Cobre: commodity é oportunidade que pode performar melhor que o ouro

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução Facebook Paranapanema

Em um cenário de altas crescentes nos últimos meses, as commodities vêm se beneficiado, fazendo com que as empresas produtoras de matérias-primas sejam favorecidas nas bolsas ao redor do mundo. E o cobre surge como uma das tendências globais para os próximos anos, segundo análise do BTG Pactual (BPAC11).

O setor de commodities deve continuar em ascensão para 2021 e 2022. Há uma perspectiva de crescimento acima do potencial para as principais economias, tanto no restante de 2021 quanto em 2022, o que sustenta um ambiente de apetite a risco e o preço das commodities num nível ainda elevado na comparação com 2020.

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O cobre, apesar de ser uma matéria-prima cíclica, também está alinhado às novas teses seculares. O cobre é uma das principais fontes de matéria-prima na produção de bens mais sustentáveis, além de atingir mercados que estão em franco crescimento, como o de carros elétricos e energia renovável.

Porém, no curto prazo, os analistas do BTG Pactual veem que a nova onda de variante delta e as dificuldades em algumas cadeias produtivas da indústria – em especial aquelas que necessitam de semicondutores – alimentam um mercado mais cauteloso à frente para a “entrega” do crescimento já precificado nos principais ativos cíclicos, como é o caso de várias commodities.

Mas, no médio prazo, o cenário é positivo, dadas as novas tendências seculares, lideradas por Estados Unidos, Europa e China.

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Cobre BTG

O mercado de cobre: produção concentrada e em evolução

A produção de cobre ainda é concentrada nas Américas, em especial Chile e Peru, mas vem mostrando aumento da participação relativa da África e Ásia ao longo da última década.

“A disseminação de tal negócio em outras localidades pode mudar a composição dos riscos políticos e regionais, mas ainda assim é positiva para o mercado como um todo”, afirmam os analistas Álvaro Frasson, Arthur Mota, Leonardo Paiva e Luiza Paparounis, do BTG Pactual.

Cobre BTG

Cenário de oferta de olho no Chile

A análise pelo lado da oferta, como a maioria dos segmentos de commodities, passa pelo entendimento das capacidades produtivas dos países e das restrições e gargalos à expansão em cada localidade.

“No caso do mercado de cobre, o custo da exploração é elevado e o incremento produtivo só é interessante em cenários de preços atraentes e com perspectivas de sustentação em patamar elevado”, pontua o relatório do BTG.

E é justamente este o cenário que está posto neste momento, visto que a demanda deve seguir em trajetória de crescimento devido às agendas de descarbonização e desenvolvimento tecnológico.

No entanto, é preciso considerar que algumas questões geográficas podem impedir este movimento de expansão. No Chile, responsável por 25% da oferta global, a escassez de água começa a ameaçar o nível da produção. Isto ocorre devido a algumas operações estratégicas estarem localizadas num dos desertos mais secos do mundo.

Mas este empecilho pode ser parcialmente superado nos próximos anos, levando em consideração que o setor está intensificando os esforços para utilizar água do mar, que deverá responder por quase metade do consumo até 2031.

“A busca pela superação dos desafios à ampliação da oferta é uma forte sinalização da crença das empresas no potencial do mercado e da atratividade financeira que o estágio da economia global gera para a produção do cobre”, dizem os analistas.

Movimento de players relevantes no mercado de cobre

O aumento da procura por cobre, visando o uso em segmentos chave para o desenvolvimento da economia global, será acompanhado de novos projetos de expansão da oferta.

O BTG listou algumas empresas relevantes do setor que anunciaram projetos de expansão produtiva no primeiro semestre. Confira:

  • Southern Copper (Peru e México). Uma das maiores produtoras integrados de cobre do mundo. Produz cobre, molibdênio, zinco, chumbo, carvão e prata. Todas as instalações de mineração, fundição e refino estão localizadas no Peru e no México e conduzem atividades de exploração nesses países e no Chile. Desde 1996, suas ações ordinárias estão listadas nas Bolsas de Valores de Nova York e Lima.
  • Antofagasta (Chile). Grupo de mineração de cobre baseado no Chile. A mineração é seu principal negócio, representando mais de 97% da receita e EBITDA. Opera quatro minas de cobre no Chile, duas das quais produzem volumes significativos de molibdênio e ouro como subprodutos.
  • Zijin (Congo). Grupo de mineração multinacional dedicado à exploração e desenvolvimento de ouro, cobre e outros recursos minerais em todo o mundo, refino de cobre, processamento, comércio e outros negócios de forma otimizada. Possui projetos de investimento em mineração significativos em 12 países estrangeiros.
  • Teck (Canadá, Chile, EUA, México e Peru). É uma das empresas de mineração líderes do Canadá, comprometida com a mineração responsável e o desenvolvimento mineral, com grandes unidades de negócios focadas em cobre, zinco e carvão para siderurgia, bem como investimentos em ativos de energia.
  • Glencore (Congo, Chile e Argentina). Possui operações que abrangem cerca de 150 locais de mineração e metalurgia e ativos de produção de petróleo. A companhia produz e comercializa uma ampla gama de metais e minerais – como cobre, cobalto, zinco, níquel e ferroligas – e também alumínio e minério de ferro de terceiros.

