COE: Diversificar investimentos com baixo risco é possível; veja como

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Investir com a diversificação adequada e os menores riscos possíveis é o sonho de qualquer investidor. Embora ainda seja mal compreendido por muitos no mercado, o COE é uma opção de investimento que garante exatamente estas vantagens: diversificação com baixo risco.

Para quem não conhece, COE é a sigla para Certificado de Operações Estruturados. Embora o nome assuste, este é um produto financeiro como qualquer outro. A diferença é que é uma cesta de ativos, e não um ativo único. Dentro desta cesta, o COE contém elementos de renda fixa e de renda variável.

É justamente neste misto de ativos que mora a grande atratividade do COE. Enquanto a renda fixa dá segurança ao investidor, a parcela de renda variável permite ganhos atrativos.

Modalidade de investimento de sucesso na Europa e EUA

Além disso, o COE tem um trunfo que não se vê no mercado de renda variável, que é o capital protegido. A maioria dos COEs disponíveis no mercado brasileiro oferecem esta garantia, que significa lucro garantido ou o seu dinheiro de volta.

Para entender melhor, confira nesta reportagem como o COE funciona e por que esta pode ser uma importante ferramenta de diversificação da sua carteira de investimentos:

Diversificação é fundamental

A grande vantagem do COE é que ele oferece uma boa diversificação para o investidor, com riscos baixos. Além disso, ele permite o acesso do cliente a mercados internacionais com custos reduzidos.

Em tempos de crise no Brasil isso é ainda mais estratégico, segundo o assessor de investimentos Elias Wiggers. Vale lembrar que o Brasil hoje vive um momento desfavorável devido ao aumento da dívida pública causado pela pandemia mundial.

Este desajuste nas finanças do governo tem afastado investidores internacionais do Brasil e incentivado os brasileiros a buscarem alternativas mais interessantes no mercado internacional.

Com o COE, você pode fazer isso com apenas R$ 5 mil, sem a necessidade de ser um investidor qualificado nem de enviar recursos para fora do país.

De onde vem esta modalidade

O COE é emitido pelos bancos, da mesma forma que ocorre com um CDB ou uma LCI, por exemplo. A principal diferença é que o COE não vai para o caixa dos bancos, mas é direcionado para aplicações em renda fixa e derivativos, como veremos mais adiante.

Embora o COE seja um produto relativamente novo no Brasil, este tipo de ativo é amplamente conhecido no exterior. Nos Estados Unidos e na Europa, os ativos como o COE são chamados de notas estruturadas.

Em todo o mundo, as notas estruturadas representam 10% de todo o funding bancário, ou seja, de todo o dinheiro que o banco toma no mercado para poder trabalhar.

Entenda a estrutura do investimento

Quando você compra um COE, o recurso é destinado para investimentos em renda fixa e derivativos. Cada COE é único, e cada um terá suas características e datas para começar e terminar.

Antes de continuar, vale explicar o que são derivativos. Derivativos (também chamados de opções e contratos futuros) são contratos com vencimento futuro que dão o direito de comprar um ativo por um determinado preço.

Por exemplo, imagine que você comprou uma opção de compra de uma ação a R$ 13 quando ela estava cotada a R$ 10. Agora imagine que o preço desta ação subiu para R$ 20. Isso significa que você teve um ganho de R$ 7 com a ação.

O risco do COE vem dos derivativos, mas também são eles que permitem ganhos acima da média.

Ao mesmo tempo, a segurança é garantida pela porção alocada em renda fixa.

Por não ir para o caixa do banco, o COE não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Este fundo protege os investidores pessoa física em caso de quebra do banco. No entanto, este não é motivo para o investidor do COE ficar preocupado.

O trunfo do capital protegido

O grande diferencial do COE é que a grande maioria deles tem o valor nominal protegido. Isso significa que você nunca perde o dinheiro que aplicou em um COE.

Caso a rentabilidade seja negativa, na data de vencimento o investidor recebe de volta exatamente o que investiu.

Por exemplo, se você colocou R$ 10 mil em um COE com capital protegido, na pior das hipóteses você vai receber seus R$ 10 mil de volta na data do vencimento.

Hoje, quase 100% dos COEs negociados no Brasil têm capital protegido. Os que não tem esta garantia são chamados de “valor nominal em risco”.

Vale destacar que a proteção vale somente para quem fica com o COE até o final do vencimento. Quem vender antes disso abre mão da proteção.

Quem investiu em COE antes da pandemia de coronavírus, por exemplo, está numa boa situação. Enquanto a maioria das pessoas perdeu dinheiro, o investidor do COE tem a garantia de que poderá resgatar todo o seu recurso no final da aplicação.

Em outras palavras, o capital protegido é como uma boia que impede seu investimento de afundar, independentemente da tempestade.

O que permite o capital protegido é a porção do COE que está alocada em renda fixa, pois ela tem uma rentabilidade garantida ao final do prazo.

Para quem é uma boa opção?

O COE é uma boa opção para qualquer investidor que procure diversificação em sua carteira e acesso a mercados internacionais.

