Alô, câmbio: Super Quarta com Fed e Copom… o que muda?

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O mercado ainda está digerindo o dia de ontem, após Jerome Powell dizer que o tapering pode começar em novembro.
Mas o que pegou mesmo foi a notícia de que a Evergrande teria conseguido liquidar os juros que seriam debitados hoje.
Ou seja, o calote, pelo menos por hora, está afastado… E atendendo a pedidos, vamos explorar um pouco mais este tema hoje.

Do que estamos falando mesmo?

Aproximadamente 75% dos investidores chineses colocam dinheiro em imóveis. Comparado com os americanos (30%), já dá para entender que a poupança da população depende desse mercado “saudável”. É comum dizer que o chinês investe em imóvel e especula na bolsa…

O tamanho da encrenca

A dívida é de US$ 300 bilhões e aproximadamente 1/3 desse valor está na mão de credores externos. Entre 1.2 MM e 1.7 MM de unidades estariam para ser entregues pela construtora, em fases diferentes de conclusão. Ou seja… Se Pequim abandonar a empresa à própria sorte, podemos sim ter um problema sistêmico por lá…

Porém, olhando em perspectiva…

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A Evergrande corresponde a (apenas) 4% do mercado imobiliário chinês. Isso mostra uma pulverização bem grande do risco e sem dúvida, facilita o trabalho do governo diluindo o problema em outros players, por exemplo. Outro fator que também ajuda é o fato de os bancos por lá serem todos estatais. No final do dia, quem vai pagar a conta é o próprio contribuinte mesmo.

Ah, mas eu li que era o novo Lehmann…

Calma lá… Para virar uma crise como a de 2008 ainda falta muita coisa.

E não podemos esquecer que hoje em dia os bancos centrais possuem muitas ferramentas para assimilar estes riscos. Ou em outras palavras, perderam mesmo a vergonha em imprimir dinheiro para sustentar os mercados. Hoje, vivemos uma nova fase do chamado “capitalismo”, com muito mais intervenção estatal.

Powell, sempre ele…

Enquanto isso, o Fed decidiu manter os juros no mesmo lugar por enquanto. Mas tivemos novidades… Se você segue os principais analistas do país, deve saber que quase ninguém apostava em anúncio de tapering para agora. Tanto que no comunicado da decisão, não tivemos nada… Muito bem. Só que…

Jerome Powell, na entrevista pós-reunião, “deixou escapar” que o Banco Central deve começar a diminuir a compra de bonds. E já em novembro… Além disso, comentou que os juros podem voltar a subir em 2022, sendo que a previsão inicial era só em 2023. Fed hawkish, quem diria…

Brasil

O Congresso tenta acelerar a votação da PEC dos precatórios. E o Copom sem novidade… Alta de 1%, já mirando uma SELIC na casa dos 8,5% ao final de 2021. Para as próximas semanas, vale continuar atento à Brasília e eventuais “novidades” em relação às reformas. Especialmente a do imposto de renda, uma preocupação grande para muitos empresários.

Falando nisso, a recente alta do IOF sobre empréstimos pode ser usada como moeda de troca neste tema. Dado que o governo tem defendido a tributação dos dividendos e “precisa” subir o valor dos programas de transferência de renda. O argumento será: aprovem a reforma que o IOF volta para os patamares anteriores. De tão simples, chega a ser óbvio.

Abraços! Câmbio, desligo.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior daEQI Investimentos

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