Alô, câmbio: aversão ao risco imperando nos mercados

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Jcomp/Freepik

Na sequência de feriados na China, EUA e Brasil, os investidores seguem no mínimo preocupados. Muitos haviam “comprado” a informação de que a inflação seria temporária. Ou apostaram em uma regularização mais rápida das cadeias de produção. O resultado é uma ressaca generalizada no mundo financeiro que está demorando a passar…

A causa já é bastante conhecida…

Ainda mais se você tem mais do que 35 anos e possui uma vaga lembrança da época anterior ao Plano Real. Governos que gastam demais e imprimem moeda acabam por causar um processo inflacionário nas economias. E sem querer fazer juízo de valor aqui, se era ou não necessário, o fato é que a conta chegou. Reativar o PIB com gasto público iria dar nisso, independentemente do país que optou por esta estratégia.

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Pode até ser temporária. Mas até quando?

Verdade. Jerome Powell e seus “amigos” têm defendido essa questão desde o ano passado. E nós, aqui na EQI, seguimos batendo na tecla de que emissão de moeda leva à inflação. Não custa lembrar… 20% de todo o dólar emitido desde a revolução americana foi “impresso” nos últimos 14 meses. Não tinha outro jeito. Tão simples quanto as leis da física, a inflação nos EUA também tinha que disparar… Colocando em perspectiva, aos maiores níveis dos últimos 30 anos.

Basta conferir o CPI desta quarta-feira

O índice de preços ao consumidor mais uma vez surpreendeu os analistas, com uma alta de 0,4%. Tá ok que que metade deste valor é alimento e energia, mas o problema segue persistente. A ponto das pesquisas colocarem a aprovação de Biden nas mínimas, abaixo de 40% inclusive…

E para “ajudar”, estamos com choque de oferta em várias linhas.

Exato. Além da emissão massiva de moeda, faltam produtos primários. Uma parte explicada pelo choque nas cadeias de produção por conta da pandemia. A outra face são os problemas de suprimento em itens como carvão, gás natural, petróleo… O custo de energia segue bastante pressionado, sem previsão de regularização. E nem entramos no inverno mais ao norte do globo.

O dólar segue pressionado por aqui

O Banco Central segue correndo à frente da curva quando comparado aos nossos pares lá de fora. O próprio Boletim Focus já coloca a Selic em 8,75% em 2022. Pela “regra”, o dólar deveria estar ao menos comportado… Deveria. Porém, as reformas seguem patinando, o barulho em Brasília segue alto e a eleição mal começou. Ou seja… O grau de imprevisibilidade segue bem alto.

Por hora, sem medo de errar (mas podendo acontecer, claro): o real deve continuar sob pressão, mesmo com a inflação em outras divisas. E, pelo menos até segunda ordem, o dólar deve ficar bem mais próximo de R$ 6 do que R$ 4,50.

Bons negócios e até semana que vem! Câmbio desligo.

Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior daEQI Investimentos