CNC aponta queda de 0,5% na confiança do comércio em dezembro

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), desenvolvido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta queda de 0,5% em dezembro, alcançando 108,5 pontos. O índice foi divulgado nesta quinta-feira (17).

Conforme os resultados, esta é a primeira redução desde junho, quando o índice havia atingido a mínima histórica. Na comparação anual, o Icec registrou queda de 13,3%.  Embora o índice de confiança permaneça na zona de avaliação positiva, ainda está 20 pontos abaixo do nível pré-pandemia.

A queda no índice é diretamente influenciada pela redução das expectativas para o curto prazo e das intenções de investimentos. Em relação à satisfação com as condições atuais, o indicador avançou 1,7%. Entretanto, em comparação aos meses anteriores, está muito abaixo. Assim, segue na zona negativa. 

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O subíndice referente às expectativas caiu pela primeira vez em cinco meses, com queda de 1,7%. Quanto às intenções de investimento, o subíndice também experimentou queda na variação mensal (-0,2%), a primeira desde julho.

“O mês de dezembro é o mais importante do varejo em número de vendas. Este ano, apesar da pandemia, o IBGE tem mostrado que o desempenho do comércio vem melhorando. A própria CNC revisou esta semana a expectativa de consumo em dezembro para um crescimento real de 3,4%. Mas a redução no valor do benefício emergencial e pressões sobre os custos e preços são fatores que ajudam a explicar essa pequena redução observada na confiança”, avaliou o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Pandemia

De acordo com a economista da CNC, Izis Ferreira, o agravamento da pandemia e a perspectiva de fim do auxílio emergencial injetou mais incertezas no setor. Portanto, vai impor novos desafios de recuperação para os próximos meses. “Diminuiu a proporção de empresários que esperam melhora na atividade no curto prazo, bem como no desempenho do varejo. Já a intenção de investimento na empresa ainda mantém alguma evolução, pois fatores como a manutenção das taxas de juros em nível baixo favorecem o acesso ao crédito”.

O item referente às condições atuais da economia cresceu, mas, em menor ritmo, com aumento de 1,3%. Além disso, desde julho, a avaliação dos comerciantes quanto ao desempenho econômico atual vem melhorando. Mas a proporção ainda é elevada. 69,2% consideram que as condições estão piores do que há um ano, indicador que havia alcançado 71,4% em novembro. 

A percepção menos pessimista é reforçada pelos resultados mais recentes dos indicadores de atividade. Como, por exemplo, o crescimento do PIB no terceiro trimestre e a perspectiva de novo aumento no quarto trimestre do ano.

Em relação ao desempenho do setor do comércio, as avaliações negativas também representam a maioria. 56,4%, contra 58,6% em novembro, e 44,2% em dezembro de 2019.

Emprego

A pesquisa da CNC mostra ainda que as intenções de contratação de funcionários pelo varejo tiveram pequena queda, de 0,2%. Após cinco meses de evolução, ainda seguem na zona positiva, com 125,3 pontos. 

A intenção de contratar pelo comércio foi reduzida em todas as regiões do País em dezembro, exceto no Norte. Já a avaliação dos estoques diante da programação das vendas caiu pelo terceiro mês consecutivo (-1,3%), indicando que os varejistas enfrentam obstáculos conjunturais para readequar o nível dos estoques.

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