Alô, câmbio: inflação e fiscal seguem impactando o real… de novo

Alexandre Viotto
Formado em Comunicação pela UEL, MBA em Gestão Empresarial e Banking pela FGV. Com passagem por Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Citibank, onde atuou na Mesa de Tesouraria por 10 anos. Atualmente é Head de Câmbio e Comex na EQI.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Infelizmente e não por falta de criatividade, preciso falar mais uma vez para você que os motivos para a desvalorização do Real Brasileiro seguem os mesmos… Veja o cenário para o câmbio.

Câmbio: inflação, sempre ela…

Segue muito pressionada, tanto aqui dentro quanto lá fora. A ponto de Joe Biden inventar de liberar reservas estratégicas de petróleo para tentar baixar o preço da gasolina. Esta medida foi utilizada no passado em períodos de guerra envolvendo os EUA ou grandes produtores da Commodity. Mas, nunca antes na história daquele país, como forma de controle de preços. Ou seja, é difícil funcionar…

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O FED continua nas mãos de Powell  

Após muita especulação, a Casa Branca optou pelo caminho mais fácil, só para variar. Jerome Powell será reconduzido a mais um mandato como chairman da instituição. Os mercados, adoraram a notícia por simbolizar a manutenção do chamado “pouso suave” das políticas de expansão monetária.

Seguimos com o tapering na agenda e uma eventual alta de juros para meados de 2022. Diminuição do balanço mesmo, só para a próxima década pelo jeito. E olhe lá…

Brainard de vice

Brainard era, até então, a principal aposta para suceder o então ocupante do cargo e ficou com a vice-presidência daquele Banco Central. Pesou contra ela o fato de que o nome teria que ser aprovado pelo Senado, onde a vida não está nada fácil para o Governo. E pesou também a possibilidade de trazer ainda mais volatilidade para os mercados ao redor do planeta.

“Pior que Jimmy Carter”

A vida não está fácil para o mandatário americano. Se antes era só a oposição, agora uma parte considerável do eleitorado já coloca Biden como o pior presidente da história. E mesmo sendo cedo para levar este carimbo, os democratas já estão bastante preocupados com as eleições parlamentares do ano que vem.

Enquanto isso, em Brasília…

A eleição já está a todo vapor. O presidente parece ter finalmente escolhido por qual sigla irá concorrer. E a luta pela terceira via estampa praticamente todos os jornais, com prévias do PSDB e visita de um famoso ex-juiz ao Congresso nos últimos dias. E nem terminamos o ano de 2021 ainda.

Câmbio: ah, mas e o fiscal?

A PEC dos Precatórios abrirá espaço extra para 106 bilhões de reais em gastos. Com isso, o resultado primário deve ser o pior registrado desde 2019. E já tem político defendendo a manutenção do auxílio emergencial de forma permanente. Já dizia Milton Friedman: Nada é tão permanente quanto um programa temporário do governo.

Faltou falar do câmbio

O principal termômetro da economia deve continuar bastante volátil. E não tem como ser diferente com tanta dúvida em relação às contas públicas nos próximos anos. No mais, sigo relativamente pessimista com o real no curto prazo, assim como estávamos na semana passada. A conferir.

Desejo um feliz Dia de Ação de Graças para quem comemora. Até semana que vem! Câmbio desligo.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da EQI Asset