CNC apura perda de R$ 240,8 bi do setor de varejo durante a pandemia

Marcello Sigwalt
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Crédito: Divulgação

Após apurar perdas que somam R$ 240,8 bilhões – somente no período de março a junho deste ano – a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou para -9,2% a previsão de queda do varejo ampliado em 2020 e de -6,3%, para o varejo restrito.

Nos dois casos, a comparação é com relação ao mesmo mês de 2019.

Perdas crescentes

Segundo a CNC, no período mais crítico da crise viral, o setor amargou em março último perdas mensais de R$ 40 bilhões, que chegaram a um pico de R$ 77,4 bilhões no mês seguinte.

Essas estimativas foram apresentadas pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com base na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada, nesta quarta-feira (8), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Reposição parcial

Apesar do resultado adverso, a entidade admite que “as estratégias de e-commerce adotadas pelo segmento ajudaram muito o varejo a, pelo menos, repor parte das perdas acumuladas com a pandemia”.

Com a flexibilização da quarentena, a CNC tem a expectativa de que a atividade comercial se aqueça mais, o que deve se refletir nos números de junho, ainda a serem divulgados.

‘Fundo do poço’

Depois de bater “o fundo do poço”, na expressão do próprio presidente da CNC, José Roberto Tadros, o comércio deverá mostrar sinais de recuperação” nos números de junho, prevê o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

“Mantida a abertura gradual dos estabelecimentos comerciais, o setor deverá apresentar perdas menos acentuadas nos próximos meses”, confia o dirigente.

Tadros, no entanto, afirma que um “cenário mais próximo da normalidade vai depender dos impactos da crise sobre variáveis condicionantes do consumo”.

Oferta e demanda

Entre essas condicionantes, ele destacou o “comportamento do mercado de trabalho, a oferta e demanda de crédito e o nível de confiança dos consumidores”

Sinal de recuperação, a PMC de maio mostrou um aumento de 13,9% do varejo em relação a abril, insuficiente, porém, para repor as perdas de março (-2,8%) e abril (-16,3%), refletindo a crise no consumo.

Inversão de tendência

A melhora, em relação a abril, foi mais intensa pelo conceito ampliado, que apurou alta de 19,6%.

Isso que representou uma inversão de tendência, frente às quedas de março (-14%) e abril (-17,5%).

Nesse comparativo, todas as atividades pesquisadas tiveram aumentos, com destaque para os segmentos de tecidos, vestuário e calçados (+100,6%), veículos, motos, partes e peças (+51,7%) e móveis e eletrodomésticos (+47,5%).

Ritmo acelerado

De acordo com levantamento da Receita Federal, as vendas do comércio eletrônico têm-se acelerado nos últimos meses, com crescimento de 39% em maio, frente a igual mês do ano passado, que passou a 72%, em junho, em igual comparativo.

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Outro termômetro positivo é a expansão do número de notas fiscais eletrônicas, que passou de 650 mil (média diária), em fevereiro deste ano, para 1,26 milhão, em junho, calcula o economista da Receita, Fábio Bentes.

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