Alô, câmbio: a subida do “pé direito” do teto de gastos

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Todo engenheiro, arquiteto, ou você mesmo que já construiu alguma vez na vida sabe do que estou falando. O “pé direito” é a distância entre o piso e o teto de um cômodo ou de toda uma edificação. Pois bem… O Governo acaba de aprovar uma reforma que ampliou este espaço, visando acomodar os gastos previstos para o orçamento do ano que vem.

O tal Teto de Gastos…

Entre as principais medidas aprovadas no então Governo Temer, o “teto” foi senão a mais importante na minha opinião. Esta regra impõe à União um limite ao orçamento, não podendo ultrapassar o que foi gasto no anterior. Isso somado à inflação dos 12 meses anteriores ao mês de junho. Um belo freio na ânsia por aumentar as despesas por parte do Estado.

Mas lá atrás a lei tinha exceções já…

Transferências constitucionais aos entes da federação, complementações ao Fundeb, capitalização de estatais. E despesas da Justiça Eleitoral… Estes gastos podiam ficar de fora segundo o texto original. Até que tivemos a pandemia e o que entrava a tal PEC Emergencial também entrou no “telhado”.

E agora, romperemos o Teto?

Depende do ponto de vista. Para boa parte do mercado, sim… E isto está em boa parte dos jornais desde que a Câmara passou em segundo turno a PEC dos Precatórios. A regra lá de 2016, foi mudada, não há dúvida. E por conta deste fato, você vai ler que o houve rompimento do mesmo. Porém, legalmente falando, o governo subiu o pé direito… Ou elevará o teto por assim dizer.

E as eleições brasileiras?

Começam a aparecer os candidatos para 2022. Já comentamos que teremos dois “titãs de votos”, praticamente garantidos na urna do ano que vem. Agora falta ver se teremos (ou não) uma eventual terceira via com chances de emplacar. Por hora, seguem as articulações nos partidos sem grandes surpresas.

Câmbio: E lá fora?

Ao contrário do que vemos em terras tupiniquins, segue a euforia. Bolsas estão nas máximas, commodities idem… Mesmo com inflação pegando forte e redução de estímulos na pauta de vários bancos centrais, a começar pelo FED. Mesmo com Biden passando um pacote relativamente desidratado no Congresso há alguns dias.

E para não dizerem que não comentei…

Atendendo a pedidos dos nossos clientes: o Bitcoin bateu mais uma máxima esta semana, puxado principalmente por declarações do CEO da Apple.

Por outro lado, ainda no noticiário que dá “view”, a Tesla perdeu boa parte do valor de após Musk fazer uma enquete perguntando se deveria vender parte da sua participação na companhia. Volatilidade que chama, não é mesmo?

Câmbio: E o Real?

Deve seguir pressionado por conta de “Brasília”… Mesmo com um maior diferencial de juros (SELIC com tendência de alta) nas máximas desde antes da pandemia. E o preço de produtos primários batendo recordes, salvo para itens como o minério de ferro. Mas isto é assunto para o nosso time de Research aqui da EQI.

Bons negócios! Câmbio desligo.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior daEQI Investimentos