Para onde vai o dólar: o “buraco de Jackson” é o tema da semana

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Divulgação

Começa a convenção anual da “firma”. A partir de quinta-feira (26), o Federal Reserve (Fed) reúne o seu board (virtualmente) para o encontro de Jackson Hole no Wyoming. A reunião é tradicional e ocorre todos os anos desde 1982. O simpósio discute, entre outras coisas, os caminhos da política econômica adotada pela instituição.

E o que nós temos a ver com Jackson Hole?

Muito. Todo ano, existe uma pergunta que incomoda mais o mercado e o foco fica muito dedicado a uma resposta para ela. Para agora, todos querem saber quando começa o tapering. Nada menos que a diminuição da compra de bonds que atualmente colocam US$ 120 bilhões no sistema ao mês. Justo…

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E pode “dar ruim”?

Pode sim. Se fosse para apostar, o momento mais esperado da reunião é o discurso do chairman, programado para ocorrer na sexta-feira (27). Jerome Powell pode deixar escapar algo fora do programado e afetar o humor dos investidores. A chance é pequena, mas ela existe…

E me explica essa do dólar esta semana…

Estão deixando a gente sonhar, já diria um importador que entrou em contato conosco na última terça-feira. Se até a quinta-feira (19) a cotação mirava os R$ 5,50, já existe esperança para voltarmos aos R$ 5,10 nos próximos dias… É muita volatilidade, meus amigos. But not so fast… A queda foi praticamente no vazio e do mesmo jeito que desceu, pode subir tudo de novo. E de elevador, vale dizer.

Já no Planalto Central…

Seguem as discussões entre os poderes, faltando pouco mais de 2 semanas para o feriado de Sete de Setembro. Com manifestações de rua convocadas pelos dois lados, a expectativa segue alta pelo menos no discurso (e na imprensa, claro). De fato relevante, vale ficar de olho em como evoluem as reformas no Congresso. Ainda a passos de tartaruga, é verdade…

E o que esperar para o dólar?

No curtíssimo prazo, continuamos relativamente otimistas. O problema está um pouco mais à frente, com a temperatura política subindo. E, obviamente, com o tapering que, na minha opinião, deve ser anunciado já na próxima reunião do Fed.

Ou seja, para os importadores, seguimos em uma bela janela para liquidar parte das obrigações em moeda estrangeira. Ou dolarizar uma parcela dos investimentos no caso dos nossos clientes…

Obrigado, bons negócios! Câmbio, desligo.

Por Alexandre Viotto, head de Câmbio e Comércio Exterior

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