Dólar: inflação, pacote de infraestrutura e ruídos políticos no radar

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Inflação, mais incentivos nos EUA e muito barulho em Brasília. Esse é o cenário atual para o dólar.

Foi divulgado nesta quarta-feira (11) o CPI nos EUA, índice de preços ao consumidor, nada menos que o equivalente ao nosso IPCA – respeitando uma “licença poética” aqui, claro…

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Pois bem, o número de 0,5% de alta foi considerado “moderado” por muitos, como a Bloomberg, por exemplo. Bateu no que os analistas estavam esperando (ou seja, nada de temporário), porém não acendeu a luz vermelha por lá. Redução dos estímulos? Acho que demora mais um pouco…

E no Brasil?

Mesmo com o Banco Central atuando, a alta de preços segue preocupando os investidores. A pesquisa Focus da semana que vem deve refletir este sentimento de forma mais clara. Já tem casa de análise colocando a Selic em 8,25% ao final de 2021, bem além dos 7% dado como certo algumas semanas atrás. Eu só espero que o Banco Central não erre a mão de novo, desta vez para cima…

Dólar, Biden e a “nova matriz econômica”

Não fiquem bravos comigo, mas não tem como deixar de fazer um paralelo com o Governo Dilma… Após passar no Senado o pacote de US$ 1 trilhão para infraestrutura, a proposta chega à Câmara. Até aí tudo bem (nem tanto)…

O problema é que, segundo a presidente da Casa (Nancy Pelosi), a proposta vai ser votada em conjunto com uma outra medida. Um “pacotinho” de mais US$ 3,5 trilhões, este voltado para saúde, ESG etc.

Governo induzindo crescimento?

Se fosse em algum país em desenvolvimento ou nas repúblicas socialistas de antigamente, tudo bem. Mas, nos EUA, é (relativamente) uma novidade… Ainda mais nestes setores da economia.

Os resultados pelo menos no curto prazo devem ser uma melhora nas expectativas para bolsa e ativos de risco (hello, real!). Porém, a médio e longo prazos, devemos ter inflação e uma pressão maior no fiscal da maior economia do mundo. A conferir…

Já o dólar…

Continua na mesma… Operando na tal banda de R$ 5,10 a R$ 5,30 até maiores novidades.

Nesta semana, já tivemos pressão para encostar no teto deste intervalo. Mas a ata do Copom ajudou a arrefecer este movimento. Por hora, vale ficar atento aos movimentos no Congresso e à troca de farpas entre Supremo Tribunal Federal e Planalto. Aliás… “obrigado” pela confusão Brasília. Nunca decepciona…

Por Alexandre Viotto, head de câmbio daEQI Investimentos

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