Em geral, os perfis que mais têm afinidade com o COE são os investidores moderados e agressivos.

Antes de continuar, vale lembrar que existem três perfis de investidor: conservador, moderado e agressivo. O investidor conservador é aquele que evita investir em renda variável devido à dificuldade de prever os retornos.

A definição do perfil do investidor não depende apenas da tolerância ao risco, mas também dos objetivos de cada investidor. Quanto maior o prazo do investimento, mais risco é possível tomar.

Embora os conservadores evitem a renda variável, o COE é uma boa opção para os conservadores que desejam apimentar um pouco a sua carteira sem aumentar os riscos. Ou seja, sem comprar fundos, ações ou outros ativos que sobem e descem ao longo do tempo.

Vantagens de investir

Investir em COE é uma boa alternativa em momentos de baixa na taxa básica de juros (Selic). Atualmente, a Selic está em 3% ao ano, nível mais baixo da história.

Com isso, os retornos da renda fixa ficam comprometidos. Neste cenário, o COE entra como uma boa alternativa para trazer ganhos melhores para a sua carteira de investimentos.

Em momentos de crise, o COE tem outra vantagem. É possível comprar COEs bidirecionais, ou seja, que podem ganhar tanto na alta quanto na baixa.

Além disso, os ativos que compõem os COEs têm diferenciais em relação aos que você pode acessar sozinho. Ou seja, nem todos estão disponíveis em prateleiras de corretoras.

Graças à escala proporcionada pelo COE, os ativos dentro das cestas costumam ser mais interessantes do que se você acessar de forma direta.

Quanto custa investir

O único custo envolvido em um COE é a taxa de montagem da estrutura da cesta de ativos. Este custo está sempre  embutido no preço unitário do COE. Em média, esta taxa é de 1,7% ao ano, no máximo.

Para identificar a taxa, verifique o Documento de Informações Essenciais (DIE) do COE desejado. Lá, além de todos os detalhes sobre o produto, você terá acesso à taxa cobrada do investidor.

A boa notícia é que não existe taxa de administração no COE. Isso coloca o produto na frente dos fundos de investimentos de renda variável e também das ações, que têm custos de corretagem para compra e venda.

Riscos de investir

O principal risco do COE é a ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. No entanto, vale destacar que os bancos emissores deste tipo de investimento são grandes instituições financeiras. Estes bancos são sólidos e bem administrados.

Outro risco é o que o COE tem baixa liquidez no mercado secundário. Isso significa que se você precisar resgatar a aplicação antes do vencimento, poderá receber um valor inferior ao investido.

Esta perda é variável, vai depender de como estiver o mercado no momento da venda. Por isso, é recomendável que você somente invista nesta modalidade quando puder ficar com ele até o vencimento.

Alguns tipos

Um dos formatos mais comuns de COE é aquele ligado ao desempenho de algum índice. Muitos estipulam um ganho máximo para o investidor.

Ou seja, imagine que o índice escolhido é o Ibovespa. Neste caso, o COE pode estipular que o investidor vai ganhar a alta do Ibovespa até um teto de 22%. Se o indicador subir mais do que isso, o ganho do investidor continua em 22%.

Ao mesmo tempo, existem COEs que permitem participação ilimitada do investidor na alta do índice. Neste caso, o ganho do investidor acompanha a alta do índice, sem nenhum limite. Veja o gráfico abaixo:

 

Outro tipo comum de COE é o de taxa fixa mais alta ilimitada. Neste caso, o investidor recebe na taxa de vencimento uma taxa fixa mais a variação do índice.

Isso é interessante para o investidor garantir algum ganho, independentemente do que acontecer com o índice.

Mais uma alternativa é o COE bidirecional com alta ilimitada e barreira de baixa. Você só deixa de ganhar dinheiro se o índice não se movimentar no período.

Existe ainda o COE Autocallable, ou auto-resgatável. Este produto pode ser encerrado antecipadamente se atingir uma determinada condição em datas pré-definidas.

Ou seja, se as metas forem atingidas, o COE é automaticamente encerrado e o investidor recebe o ganho antes do esperado.

Confira nos exemplos abaixo:

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Como você pode ver, existem muitos formatos de COE. É importante que você entenda o funcionamento do COE antes de investir, para que possa fazer isso com segurança e tranquilidade.

E o imposto?

O COE é tributado como um ativo de renda fixa. Quanto mais tempo o investidor fica com o ativo, menor é o imposto, conforme a tabela abaixo.

Vale destacar que a tributação é cobrada somente sobre os ganhos. A alíquota começa em 22,5% e vai diminuindo com o passar do tempo, até chegar a 15% acima de dois anos.

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Se você ficou interessado no COE, pode ser a hora de experimentar um ativo como este. O ideal é que você escolha alguns COEs diferentes para fazer a diversificação da sua carteira.

Outra dica é você investir nesta modalidade pensando nos retornos de longo prazo. Não se esqueça de descobrir qual é o seu  perfil de investidor e tirar dúvidas com especialistas ao longo do processo.

Para escolher o melhor para a sua estratégia, uma boa ideia é contar com a orientação do seu assessor de investimentos.