Alô, câmbio: Powell 2.0; chegou a hora de “normalizar” no Fed

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O ano de 2022 mal começou e boa parte das expectativas em relação à atuação do Federal Reserve (Fed) já mudou. Você deve se lembrar de algumas semanas atrás, quando a imensa maioria do mercado colocava como certa uma alta de juros para meados de junho próximo. Pois bem… Nem chegamos à metade de janeiro e já tem gente apostando em até 5 elevações. E isso muda muita coisa…

A vantagem para você, leitor assíduo das nossas colunas, é que estamos em tempo de Money Week. Com um time incrível de palestrantes, deixo aqui o convite para ouvir o que eles têm a dizer. O evento começou na última terça dia 11 e vai até amanhã, dia 14. Vale muito a pena conferir…

O novo mandato de Powell

Na última terça-feira, o chairman do FED foi reconduzido a mais um mandato. Para esta nova fase, ele comentou (em tradução livre) que a economia não estaria mais necessitando de “suporte extraordinário”. E foi mais além… Disse também que existe a possibilidade de diminuição do balanço da instituição. O que ele descreveu como “normalização” …

Dólar e inflação?

Se até então o problema era reativar a economia em tempos de pandemia, agora é hora de segurar a alta de preços. E apesar de haver uma gama bem grande de ferramentas para isso, o próprio mandatário já disse que vai usar a taxa básica de juros para isso. Ou seja, aumentam as apostas para a primeira alta de 0,25% ocorrer já em março.

Por incrível que pareça, acalmou a “turma”.

O discurso serviu para segurar em parte a ansiedade dos investidores. Como não poderia ser diferente, havia o receio de um movimento brusco por parte do Fed. Quem estava no mercado na primeira década do século lembra das “marretadas” de juros dada na gestão de Alan Greenspan. Ao que parece, pelo menos por hora, não será assim…

O mundo mudou em 2009

Antes da crise financeira, o papel dos Bancos Centrais nos países desenvolvidos era bem diferente, ao contrário de hoje, com a autoridade monetária atuando como um verdadeiro indutor para os mercados. Um bom termômetro disso é o próprio balanço do Fed. Se em 2007 ele estava na casa de US$ 800 bilhões, hoje ele é nada menos que 11 vezes maior, chegando perto de US$ 9 trilhões.

Câmbio e a pandemia

Infelizmente continua viva, com notícias de lockdowns na China. Apesar da nova variante dar sinais de ser menos agressiva, o nível de contágio tem sido bem grande. Muitas indústrias têm sofrido com a ausência de funcionários, porém o problema em termos econômicos é a pressão na própria inflação. Com as cadeias produtivas ainda debilitadas, é natural que a escassez de mercadorias impacte os preços.

E o dólar?

Segue (bastante) volátil… E não poderia ser diferente. Todo começo de ano é pautado por uma liquidez menor. Somente por este fato já teríamos movimentos mais bruscos na moeda brasileira. Este fato somado a tudo o que falamos do Banco Central americano e uma certa TPE – “tensão pré-eleição” ajudam ainda mais no processo.

Conforme comentei no começo, estamos em semana de Money Week aqui na Eu Quero Investir e dois dos nossos entrevistados deram o tom do que vem por aí. O ex-presidente Michel Temer e o eventual candidato do Podemos, Sérgio Moro abriram o nosso evnto. E foram enfáticos nos temas que devem direcionar a próxima eleição, como fiscal, privatizações e outros temas “caros” à economia.

Uma ótima semana! Câmbio, desligo.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior daEQI Investimentos