Alô, câmbio: como fica o dólar com crise energética e alta de juros?

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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As empresas chinesas de alumínio  sendo obrigadas a desligar suas plantas. A Europa subsidiando gás natural… O preço do carvão batendo recordes. E claro, o barril de petróleo nunca esteve tão caro em reais, acima de US$ 75 desde a semana passada. Isso tudo somado ao agravante da estiagem no centro-sul do Brasil. O problema é mesmo global… mas o que o dólar tem a ver com tudo isso?

O desafio da “onda ESG”

Com todo o cuidado e correndo um risco enorme de ser criticado, defendo que a conta da tal “onda ESG”, chegou. Isso porque as tais políticas ESG, que são maravilhosas no papel, se revelam extremamente complicadas de serem executadas na sua plenitude…

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Desde 2011, o investimento em fontes “sujas” como prospecção de novas áreas de exploração de petróleo e carvão só vem caindo. Basta conferir a linha de P&D de multinacionais como Shell, BP, Exxon, entre outras… Sem novas fontes de matéria-prima, o resultado não poderia ser diferente. O preço destas commodities só poderiam subir mesmo. E isso foi feito com a nobre desculpa de salvar o planeta. Quem poderia ser contra, não é mesmo?

O mundo ainda depende muito de óleo

Sim… Isto pode soar decepcionante e vai contra o que parte da mídia (e mercado) defende. Porém, ainda não existem substitutos economicamente viáveis para os combustíveis fósseis.

Energias renováveis como a solar e a eólica por exemplo, ainda dependem de subsídios governamentais para existir. E se tem alguém com subsídio, na outra ponta tem outro pagando… Simples assim.

O case daquela empresa de carros elétricas bem famosa

Basta ver o modelo de negócio da Tesla… A empresa depende das receitas de crédito de carbono para ficar no azul, e não é de hoje. O mais “interessante” é que esse excedente de caixa provém de empresas que produzem carros movidos à combustão. Estas precisam pagar pelo carbono emitido. Até aí não haveria problema, apenas por um pequeno detalhe… Os carros mais baratos, na prática, precisam pagar uma sobretaxa para sustentar os carros de luxo da empresa de Elon Musk. Fato que vai na contramão da ideia de inclusão ou coisa parecida, não é mesmo? E notinha de rodapé: viu por que ele critica tanto o Bitcoin?

Enquanto isso, a inflação segue pegando aqui e lá fora

E não tem jeito, meus amigos. Se a energia, item primário de produção sobe, o preço de toda a cadeia vai na mesma linha. O valor das coisas dispara e o poder de compra da população cai. E aí chegamos à chamada segunda derivada do processo… Com a moeda perdendo valor, cabe aos bancos centrais o papel de defender o poder de compra das pessoas. O principal meio de fazer isso? Alta de juros, claro… Ou seja, fica mais caro para tomar crédito, fazer investimentos, etc.

Dólar: spoiler para Copom e Fomc?

Sendo assim… O Banco Central Brasileiro já avisou que vai repetir (no mínimo) 1% de alta na próxima reunião. E o Federal Reserve (Fed) já deu pista de que começa o tapering em novembro, para subir juros até o final de 2022. Mas será mesmo? Começo a achar que o 0,25% de alta nos Fed Funds pode ocorrer ainda no primeiro semestre do ano que vem…

Com isso, o dólar…

O câmbio segue pressionado, claro. Mesmo com o Brasil sendo franco exportador de commodities e o Banco Central subindo juros, não tem jeito. O motivo para isso é a insegurança dos investidores, ainda desconfiados de Evergrande (China) e outras encrencas lá fora. Isso sem falar de Brasília e sua usina de geração de fatos “inesperados” aos investidores. A conferir…

Abraços e até semana que vem. Câmbio desligo!

Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior

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