Alô, câmbio: Brasília segue agitando os mercados e o dólar, no elevador

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Reprodução / Pixabay

O clima é de tensão no Cerrado…

A regra de que Brasília nunca decepciona e quem gosta de fortes emoções mais uma vez se fez valer. No “barata voa” que tivemos nos mercados esta semana, o problema segue sendo o sagrado fiscal… Sempre ele.

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Mas de novo a questão fiscal?

Sim. A dúvida continua sendo se o Planalto vai manter o “sacrossanto” teto dos gastos ou se aventurar em um aumento de despesas. Independentemente dos motivos, nobres ou não, os investidores ficam de cabelo em pé só com a possibilidade de haver gastos acima do esperado. A hora é de cortar despesas e não seguir com o cheque em branco…

Bolsa perdendo para todo mundo… literalmente

Ontem (20) foi dia de conseguirmos destaque em um ranking nada interessante. Enquanto Europa e Américas operavam no azul, o Ibovespa seguia no negativo. Foram poucos os papéis que suportaram a pressão de queda por conta do barulho gerado no político.

E ainda temos CPI

E só para não dizer que não tocamos no assunto, juro. Apesar de não acreditar em grandes desdobramentos em relação ao tal relatório da Comissão, o noticiário ruim ao Planalto não ajuda. Mesmo sem grandes novidades neste tema, pelo menos por enquanto. Devemos aguardar as cenas dos próximos capítulos…

E o dólar?

O Dólar, com toda essa confusão, segue pressionado, em um movimento que não foi maior só por culpa do Banco Central. Aliás, este segue enxugando gelo, sendo o principal vendedor da moeda americana no momento.

E já que lembramos dele:

Semana que vem tem Copom. As apostas eram para uma alta de 1%, mas o barulho todo em Brasília já fez parte dos analistas acreditar em 1,25%. Eu acho demais.

Muito mais provável o Banco Central seguir o comunicado da última reunião, repetindo a mesma dose do remédio. Politicamente, não seria um bom sinal mudar o call por conta de um problema gerado dentro do próprio governo.

E dólar no resto do planeta?

Com tapering à vista lá fora, problemas ainda sem solução com o mercado imobiliário chinês, Europa patinando com inflação, eu sigo relativamente pessimista com a nossa moeda. Não tem outro jeito. Independentemente do que o Banco Central brasileiro vier a fazer.

Aos exportadores, a hora é de aproveitar a janela. Já para os importadores, talvez valesse a pena esperar um pouco para ver se a turbulência ameniza.

A conferir…

Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior