CMN fixa meta de inflação de 3,25% para 2023, com margem de 1,5 p.p.

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta de inflação para 2023 em 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O anúncio foi feito pelo Ministério da Economia nesta quinta-feira (25).

As metas de inflação para 2020, 2021 e 2022 seguem inalteradas: 2020 – 4% a.a.; 2021 – 3,75% a.a.; 2022 – 3,5% a.a.

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Esse é o valor que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá alcançar nos próximos anos.

Em 2020, a meta para a inflação também segue a mesma: 4%, com o mesmo intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Trajetória

O CMN mantém o ritmo de trajetória de redução da meta em 0,25 pontos percentuais ao ano, conforme tem sido feito desde 2017.

Em nota, o Ministério da Economia destacou que a decisão mantém o ritmo de reduções graduais da meta a cada ano, conduzindo o Brasil gradualmente para níveis de meta de inflação observados por grande parte das economias emergentes.

A pandemia de covid-19, destacou o texto, contribuirá para a redução da meta porque a crise econômica fará a maior parte dos preços cair.

“A crise causada pela pandemia da covid-19 afeta a economia brasileira por diversos canais com um resultado líquido sobre os preços altamente desinflacionário, de forma que uma redução da meta para 2023 não implica custos adicionais aos já provocados pela pandemia”, ressaltou o ministério.

O aumento dos gastos públicos causados pela crise, segundo a pasta, não porá em risco o cumprimento da meta por causa de medidas aprovadas nos últimos anos, como a reforma da Previdência e o teto de gastos.

“Mesmo diante da piora do quadro fiscal causada pela crise, as reformas já aprovadas e a determinação de manter o equilíbrio fiscal e o Teto de Gastos criam um ambiente de expectativas de controle de gastos que minimiza os riscos sobre a inflação”, acrescentou o comunica

Política monetária

A decisão de reduzir a meta de inflação é coerente com a elevada credibilidade da política monetária.

A expectativa de inflação, projetada no Boletim Focus, se mostrou ancorada à trajetória de reduções da meta anteriores, e a variância das expectativas de inflação tem caído substancialmente com as reduções da meta.

Sendo assim, evidenciam que a política monetária e a meta são críveis, o que elimina os possíveis custos de redução da meta.

CMN: Fiscal

A consolidação fiscal da economia beneficiou a perspectiva de redução estrutural da inflação. Isso porque as medidas importantes foram aprovadas, a preservação do teto de gastos e da Nova Previdência.

Essas medidas produziram expectativas de uma redução na trajetória de gastos, criando um ambiente favorável para uma redução estrutural da inflação e dos juros de equilíbrio.

Apesar dos choques adversos, o compromisso do governo com o equilíbrio fiscal intertemporal, refletido na manutenção do Teto de Gastos, mantém o ambiente favorável à estabilidade macroeconômica.

Em função da pandemia do novo coronavírus diversos setores tiveram seus preços altamente desinflacionários, o que significa que uma redução da meta para 2023 não implica em custos adicionais

Além disso, mesmo diante da piora do quadro fiscal causada pela pandemia, as reformas já aprovadas e a determinação de manter o equilíbrio fiscal e o Teto de Gastos criam um ambiente de expectativas de controle de gastos que minimiza os riscos sobre a inflação.

O CMN ressalta que a inflação traz custos substanciais para a sociedade, reduzindo os rendimentos reais de capital e trabalho.

Ou seja, desestimula a atividade produtiva, além de criar um ambiente de ineficiência alocativa, uma vez que altera os preços relativos de forma não estrutural.

Por fim, o CMN disse que “a redução da meta produz então um ambiente estável e previsível, estimulando o investimento e a produção e elevando o bem-estar da sociedade brasileira”.

Histórico

Até 2016, a meta de inflação era fixada com dois anos de antecedência, mas um decreto publicado no Diário Oficial da União em junho de 2017 determinou que a definição passasse a ser feita três anos antes.

De acordo com o Banco Central (BC), a mudança teve como objetivo reduzir as incertezas e melhorar a capacidade de planejamento das famílias, das empresas e do governo.

Desde 2005, o centro da meta de inflação estava em 4,5%, com 2,5 pontos de margem de tolerância. Em 2006, esse intervalo caiu para 2 pontos e permaneceu assim nos anos seguintes até ser reduzido para 1,5 ponto para 2017 e 2018, banda que será mantida agora até 2023.

A meta de inflação deve ser perseguida pelo BC ao definir a taxa básica de juros, a Selic. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic, pretende conter a demanda aquecida e segurar os preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança.

Ao diminuir os juros básicos, o Copom barateia o crédito, incentivando a produção e o consumo.

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*Com Agência Brasil