Cenário de demanda de olho na China

A demanda por cobre apresenta caráter cíclico, isto é, acompanha o ritmo da atividade econômica. O crescimento deste mercado nos próximos anos passa pelo caminho de desenvolvimento da economia chinesa, que representa mais de 50% da demanda pelo mineral no mundo. Ou seja, a liderança da China nas agendas relacionadas à inovação pode representar alta na demanda por cobre nos próximos anos.

O governo do país asiático apresentou neste ano o seu 14º plano quinquenal, que visa garantir que a China tenha renda per capita do nível dos países da OCDE até 2035. Entre as propostas do plano, as áreas destacadas são: segurança nacional, alimentos e recursos naturais, cadeias de suprimentos e tecnologia.

Mas apesar de a China já ter superado a fase de expansão a taxas anuais extraordinárias (acima de 10%), o premiê do país acredita que as medidas de modernização da economia podem gerar um crescimento na faixa dos 6% a.a. Ou seja, o montante adicionado ao PIB global será bastante elevado, dado que o produto chinês supera US$ 15 trilhões.

“Além da China, o papel da Índia entre os principais importadores também é bastante destacado, visto que o país tem experimentado taxas elevadas de crescimento econômico, que é voltado para desenvolvimento de novas tecnologias e empreendimentos intensivos no uso de cobre. Além disso, há grande déficit de infraestrutura no país”, afirma o BTG Pactual.

Consolidação dos carros elétricos e energia renovável

A mudança climática em curso no planeta está há algum tempo promovendo mudanças em diversos mercados e reorganizando os investimentos nas cadeias voltadas ao fornecimento de bens e serviços que serão demandados no futuro.

“O mercado de carros elétricos provavelmente será um dos vencedores de longo prazo, pois podem poluir até 60% menos que os carros com motor à combustão, ou seja, ganham apelo no contexto da discussão de contenção dos impactos industriais no meio-ambiente”, afirmam os analistas do BTG.

O cobre é matéria prima essencial na produção de tais veículos, o que contrata um cenário positivo para seus preços.

O cobre, por ser um metal mais barato em comparação aos mais nobres, também é amplamente utilizado para empreendimentos de infraestrutura elétrica, além do uso intensivo em componentes do sistema de energia renovável e de telecomunicações.

Cobre BTG

O material é ainda um condutor altamente eficiente de eletricidade e calor, sendo utilizado em sistemas de energia renovável como solar, hídrica, térmica e eólica em todo o mundo.

“O aumento da participação da produção de energia através de fontes eólicas e solares será responsável por impulsionar a demanda por cobre”, diz o BTG.

Na solar, por exemplo, é necessário 5kg de cobre para gerar 1 kilowatt de energia.

Assim, estas fontes estão em ascensão e essa tendência deve continuar a medida que as agendas voltadas à preservação do meio-ambiente ganham força ao redor do mundo.

Perspectivas e estratégias de alocação

À luz da crescente demanda esperada por cobre por conta do avanço de uma agenda de energia renovável no mundo, o mercado continua projetando um balanço deficitário nos próximos anos, com o consumo superando a produção e acomodando os estoques globais.

“Esse será um vetor importante para o preço da commodity nos próximos anos, numa tendência que é secular”, pontua o BTG.

Como recomendação, os analistas afirmam que veem boa oportunidade para exposição ao ciclo do cobre para os próximos anos, com possibilidade de valorização nos próximos 4 ou 5 anos.

“A demanda é puxada por teses seculares envolvendo agenda ESG global, liderada por China, EUA e Europa. Vemos espaço para exposição direta ao produto ou por meio das empresas produtoras. Produtos estruturados e fundos que atendem tal demanda”, dizem os analistas.

Por fim, o BTG ressalta que os riscos são de curto prazo com desaceleração da atividade chinesa e o rally já consolidado pelas commodities. Mas a perspectiva é que o cobre performe acima do ouro no médio prazo.