Dólar segue consistentemente acima de R$ 5 (sim, de novo!)

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
1

Crédito: Marcello Casal jR/Agência Brasil

Com o  movimento de queda do dólar das últimas semanas, muita gente começou a se animar bastante por aqui… Será que a nossa moeda voltaria ao patamar de R$ 4 ainda em 2021? Viagem para o exterior ficou mais barata? Partiu Miami? Pelo menos por enquanto, isso não passou de uma doce ilusão…

Moeda Emergente que mais valorizou

É fato… O real vinha com uma performance excelente em 2021. Recuperou parte das perdas do ano passado e vinha a passos constantes para diminuir ainda mais o “prejuízo”.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Outros pares do Brasil não chegaram nem perto deste movimento, tal como o rublo ou a própria lira turca… Éramos o orgulho dos emergentes e, até certo ponto, a bola da vez para muitos investidores gringos.

Banco Central à frente da curva

O principal fator para esta melhora foi sem dúvida, a atuação do Banco Central. Começando a cuidar da inflação antes de outros bancos centrais, deixou o real mais atrativo. A ponto do carry trade (ou custo de carrego) retornar aos níveis de 2019.

Os dólares voltaram e a nossa moeda não tinha outro caminho senão apreciar mesmo… Claro que nas chamadas CNTP (condições normais de temperatura e pressão) – meu professor de física do colégio deve ter adorado essa.

Até o fiscal ajudou o dólar…

Até mesmo o maior vilão das contas públicas, ajudou. O déficit nominal caiu com aumento da arrecadação (batendo recordes). E claro, a recuperação em V para diversos setores foi a cereja do bolo para melhorar a percepção da capacidade de refinanciamento do governo. Quem diria isso a um ano atrás não é mesmo?

Mas nem tudo são flores e aquela viagem ao exterior com direito a muitas compras, esfriou… Pelo menos por enquanto.

Dólar e o risco Brasília

Sempre ele… Com as eleições no horizonte e uma polarização muito grande, o nível de incerteza aumentou. Com gravações para cá e para lá, ameaças de divulgação de fatos “bombásticos” a todo instante, não poderia ser diferente mesmo. Sigo insistindo aqui de que a eleição já começou. E é bem verdade, está um pouco cedo para isso…

E o Fed?

A cada reunião que passa, a autoridade monetária parece estar preparando o mercado para um aperto monetário. Antes os juros subiriam só no segundo semestre de 2023. Depois, subiriam duas vezes ATÉ o final de 2023…

Agora o Fed já avisou que quase metade do board quer uma alta já no ano que vem.  Em doses homeopáticas ou não, já estamos todos de sobreaviso por assim dizer.

Dólar: recomendações finais…

Se segura na cadeira porque o risco segue alto aqui e lá fora. O segundo semestre já começou meus amigos… Hedge e parcimônia nunca fizeram mal para ninguém. A conferir…

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da  EQI Investimentos

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo