CNA prevê crescimento de 3% para PIB do agronegócio em 2021

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Foto: Valter Campanato / Wikimedia Commons

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou nesta terça-feira (01) o balanço e perspectiva do setor para 2020 e 2021. A previsão é “equilíbrio da oferta e da demanda com uma produção maior para a maioria dos alimentos em 2021”. 

A CNA estima crescimento de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio em 2021. E ainda, de 4,2% para o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), índice de frequência anual. Este é calculado com base na produção agrícola municipal e nos preços recebidos pelos produtores. Conforme a CNA, 102,9 mil postos de trabalho foram gerados no setor, que deverá fechar 2020 com crescimento de 9% no PIB e de 17,4% no VBP.

De acordo com a CNA, há alguns fatores que podem interferir com o ritmo da produção nos próximos meses. Entre eles, a intensidade do La Niña (que pode afetar especialmente a Região Sul do Brasil), os investimentos feitos este ano na produção e a relação entre câmbio e custos de produção, que devem subir em 2021 por causa de insumos como fertilizantes cotados em dólar.

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Produção brasileira

Além disso, o preço do milho também pode influenciar a oferta interna da produção brasileira. Este é usado como ração para boa parte do gado brasileiro. Por outro lado, em relação à demanda, vai depender do crescimento da economia nacional e mundial. Além disso, depende da volta da normalidade social com a reabertura de bares e restaurantes ao redor do mundo.

Conforme a avaliação da CNA, o aumento do custo de produção contribuiu para o aumento do preço dos alimentos. Em especial o relativo a insumos como fertilizantes, herbicidas e ração. 

“Além disso, a alta nos preços internacionais dos alimentos, que foi de 10,9% de maio a outubro”, afirma a entidade. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). “E a desvalorização da taxa de câmbio (46,5%) também favoreceram o aumento dos preços no Brasil”.

Pandemia

Conforme o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, a pandemia do novo coronavírus resultou em um “cenário bastante caótico”. Este permitiu, no entanto, que a CNA implementasse uma série de medidas de apoio ao produtor. 

Dessa forma, foi possível manter a produção de alimentos como atividade essencial, criar novos canais de comercialização visando à manutenção da renda e a redução de custos para o produtor, e garantir o fluxo logístico de abastecimento em todo o país.

“A agropecuária brasileira é um mosaico de produtos. Cada um deles têm sua importância no campo social, no dos empregos e na manutenção da economia do interior. Vimos que políticas públicas bem fundamentadas garantiram a segurança alimentar este ano”, disse Lucchi. Ele se refere a medidas como o auxílio emergencial que, conforme a CNA, “possibilitou a recuperação da demanda interna e sustentou o poder de compra dos mais vulneráveis, como os trabalhadores informais, garantindo com que tivessem acesso aos alimentos mesmo com uma perda expressiva de renda”.

Mercado externo

Conforme a superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, as perspectivas no cenário externo são de crescimento. “Temos de explorar bem nossas parcerias e investir no pequeno e médio produtor para buscarmos o mercado internacional”, disse.

Até outubro deste ano, as exportações brasileiras somaram US$ 85,5 bilhões. O montante equivale a um crescimento de 5,7% em relação a 2019. Os cinco principais destinos foram China, União Europeia, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Juntos, esses países representaram 63% das exportações do agro brasileiro em 2020.

Em 2020, aumentaram as exportações para China (19,4%), Indonésia (53,6%), Tailândia (43,9%), Turquia (41,8%) e Venezuela (190,3%).

Demanda de exportação da China

Por fim, de acordo com o presidente da CNA, João Martins, a China é o principal mercado consumidor lá fora. “Mas estamos trabalhando com outros países, como Indonésia e os países árabes, que são grandes consumidores de nossos produtos”, disse.

Segundo a CNA, além de se manter como um dos principais demandantes de soja em grãos (devido à recomposição de seus rebanhos), a China deve abrir mais mercado para o melão brasileiro. O país deve ainda manter a demanda por carne bovina. E ainda, aumentar a compra de carne suína e de frangos brasileiros em 5% e 3%, respectivamente.

Para João Martins, nas relações com outros países, é importante ter “mercado com quem paga melhor”. “Hoje a agropecuária brasileira exporta para mais de 170 países. Não devemos ter nem ideologia, nem bandeira”, disse.

*Com Agência Brasil

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