Cogna (COGN3) e Arco avançam em disputa para compra de sistemas da Pearson

Paulo Amaral
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Crédito: cogna

A Cogna (COGN3) e a Arco Educação avançaram para a próxima fase na briga pela compra dos sistemas de ensino COC e Dom Bosco, que pertencem à britânica Pearson.

De acordo com informações do Valor, o foco da Pearson no Brasil hoje é em seu negócio de idiomas, formado por escolas e livros específicos. Por conta disso, ela estaria disponibilizando os ativos comprados há dez anos.

Os materiais são usados atualmente por 250 mil alunos e a receita gira em torno de R$ 200 milhões.

Os sistemas de ensino faziam parte do Grupo SEB, que repassou os ativos para a Person por R$ 888 milhões.

As ações do grupo britânico para reestruturar o setor fizeram o negócio crescer e se expandir, mas, agora, não há mais investimentos.

A Cogna, que recentemente fechou a compra do sistema de ensino da Eleva, já utilizado por 176 mil alunos, entrou na disputa e é uma das fortes candidatas a selar o negócio.

A compra da Eleva foi importante para a Cogna expandir sua subsidiária Vasta, listada em Nova York. Além disso, a venda de algumas de suas escolas próprias poderia ajudar na questão financeira da holding.

Cogna: ex-Kroton é o maior grupo de educação superior

Cogna, ex-Kroton, é um dos maiores grupos educacionais do país, sendo o maior em ensino superior.

A empresa integra o Ibovespa, pelo seu alto volume de negociação registrado, o que ajuda a dar visibilidade às ações.

Até 2019, o foco da empresa era apenas o ensino superior. No entanto, depois de diversas aquisições, a Cogna engloba hoje Kroton, Somos, Saber e Platos. Sob sua gestão, estão marcas fortes de ensino básico e fundamental. Entre elas Sistema Anglo e PH, e a escola de idiomas Red Ballon.

Justamente no potencial fora do ensino superior é que reside grande parte da aposta daqueles que acreditam na Cogna.

Um deles é Henrique Bredda, gestor do famoso fundo Alaska, e a pessoa que enxergou o potencial de valorização do Magazine Luiza em 2015, quando ninguém dava nada pela empresa – e que surfou toda a onda de valorização dos papéis desde então.

Bredda defende que a Cogna pode vir a ser o “novo Magalu”. Como ele é muito atuante nas redes sociais, possivelmente tenha grande parcela de responsabilidade na atenção que a Cogna vem recebendo dos investidores já há algum tempo.

Na avaliação de Bredda, a grande “sacada” na análise da Cogna é sair do senso comum de avaliar a empresa pelo potencial do ensino superior e focar nas demais possibilidades.

Ele acredita que a empresa se tornará, em um futuro de médio e longo prazo, em uma grande plataforma educacional. E através dela pequenas escolas espalhadas pelo país poderão adquirir sistemas de ensino com assessoria, cursos extracurriculares para serem oferecidos no contraturno, e controle de pagamentos, com emissão de boletos e até antecipação de recebíveis. A atual negociação com a Eleva vai ao encontro dessa análise.