Alô, câmbio: a bola de cristal para 2022. Confira a coluna de Alexandre Viotto

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Tudo bem com você? Começo desejando a você, familiares e negócios um excelente 2022. E que ano teremos pela frente… E para não fugir dos temas tradicionais desta época do calendário, vamos ao que deve “bombar” nos próximos 12 meses. Sendo assim, portas em automático e vamos lá…

O câmbio e a pandemia

Infelizmente ela ainda persiste. Novas variantes, risco de novos lockdowns, discussões acaloradas a respeito da quantidade ideal de doses… E “passaporte” de vacina. Tudo isso deve seguir afetando o humor dos mercados ao redor do planeta.

Principais ativos impactados: bolsas, commodities e moedas emergentes.

Europa e relação com a Rússia

A sequência de decisões em relação à política enérgica no velho continente acabou por ampliar a dependência do continente ao gás russo.

Apesar da existência de uma simbiose (quase) perfeita entre os dois lados, a balança de poder parece pender mais para Moscou. A ponto de Putin exigir garantias nunca exigidas da Otan, mesmo em tempos de Guerra Fria.

A Ucrânia deve seguir como ponto focal e ocupando as manchetes de geopolítica nos próximos meses.

Principais ativos impactados: commodities energéticas e bolsas (euro).

O câmbio e a China

Mercado imobiliário sob pressão, riscos sanitários e a questão com Taiwan. O gigante asiático continua sob pressão para solucionar estes e outros itens da sua pauta econômica e geopolítica. A minha aposta para os próximos meses é uma maior aproximação com a Rússia, contrapondo os movimentos dos EUA e aliados na região.

Atenção para a forma com que Pequim vai lidar com o yuan e o gerenciamento da pandemia “dentro de casa”.

Principais ativos impactados: bolsas, commodities e moedas emergentes.

O câmbio e a inflação

Principal preocupação dos bancos centrais atualmente, a inflação deve seguir no centro das atenções.

No Brasil, já estamos em um eventual fim de ciclo de altas da Selic. Já no exterior, o processo sequer começou, com Banco da Inglaterra (BOE) subindo ligeiramente os juros e o Federal Reserve (Fed) ajustando a compra de títulos. A conclusão do tapering para depois uma alta nas Treasuries é esperada para até o final do primeiro semestre.

Principais ativos impactados: taxas de juros, moedas e bolsas.

Câmbio e popularidade de Biden

Não é de hoje que o democrata tem sofrido com a queda de apoio dentro das suas próprias trincheiras. A aprovação do pacote de US$ 2 trilhões foi bloqueada ao final do ano passado por uma decisão de um Senador “aliado”. Lembrando que teremos eleições legislativas por lá, com a Casa Branca correndo sérios riscos de perder maioria nas duas Casas Legislativas.

Principais ativos impactados: moedas, bolsas e commodities.

Câmbio e eleições no Brasil

Que dúvida não é mesmo? Com dois lados já bem definidos, a mídia vai se dedicar à eventual ascensão de um terceiro nome para a disputa. E para quem tem mais de 4 anos de “Brasil”, o script é bem definido…

  1. Mercado escolhe um candidato (ou dois) para “torcer”;
  2. A cada pesquisa que sair, se o candidato preferido estiver bem, US$ cai e bolsa sobe;
  3. Se for o “outro”, US$ sobe e Bolsa cai;
  4. Seguimos assim até acabar os dois turnos. Com muita volatilidade…

Com a eleição decidida, costuma acontecer um rali de ativos mais arriscados logo após as urnas serem apuradas. Ganhando o lado preferido ou não… É o tal do otimismo, que sempre aparece após uma disputa bastante acirrada. E depois viveremos das escolhas de ministros, eventuais políticas ou planos a serem implementados etc.

Principais ativos impactados: real, bolsa, taxas de juros e índices futuros de inflação.

Oportunidades à vista!

Um ano tão agitado assim só pode se traduzir em riscos e muitas oportunidades. Sendo assim, conte com o nosso time de especialistas aqui na EQI para auxiliar a tirar o máximo resultado dos movimentos que teremos na sequência.

Feliz Ano Novo! Abraços! Câmbio desligo.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior daEQI Investimentos