, período em que assumimos como acomodação da nova realidade por parte do mercado, o S&P 500 mostrou performance bastante positiva”, escreve o analista.

A princípio, “vale ressaltar que Biden registrou intenção de reverter parte dessa política, evelando a alíquota de 21% para 28% (antes era 35%), lembra.

Contudo, novas mudanças nessa questão podem vir.

Probabilidades

Não é só a Casa Branca.

O risco de Trump ou Biden ficar isolados, caso o partido opositor ganhe a Câmara dos Representantes ou o Senado, também é algo que o investidor deve ficar atento.

São muitas as possibilidades.

Primeiramente, a chance dos republicanos levarem a Casa Branca, a Câmara e o Senado é nula.

Já a chance dos democratas fazerem essa varrida é de 71,3%, segundo o analista Mota.

Zero também é a chance de Republicanos levarem a Câmara e a Casa Branca, com os democratas ficando com o Senado.

Sobe para 0,2% a possibilidade de Biden ser eleito e os republicanos tomarem a Câmara e o Senado, o que deixaria o impasse político bastante acirrado.

Trump ser reeleito e os democratas levarem o domínio completo do Congresso é uma chance de 3%.

Há 23,8% de chance de Biden ser eleito e os democratas continuarem no controle da Câmara e os republicanos continuarem no comando do Senado, o que deixaria o impasse nos níveis de hoje.

Relação com os mercados

Na média das eleições norte-americanas desde 1900, o índice S&P 500 mostrou performance positiva até 12 meses depois da eleição.

É o que informa o analista da Exame Research.

Ele acredita que isso acontecerá novamente “justamente pelo processo de retomada da economia e pelo anabolizante de estímulos da política fiscal e monetária dos EUA”.

Além disso, “há um certo mito de que a gestão dos democratas pode ser pior para as bolsas americanas por causa de alguma inclinação menos pró-Wall Street na comparação relativa com os republicanos”.

Dow Jones

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Fonte: BTG Pactual e Bloomberg

Mas Mota mostra que de forma “histórica e pelo Dow Jones, a gestão republicana não necessariamente coincide com os períodos de maior retorno para os investidores”.

É uma questão de estatística.

Ele ressalta ainda que “não é possível fazer uma inferência direta do impacto da eleição americana na bolsa brasileira”.

Entretanto, no geral, o Ibovespa tem “performado bem nos 12 meses pós-eleição desde 1972 (considerando o índice deflacionado)”.

“A recuperação esperada para 2021 pode fazer o próximo ano entrar nessa estatística positiva para períodos pós-eleitorais”, diz.

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