Alô, câmbio: para onde vai o Fed na semana que vem?

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Jcomp/Freepik

Ontem (9) tivemos mais uma decisão de Política Monetária aqui no Brasil. Passada esta etapa, toda a atenção se volta para a reunião do FOMC na próxima quarta-feira. A tão esperada decisão que tende a acelerar o fim do chamado quatitative easing (QE).

Câmbio: o tal do QE

Tendo (re)começado para minimizar os efeitos da crise, hoje as compras de bonds já não seriam tão necessárias. O principal problema está na inflação que chegou a ser taxada como temporária pelo banco central dos EUA. Acontece que injetar mais dinheiro na economia sempre dá em aumento de preços, salvo em raríssimas exceções. Nem o dólar escapou…

Um “sprint” para o fim do tapering

Até a última reunião, os US$ 120 bilhões mensais seriam reduzidos a uma taxa de menos US$ 15 bilhões ao mês. Neste ritmo, o tapering (que é justamente o inverso do QE) zeraria o saldo em 8 meses. Isto até as declarações de Jerome Powell, presidente do Fed, feitas na semana passada.

As apostas em (menos) US$ 30 bilhões

Várias “casas” já colocam o encerramento do QE para março do ano que vem. E não menos relevante, vão um pouco mais longe, apostando em uma alta de juros já em junho de 2022. Ou seja, bem antes do final de 2023, a estimativa que tínhamos no começo do ano corrente.

Ômicron e o câmbio

Sim. A nova variante do Covid, apesar de seguir assustando, não deve influenciar muita coisa. Pelo menos nos planos do FED para tentar trazer a inflação para o centro da meta. E aqui cabe um pouquinho de teoria econômica…

Por mais que a oferta de produtos se estabilize, o principal fator para a alta de preços precisa ser estancado. Ou seja: a injeção cavalar de dinheiro no sistema…

Dólar a R$ 6 em 2022

Já tem gente colocando dólar a R$ 6. Por enquanto, são alguns bancos “gringos”, é verdade. E nem preciso dizer que tudo pode acontecer – prever o dólar é pior do que tentar acertar o tempo…

Porém, contudo, todavia, os fatores no horizonte parecem apontar para uma desvalorização do real. Por hora, nada muito agressivo (como tivemos na Turquia recentemente)…

Câmbio: fatores para desvalorizar o real 

Fatores, que fatores? Eleição no Brasil, somado ao tapering e alta de juros nos EUA tendem sim a ajudar no fortalecimento do dólar frente ao real.

Ninguém aqui está dizendo para você comprar dólar. Mas, sim, considerar como parte de uma estratégia de hedge contra tempestades logo ali no horizonte.

Bons negócios! Câmbio desligo.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior daEQI Investimentos