Estudo da CNI projeta queda de 4,2% do PIB em 2020

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira (11) a previsão atualizada para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020.

Segundo a confederação, no pior cenário, a economia brasileira pode encolher 7,3%, em comparação com 2019. Se tudo der certo, numa rápida recuperação após o fim da pandemia, a queda pode ser de 0,9%.

Mas a CNI trabalha mesmo é com o cenário-base, com queda de 4,2%, desde que medidas de apoio à economia sejam efetivas. Mas todos são cenários sombrios diante da previsão realizada em dezembro de 2019, quando se projetava um crescimento de 2,5%.

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“A expectativa é de que as medidas econômicas para enfrentar a crise vão, neste cenário, possibilitar uma recuperação mais rápida, impedir a falência de um grande número de empresas e o aumento significativo do desemprego, além de reduzir os impactos sobre problemas logísticos, falta de insumos e sobre o emprego e, assim, possibilitar uma recuperação mais rápida”, explica o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

O PIB industrial vai recuar 3,9% neste ano em relação ao ano passado em um cenário-base, avalia a CNI. Em um cenário pessimista, a queda será de 7%. No melhor das hipóteses, espera-se retração de 1,8%.

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Desafios

“Eesta simulação prevê que não será possível evitar totalmente o fechamento de empresas, a queda do faturamento e dificuldade de acesso ao crédito, o que tornará os empresários mais cautelosos, com efeitos negativos diretos sobre o PIB”, explica a confederação.

Com o comércio internacional em marcha lenta, embora ainda aberto, mesmo com a pandemia atingindo a maioria das grandes potências mundiais, o quadro pode afetar crescimento das exportações brasileiras.

Tudo, porém, depende de quanto tempo a pandemia vai se prolongar.

“O primeiro passo é manter a agenda da competitividade. Para sair da crise de forma sustentada, o país precisa, mais do que nunca, eliminar o Custo Brasil, com uma reforma tributária que crie um sistema mais eficiente e menos complicado”, explica Robson Braga de Andrade.

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Taxa de desemprego e inflação

Outro dado preocupante é a taxa de desemprego. Na avaliação da CNI, o índice ficará na pior das hipóteses em 13,5%. No cenário mais otimista, 12%; e no cenário-base, 12,5%; o que é mais do que o previsto em dezembro de 2019, com 11,3% da população economicamente ativa sem ocupação.

A inflação tende a se contrair, sem consumo. A previsão inicial, ao fim de 2019, era de 3,70% este ano. Mas no cenário mais otimista, talvez fique em 2,9% ao ano. No pessimista, 0,8%; e no base, 1,97%.

Reflexo importante

Todo esse cenário acaba refletindo na confiança do empresariado.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), elaborado mensalmente pela CNI, atingiu o menor valor da história no mês de abril: 34,5 pontos. Foi uma queda recorde com relação ao mês anterior: 25,8 pontos, refletindo a preocupação do empresariado com a crise provocada pelo novo coronavírus. Desde janeiro, a queda acumulada é de 30,8 pontos.

Até então, a maior queda registrada em um único mês havia sido de 5,8 pontos, ocorrida em junho de 2018, como consequência da greve dos caminhoneiros. A pandemia superou aquela crise.

“A queda na confiança dos empresários pode contribuir para a paralisação dos investimentos, ou seja, para o agravamento da crise econômica”, avalia o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

Essa já é a maior crise enfrentada pelo mundo desde 1929, podendo superar a Grande Depressão, já que não se sabe exatamente quando as atividades comerciais em todo o planeta poderão voltar a funcionar amplamente.

Desaparecimento do consumidor

Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, o atual cenário global de incertezas impossibilita a realização de projeções reais para a economia: “ainda não sabemos quanto tempo durará a crise e, a cada dia, o governo tem anunciado novas ações de estímulo. Estamos acompanhando e avaliando o cenário diariamente”.

“Há dificuldades no fluxo de insumos, mercadorias e trabalhadores e as medidas de isolamento social e o consequente ‘desaparecimento do consumidor’ resultaram em forte queda na receita das empresas. As despesas fixas continuam e, nesse momento de maior necessidade, a oferta de capital de giro diminuiu e seu custo aumentou”, ressalta o relatório.

Confiança em queda

O ICEI tem como base os 50 pontos. Abaixo disso, há falta de confiança. Acima desse valor, há confiança.

Os 34,5 pontos atingidos nesse mês de abril de 2020 é o mais acentuado abaixo da linha dos 50 pontos na série histórica. Antes, apenas durante a crise do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em março de 2016, o ICEI havia caído tanto, mas no máximo a 37 pontos.

A média histórica é de confiança: 53,7 pontos.

“Cabe ressaltar que a queda em abril ocorre após redução de 4,4 pontos ocorrida em março e de 0,6 ponto em fevereiro. Entre janeiro e abril, o ICEI recuou 30,8 pontos”, diz o relatório.

Indicadores da CNI

“A queda na confiança está mais relacionada com a incerteza e as expectativas negativas do que com a redução da atividade até o momento”, ressalta a CNI. “O Índice de Condições Atuais caiu 20,2 pontos, para 34,1 pontos, enquanto o Índice de Expectativas caiu 28,6 pontos, para 34,7 pontos”.

Por região

“A queda de confiança é generalizada entre as regiões”, diz o relatório. A mais forte, entretanto, é na Região Sul, cujo índice acumulou queda de 34,6 pontos entre janeiro e abril, chegando a 32,6 pontos em abril.

A Região Norte é onde o empresariado industrial tem mais confiança, embora em abril o ICEI tenha atingido 38,1 pontos, bem abaixo da linha de corte de 50 pontos.

O Centro-Oeste tem 37,6 pontos. O Nordeste, 34,2 pontos. E o Sudeste, 34,1 pontos em abril, todas as regiões bem abaixo da linha de corte.

A falta de confiança “alcança todos os setores da indústria”, diz a CNI. “O indicador é menor entre os empresários da Indústria de Transformação (34,3 pontos) e da Construção (34,8 pontos) e um pouco maior entre os da Indústria Extrativa (39,1 pontos)”, mas todos também bem abaixo da linha de corte de 50 pontos.

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