CNI: com Biden, indústria defende avanço na agenda de acordos bilaterais

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Twitter

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera que a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais americanas permitirá a continuidade das negociações dos acordos bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

A indústria brasileira tem histórico de bom relacionamento com governos democratas.

Durante o mandato do ex-presidente Barack Obama, do qual Joe Biden foi vice, Brasil e Estados Unidos avançaram em importantes agendas comuns, com a assinatura dos acordos Céus Abertos, previdenciário e de cooperação econômica e comercial.

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“Esperamos que essa agenda seja acelerada nos próximos anos”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Programas de retomada

A CNI acredita que os programas de retomada econômica e para redução das emissões de carbono, apresentados durante a campanha eleitoral por Joe Biden, se implementados, podem oportunizar a volta do crescimento sustentado do PIB nos Estados Unidos.

A BBC mostrou recentemente que Joe Biden fará do meio-ambiente uma das prioridades de seu governo.

Segundo o democrata, “nenhum acordo será fechado sem que haja um ambientalista na mesa das negociações”.

Essa posição pode afetar – e muito – a relação dos EUA com o Brasil. Isso porque o governo de Jair Bolsonaro vem recebendo críticas constantes pela forma como tem tratado questões ambientais.

Em março, durante um debate democrata, Biden foi questionado sobre o que faria para colocar em prática o plano de US$ 1,7 trilhão contra o aquecimento global. E citou textualmente o Brasil em sua resposta.

“Eu estaria agora organizando o hemisfério ocidental e o mundo para fornecer US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia.  Para que pudessem manter as florestas”.

Para a entidade, esse fator será muito benéfico para a indústria brasileira, porque os Estados Unidos são principal destino das exportações brasileiras de produtos industrializados.

Ao todo, os EUA são destino de 24% dos bens manufaturados brasileiros.

CNI: oportunidade adicional

“Estes dois programas apresentados por Biden na campanha também criam uma oportunidade adicional para a cooperação bilateral entre os dois países”, diz o presidente da CNI.

“Brasil, assim como os EUA, é uma potência ambiental e a indústria brasileira tem uma agenda consistente no campo do desenvolvimento sustentável, sobretudo da Amazônia”, complementa Robson Braga.

Brasil e Estados Unidos são parceiros de longa data nas áreas de comércio e de investimentos.

O intercâmbio de bens e serviços entre os dois países foi superior a US$ 100 bilhões em 2019.

Por sua vez, os investimentos diretos das empresas americanas no Brasil superam US$ 70 bilhões, e os investimentos das empresas brasileiras nos Estados Unidos ultrapassam US$ 39 bilhões.

Para a CNI, dependendo do cenário pós-eleição nos EUA e da conjuntura internacional, há grandes possiblidades de ampliação desses fluxos.

Guedes: relações com EUA

O Brasil seguirá normalmente as relações com os Estados Unidos sob uma eventual presidência do democrata Joe Biden, disse hoje (6) o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em evento promovido pelo Banco Itaú, o ministro afirmou que o relativo isolamento da economia brasileira permite que o resultado das eleições norte-americanas não afete tanto o crescimento econômico do país nos próximos anos.

“Havendo mudança [na política dos Estados Unidos], isso não afeta nossa dinâmica de crescimento de forma alguma”, declarou Guedes, em reportagem da Agência Brasil.

Para ele, os eventos externos afetam principalmente os fluxos de investimentos e preços de ativos financeiros, como o câmbio, mas não impactam tanto a economia real.

Retomada

Na avaliação de Guedes, a retomada do crescimento da economia brasileira depende mais da continuidade das reformas, de privatizações, de mudanças no sistema tributário e da liberalização de marcos regulatórios e de melhorias no ambiente de negócios.

“Particularmente sobre os Estados Unidos, voltando para a questão macro, nós estávamos, e continuaremos trabalhando, com todo mundo”, disse.

“Nós vamos dançar com todo mundo porque nós chegamos atrasados à festa. Queremos dançar com todo mundo. Vamos seguir o nosso relacionamento”, disse Guedes.

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