CNI projeta expansão de 4% do PIB em 2021 e de 4,4% do PIB industrial

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: BASF SE, CNI, Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) vai registrar expansão de 4% no ano que vem. A atividade econômica será impulsionada pelo avanço de 4,4% do PIB industrial. As previsões estão na edição especial do Informe Conjuntural – Economia Brasileira, divulgado nesta quarta-feira (16).

Conforme o estudo, uma parte significativa do crescimento econômico será explicada pela base de comparação com 2020. Afinal, o ano foi marcado por uma recessão decorrente dos efeitos da pandemia sobre a atividade econômica. A estimativa é que, neste ano, o PIB caia 4,3% ante 2019, e o PIB industrial, recue 3,5%.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, avalia que as incertezas com relação à economia continuam elevadas. E, portanto, só diminuirão com a imunização contra a COvid-19 da maior parcela da população. A manutenção da recuperação dependerá não só de medidas econômicas como também de saúde pública.

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De acordo com ele, porém, o primeiro passo já foi dado. A economia vai continuar a se recuperar das perdas sofridas ao longo deste ano. No caso da indústria, para a maioria dos setores, a recuperação já ocorreu em 2020. O grande desafio do Brasil é fazer o país voltar a crescer acima de 2% ao ano de maneira sustentada. Ou seja, por um longo período.

“O desafio é a transição da retomada para o crescimento sustentado já em 2021. Para isso, o país, mais do que nunca, precisa eliminar o Custo Brasil. É preciso prover um ambiente favorável aos negócios, que ofereça segurança jurídica, melhore as expectativas e estimule o investimento, o crescimento econômico e o desenvolvimento social”, afirma Braga de Andrade.

Déficit público de R$ 192 bi

O setor público consolidado, que inclui governos federal, regionais e suas estatais, deve registrar um déficit primário de R$ 789 bilhões, ou 10,93% do PIB no fechamento de 2020. Portanto, as despesas do setor público, ampliadas fundamentalmente em decorrência das medidas para conter a pandemia de Covid-19, superarão em muito as suas receitas. A dívida bruta deverá fechar 2020 em 92,8% do PIB.

Com a melhora na atividade econômica e a previsão de redução de despesas em 2021, o resultado fiscal do setor público consolidado deverá melhorar em 2021. A estimativa é que, no próximo ano, o déficit primário seja de R$ 192 bilhões. Ou 2,50% do PIB estimado pela CNI.

Com isso, por fim, o déficit primário do setor público consolidado ficará R$ 45,3 bilhões abaixo da meta estabelecida no Projeto de Lei Orçamentária de 2021 (PLOA 2021), que ainda depende de aprovação no Congresso Nacional.

Taxa de desemprego

De acordo com as projeções da CNI, a taxa de desocupação deverá crescer em 2021. No total, deve ficar em 14,6% da força de trabalho. Esse índice é 0,7 ponto percentual maior que a taxa projetada para 2020, de 13,9%.

O crescimento da atividade econômica no ano que vem será acompanhado da criação de empregos. No entanto, com a queda no receio do contágio pelo novo coronavírus e o fim do auxílio emergencial de renda, mais pessoas deverão voltar a procurar emprego em 2021, o que pressionará a taxa de desocupação.

Inflação deve ficar em 3,55% ao ano

A estimativa é que a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 3,55% ao ano no fechamento de 2021. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2021 é de uma inflação de 3,75% ao ano. Assim, a inflação no próximo ano deverá ficar abaixo da meta, mas ainda dentro do intervalo de tolerância.

Para 2020, a projeção da CNI é que o IPCA fique em 4,28%. O valor está um pouco acima da meta de 4% definida para este ano, mas dentro da margem de tolerância.

Selic deve ir a 3% ao ano

A CNI espera que a Selic seja mantida no atual patamar de 2% ao ano até o fim do primeiro semestre de 2021. A partir de então, se iniciará uma sequência de três aumentos. Com isso, a Selic deverá ficar em 3% ao ano no fechamento de 2021.

“Com a Selic em baixo patamar e as perspectivas da Agenda BC, o mercado de crédito terá um importante papel no impulso ao crescimento econômico em 2021”, diz o relatório da CNI.

A taxa de câmbio deve ficar em R$ 5,15/US$ na média de 2020. Para 2021, projeta-se que a taxa de câmbio fique em torno de R$ 4,84/US$, na média, o que representa apreciação moderada frente a média esperada para 2020.

Balança comercial

Por fim, a balança comercial brasileira deverá ficar positiva em US$ 57,6 bilhões no fechamento de 2020. Este representa um aumento de US$ 9,6 bilhões na comparação com 2029. Ainda mais, o desempenho será resultado de uma queda nas importações (13,3%) em ritmo mais acelerado que nas exportações (6,2%) neste ano frente a 2019.

Conforme a CNI, em 2021, estima-se que o superávit comercial seja em torno de US$49 bilhões, com aumento de 7% nas exportações e de 15% nas importações.

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