COE: Certificados de Operações Estruturadas – vilão ou oportunidade?

Fabian Fávero
Assessor de Investimentos na EQI Investimentos. Formado em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Atualmente cursando MBA em Investimentos e Private Banking pela IBMEC.

Crédito: Imagem de Steve Buissinne por Pixabay

No início da carreira como assessor de investimentos, na sede por absorver opiniões, pesquisei sobre cada um dos investimentos oferecidos. Como tudo na internet, os comentários negativos se sobressaem aos positivos. Sobre a renda fixa, a crítica recebida dos agressivos pelo rendimento baixo. Sobre as ações, o sobe e desce diário do mercado e nossa dependência dos mercados estrangeiros. Sobre o Tesouro já li críticas até pelo fato de você “emprestar” dinheiro ao governo sendo que ele cobra muitos impostos. Entretanto, nenhum produto recebe tantas críticas quanto os Certificados de Operações Estruturadas, ou simplesmente COE. Por que? 

O que é o COE?

Os Certificados de Operações Estruturadas derivam das famosas Notas Estruturadas, muito negociadas em países com mercados mais sólidos. Segundo o site da XP, ele é montado através de um título emitido por uma instituição financeira com estratégias em derivativos. 

Alguns sites especializados o tratam como um investimento com a segurança da renda fixa com o potencial da renda variável. Vamos a um exemplo prático: 

Há 5 anos atrás, no pregão do dia 17 de abril de 2015, você adquiriu um COE que acompanhava o índice Ibovespa. No dia o IBOV marcava seus 53.954,79 pontos, ainda no auge do Governo Dilma. O COE escolhido protegia o capital e limitava os ganhos a, digamos, 50%. 

Dada essas informações, aqui haviam três possibilidades. No dia de hoje, a Ibovespa poderia estar abaixo dos 53.954,79 pontos, o que faria com que o mesmo valor por você investido na época retornasse a sua conta. Ainda, caso o índice estivesse marcando algo na casa dos 60 mil pontos, você receberia (além do investido) o montante proporcional ao quanto o índice subiu. Por último, caso o Ibovespa tivesse dobrado e marcasse hoje 107.909,58, os seus ganhos estariam limitados a 50% do investido na época, conforme estipulado no termo de aceite.

Essa é apenas uma das modalidades de COE. Existem ainda os “alavancados”, em que, a rentabilidade final ainda pode ser multiplicada por um fator determinado no início. Por outro lado, existem os “bidirecionais”. Particularmente, estes são os meus favoritos. Um COE bidirecional faz o uso dos derivativos para não apenas buscar a alta do índice, mas também entregar rentabilidade em casos de queda. Existem produtos hoje neste sentido que, até no caso de queda de 50% do ativo no qual acompanha, ele ainda traz uma rentabilidade positiva.

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Quem deve investir em COE?

Com o grande número de novos investidores, cada vez mais os emissores buscam aprimorar seus investimentos e aumentar o seu cardápio. Hoje, existem COEs para todos os tipos e gostos. 

Existem, sim, produtos dessa “família” para todo tipo de investidor. Devem-se analisar aqui questões como prazos, taxas, ativo a ser investido, e inclusive o emissor do título. 

Qual o risco do COE?

Aqui temos a maior crítica recebida deste produto. Muitas pessoas acreditam que não há risco atrelado a ele, tendo em vista que seu valor inicial é garantido. Porém, o que algumas pessoas não percebem, é que há um quesito: o risco de oportunidade. Como os COEs normalmente são títulos de médio prazo, alguns investidores não estão dispostos a não ver crescimento (ou decrescimento) no valor investido. 

Além disso, há o risco do banco emissor do título. Então, para isso, no início da aplicação, vale se atentar a qual banco está atrelado ao título. 

Devo investir em COE?

Vamos a algumas perguntas: você tem pensamento de longo prazo? Você tem noção da importância da diversificação (inclusive de mercados)? Você busca um bom rendimento sem exposição de capital?

Caso você respondeu sim para alguma dessas questões, sim, o COE pode ocupar um espaço na sua carteira. Sempre preze pela diversificação, então destinar uma porcentagem (mesmo que mínima) a este produto pode ser muito interessante.

Pessoalmente, o principal ponto positivo é o fato de conseguimos nos expor a mercados internacionais (como bolsa americana ou índices europeus) sem a necessidade de abertura de conta fora do País ou conversão de moeda. Tendo isso como premissa, além de ser uma forma de investir fora do País, conseguimos fazer uma proteção para uma carteira unicamente atrelada a ativos brasileiros. 

Neste sentido, o fato de ter o capital protegido também é muito importante para alguns investidores. Mesmo entendendo o mercado, suas variações e peculiaridades, algumas pessoas não estão dispostas a observarem volatilidade negativa em seus investimentos. 

Da mesma forma, o COE é um produto cujo a tributação se faz de forma regressiva. Tal qual fundos de investimento, inicia em 22,5% e pode chegar a 15% com o tempo. 

O ponto negativo, assim como todos os produtos têm, aqui é o custo da oportunidade. Utilize os Certificados de Operações Estruturadas com sabedoria, buscando diversificar sua carteira e respeitar o prazo estabelecido no início da aplicação. 

Conclusão

Usado de forma consciente, ele surge como uma ótima maneira de proteção do capital. Caso destinado uma pequena parte da sua carteira de investimentos, tenho certeza que o fato de ser um título com um prazo maior não afetará na liquidez, e pelo contrário, trará segurança. Para isso, nada melhor que conversar com seu assessor de confiança para buscar segurança e oportunidades!